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Sob pressão, Trump diz que guerra no Irã é “excursão curta”
Presidente dos Estados Unidos admite que campanha militar no Irã está perto do fim, mas descartou cessar ataques até que "o inimigo seja decisivamente derrotado"
Diante de um grupo de republicanos reunidos em seu clube de golfe em Doral (Flórida), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou a guerra contra o Irã como “excursão de curto prazo”, pouco depois de afirmar que os combates estariam perto do fim.
“Fizemos uma pequena incursão, porque sentimos que tínhamos que fazê-lo para nos livrarmos de algumas pessoas. E acho que vocês verão uma excursão de curto prazo. Como bons são nossos militares, não é? Curto prazo!”, declarou.
Paradoxalmente, o titular da Casa Branca afirmou que pretende obter um “triunfo definitivo contra Teerã” e avisou: “Os EUA não cessarão até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”. No início da noite desta segunda-feira (9/3), Trump marcou presença em uma entrevista coletiva, durante a qual disse que a chamada “Operação Fúria Épica” entrará como um “grande momento” para a história. “Nós varremos cada força única no Irã”, assegurou, ao acusar o regime iraniano de atacar os americanos e de espalhar o terror durante 47 anos.
Com o mercado mundial pressionado pela guerra, o presidente norte-americano anunciou que levantará restrições mantidas por Washington ao setor petrolífero. “Estamos levantando certas sanções relacionadas ao petróleo para reduzir os preços”, disse Trump. “Vamos retirar essas sanções até que isso se resolva”, acrescentou, sem especificar a que países se referia.
Ele aproveitou para fazer um balanço do progresso militar no front iraniano e estimou que a capacidade de Teerã de lançar mísseis caiu para menos de 10%, “talvez menos”, enquanto a habilidade de enviar drones com explosivos despencou 83 pontos percentuais. “Nós atingimos cerca de 5 mil alvos hoje, alguns deles, grandes alvos. Levará muitos anos para que eles possam se reconstruir”, comentou.
O presidente alertou que atingirá o Irã “muito, muito duro”, caso o país persa interrompa o fornecimento de petróleo para o exterior. “Não vou permitir que um regime terrorista mantenha o mundo como refém e tente interromper a oferta mundial de petróleo. E se o Irã fizer algo nesse sentido, serão atingidos muito, muito duramente.”
Em entrevista publicada pelo jornal The New York Post, Trump admitiu que “não está feliz” com a nomeação do aiatolá Mojtaba Khamenei para o posto de líder supremo do Irã, ocupando o posto do pai, aiatolá Ali Khamenei, eliminado durante bombardeio, em 28 de fevereiro. À emissora CBS News, destacou que a guerra está “praticamente encerrada”, ao avaliar que o Irã não tem mais “Marinha”, nem “comunicações”, “nem força aérea”.
Trump revelou que “considera assumir o controle do Estreito de Ormuz”, canal por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, reagiu e garantiu que o estreito permanecerá “intransitável” enquanto durar a guerra. Sobre a escolha de Mojtaba, o presidente dos EUA disse: “Acho que eles (iranianos) cometeram um grande erro; não sei se isso vai durar”. O homólogo russo, Vladimir Putin, proclamou seu “apoio inabalável” a Mojtaba.
No campo de batalha, os iranianos mantêm ataques ao arquiinimigo Israel. Um míssil atingiu a região central do Estado judeu, matando uma pessoa e ferindo duas. Os sistemas de defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interceptaram, no espaço aéreo da Turquia, um míssil balístico disparado a partir do Irã. “Apesar de nossas advertências claras, medidas equivocadas e provocativas continuam sendo tomadas, colocando em risco a amizade da Turquia”, alertou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que prometeu tomar medidas necessárias para proteger o seu país.