Rio
Advogado de vítima de estupro coletivo é xingador por pai de acusado: “vagabundo”
Advogado da vítima de estupro coletivo avalia acionar pai de acusado por coaçãoAdvogado da vítima do estupro coletivo em Copacabana avalia acionar a Justiça contra pai de um dos acusados, após receber mensagens que classifica como tentativa de intimidação. Rodrigo Mondego, que representa a adolescente no caso, disse ao GLOBO que analisa apresentar representação contra José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do governo Cláudio Castro, e pai de um dos jovens indiciados pelo crime.
A troca de mensagens ocorreu pelo Instagram. Segundo imagem divulgada pelo próprio Mondego, Simonin teria escrito em mensagem privada: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar ‘às’ suas contas, vagabundo.” O advogado respondeu na mesma plataforma afirmando trabalhar “para que o vagabundo do seu filho continue enjaulado, responder na Justiça pelo estupro que lhe é imputado.”
Advogado enquadra mensagem como coação processual
Segundo o advogado Mondego, a conduta de José Carlos Costa Simonin pode se enquadrar no artigo 344 do Código Penal, que trata de pressão ou intimidação contra partes envolvidas em processos judiciais ou policiais. Para ele, o episódio pode caracterizar coação no curso do processo, já que Simonin é pai de um dos acusados.
Apesar disso, o advogado afirmou que uma eventual representação criminal é secundária neste momento. A prioridade, segundo ele, é garantir apoio psicossocial à vítima e à família.
O caso investigado ocorreu em 31 de janeiro de 2026, em um apartamento em Copacabana. A 12ª Delegacia de Polícia indiciou quatro jovens por estupro qualificado com concurso de pessoas: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho. Câmeras do prédio registraram a chegada dos acusados e da adolescente ao imóvel, além de imagens que mostram um dos indiciados comemorando com amigos no corredor após a saída da vítima.