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Plataforma digital facilita denúncias de violência contra a mulher no Brasil

Sistema Ela Protegida permite relatos sigilosos pelo celular e usa inteligência artificial para identificar casos de alto risco e agilizar o acolhimento de vítimas.

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Créditos: depositphotos.com / Tinnakorn

A plataforma Ela Protegida, desenvolvida pela startup Direito Ágil, surge como uma ferramenta inovadora para facilitar relatos de violência contra a mulher e agilizar o acolhimento por parte de prefeituras e ONGs.

O sistema permite que vítimas ou testemunhas registrem casos de forma sigilosa e rápida via celular, contribuindo para uma assistência mais acessível e eficiente.

O programa atende, em média, duas vítimas por dia e mostra que os relatos de violência ocorrem predominantemente de madrugada e aos finais de semana.

Segundo dados do sistema, a inovação tem colaborado em até 180 horas de trabalho para as secretarias da mulher. 

A realidade da violência de gênero no Brasil está relacionada muitas vezes à ausência de delegacias especializadas nas cidades. 

Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que metade dos feminicídios no país ocorrem em cidades com até 100 mil habitantes, mas apenas 5% desses municípios possuem uma delegacia da mulher. 

O fundador do projeto, Rafael Vanderlei, analisa os casos registrados pela plataforma. 

“Analisando os dados de 2025, que foram em média quatrocentos e dezessete casos, a gente vê que oitenta e cinco por cento das agressões ocorrem dentro de casa, e em cinquenta e cinco por cento dos casos, o agressor é o ex-companheiro.” – explicou Rafael, que comentou sobre o atual cenário, onde setenta e cinco por cento dessas mulheres são mães, e na sua maioria das vezes, seus filhos que moram na mesma casa onde a agressão acontece.

Além disso, cerca de sessenta por cento das vítimas que pedem ajuda se declaram pretas ou pardas, mostrando como que a violência atinge mais fortemente as mulheres negras.

Vanderlei explicou como o sistema funciona, onde a mulher agredida, ou uma testemunha acessa o site elaprotegida.com.br de forma sigilosa para relatar a violência, podendo enviar áudios, fotos. 

“Esse é um processo que demoraria horas, a gente consegue fazer em minutos, em menos de oito minutos. E a nossa maior inovação, de fato, é o uso de ar para triagem de risco, então os nossos levantamentos mostram que em média 15 a 20% dos casos mais graves” – explicou o criador da plataforma, que ressaltou que a inteligência artificial aciona automaticamente o chamado alerta vermelho, de risco alto. 

Esse alerta é imediatamente enviado para a Secretaria da Mulher, para o CRAS ou Guarda Municipal, permitindo que as equipes técnicas já tenham acesso à Prefeitura, prevenindo que a violência vire um feminicídio.

A tecnologia funciona como uma porta de entrada para uma assistência mais acessível onde, através do celular, a vítima ou testemunha pode relatar a violência e pedir acolhimento de forma sigilosa e rápida. 

Rafael ressalta que o sistema é seguro e acessível, e que a testemunha pode preencher o formulário da denúncia com os dados pessoais, podendo anexar fotos, laudo médico e gravar áudio para relatar a agressão.