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Cientistas fazem descoberta histórica: um tubarão de 399 anos, nascido em 1627 foi localizado no Oceano Ártico
A idade de um tubarão encontrado no Ártico chamou atenção de pesquisadores
Um tubarão da Groenlândia com cerca de 399 anos foi identificado por pesquisadores internacionais nas águas geladas do Oceano Ártico, reacendendo o fascínio da comunidade científica pela vida selvagem marinha. O animal, que teria nascido por volta de 1627, durante o período colonial nas Américas, é considerado o vertebrado mais longevo já registrado e representa um marco nos estudos sobre biodiversidade e conservação de espécies marinhas.
Como os cientistas descobriram a idade desse tubarão de 399 anos?
A estimativa de idade do tubarão da Groenlândia foi possível graças a uma técnica sofisticada de datação por radiocarbono aplicada ao cristalino dos olhos do animal. Esse tecido ocular não se regenera após o nascimento, o que permite calcular o tempo de vida por meio da comparação dos níveis de carbono presentes na estrutura.
A pesquisa analisou 28 exemplares de tubarões da Groenlândia capturados de forma incidental por pescadores e foi publicada na renomada revista Science. O maior espécime estudado, uma fêmea com mais de cinco metros de comprimento, apresentou idade estimada de 399 anos, com uma margem de erro que coloca seu nascimento próximo ao ano de 1627. A partir desses dados, o tubarão da Groenlândia passou a ser reconhecido como o vertebrado com maior expectativa de vida conhecida pela ciência.
Quais características tornam o tubarão de 399 anos tão longevo?
A longevidade extraordinária dessa espécie está diretamente ligada ao seu metabolismo extremamente lento e ao habitat em águas profundas e geladas. O Somniosus microcephalus, nome científico que significa “sonolento de cabeça pequena”, é um dos predadores mais lentos do oceano, nadando a cerca de 34 centímetros por segundo. Essa economia de energia contribui para que seus processos biológicos ocorram em ritmo drasticamente reduzido.
Entre os fatores que explicam a sobrevivência desse tubarão por quase quatro séculos, destacam-se:

Onde esse tubarão vive e por que é tão difícil de encontrar?
O tubarão da Groenlândia habita o Atlântico Norte e o alto Ártico, podendo ser encontrado em profundidades de até 2.200 metros. Esse habitat remoto e de difícil acesso explica por que a espécie permanece cercada de mistérios para biólogos marinhos e pesquisadores da vida selvagem. A primeira filmagem conhecida desse tubarão em seu ambiente natural ocorreu apenas em 1995.
Apesar do nome sugerir uma distribuição geográfica restrita, avistamentos recentes ampliaram a compreensão sobre a área de ocorrência dessa espécie. Pesquisadores já registraram exemplares no Caribe e, mais recentemente, um tubarão dorminhoco foi filmado a 490 metros de profundidade nas proximidades das Ilhas Shetland do Sul, na Antártida. Esses registros sugerem que a fauna das profundezas oceânicas pode ter uma distribuição muito mais ampla do que se imaginava.

O que o genoma desse tubarão pode revelar sobre longevidade animal?
Estudos genéticos recentes trouxeram descobertas fascinantes sobre os mecanismos biológicos do tubarão da Groenlândia. Pesquisadores identificaram que mais de 70% do genoma da espécie é composto por elementos transponíveis, conhecidos como “genes saltarines”, que possuem a capacidade de se mover e duplicar dentro do DNA.
Ao contrário do que ocorre na maioria dos vertebrados, esses elementos parecem fortalecer os mecanismos de reparação do DNA no tubarão, em vez de causar mutações prejudiciais. As implicações dessa descoberta vão além da biologia marinha e podem contribuir para avanços em pesquisas sobre envelhecimento e conservação de espécies ameaçadas. Entre os pontos mais relevantes do estudo genômico estão:

Por que a conservação do tubarão da Groenlândia é urgente para a vida selvagem?
A população de tubarões da Groenlândia está diminuindo devido à pesca incidental, poluição e mudanças climáticas, sendo classificada como espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Com uma reprodução extremamente lenta e maturidade que leva mais de um século, qualquer perda populacional representa um impacto devastador para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
A descoberta de um tubarão nascido em 1627 reforça a urgência de proteger os habitats oceânicos profundos e investir em pesquisas sobre biodiversidade marinha. Esse animal atravessou quase quatro séculos de história humana, sobrevivendo a transformações drásticas nos oceanos, e sua existência é um testemunho vivo da resiliência da vida selvagem. Preservar espécies como o tubarão da Groenlândia é essencial para manter a saúde dos ecossistemas aquáticos e garantir que futuras gerações possam conhecer as criaturas mais extraordinárias do planeta.