Rio
R$ 25 por caminhão: o esquema de lixões do CV em Duque de Caxias
Segundo a polícia, o Comando Vermelho cobrava pelo acesso às áreas usadas como depósito clandestino
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu duas pessoas em flagrante e cumpriu 86 mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (13) durante operação contra uma organização criminosa dedicada ao descarte ilegal de lixo em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ação foi conduzida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).
As investigações apontam que o grupo cobrava apenas R$ 25 por caminhão para aceitar resíduos em áreas clandestinas, enquanto o descarte regular custaria cerca de R$ 654 por viagem até o aterro mais próximo, a 70 km de distância. A economia gerada pelo esquema seria o principal atrativo para empresas que buscavam reduzir custos operacionais com descarte irregular.
CV facilitava acesso a lixões clandestinos em Caxias
Segundo o levantamento policial, há indícios de ligação entre os responsáveis pelo esquema e a facção Comando Vermelho, que teria cobrado pelo acesso às áreas usadas como depósito clandestino e favorecido a continuidade das atividades ilegais.
Os mandados foram distribuídos em dez municípios do estado, incluindo a capital, Duque de Caxias, Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes, além de São Lourenço, em Minas Gerais.
Durante as diligências, os agentes constataram um fluxo sistemático de caminhões despejando resíduos de forma ilegal, com abertura de acessos improvisados e avanço sobre áreas de manguezal, ecossistema sob proteção ambiental. Ao todo, quatro pontos de descarte irregular foram identificados na mesma região de Jardim Gramacho.
Área licenciada usada fora dos limites permitidos
Um Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) já existente na localidade também foi alvo das investigações. Peritos criminais constataram que o local recebia resíduos fora da área licenciada, além de lixo doméstico, para o qual não estava autorizado.
O mapeamento do esquema envolveu monitoramento territorial, análise de imagens históricas, vigilância encoberta e levantamentos técnicos ambientais. Com esse trabalho, a polícia conseguiu identificar os veículos usados nos crimes, seus proprietários e os vínculos empresariais do grupo. A operação desta sexta-feira tem como objetivo desarticular toda a estrutura responsável pela expansão dos lixões clandestinos na região.