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As 21 ilhas vulcânicas brasileiras no arquipélago onde golfinhos aparecem em 95% dos dias do ano
As 21 ilhas vulcânicas e golfinhos quase o ano todo em arquipélago brasileiro.
Na Baía dos Golfinhos, centenas de golfinhos-rotadores entram ao amanhecer para descansar, se reproduzir e exibir saltos com até sete giros no próprio eixo. O fenômeno se repete quase todos os dias, sendo hoje o ponto de observação mais regular da espécie no planeta. Quem assiste ao espetáculo está em nas ilhas vulcânicas de Fernando de Noronha, distrito de Pernambuco e Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO desde 2001.
De capitania de Fernão de Loronha a santuário marinho
O arquipélago foi avistado em 1503 durante a expedição de Gonçalo Coelho, com o navegador Américo Vespúcio a bordo. As ilhas foram doadas ao financiador da viagem, o fidalgo português Fernão de Loronha, cuja grafia acabou batizando o lugar. Nos séculos seguintes, franceses e holandeses disputaram o território, e fortalezas como o Forte de Nossa Senhora dos Remédios foram erguidas para defender a posição no Atlântico Sul.
Em 1938, o arquipélago virou presídio político. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma base americana se instalou próximo à Baía do Sueste para operações no Atlântico. Só em 1988 nasceu o Parque Nacional Marinho, protegendo 70% do território. O naturalista Charles Darwin já havia descrito a ilha em 1832, durante a expedição do HMS Beagle.

O que visitar no arquipélago além das praias?
O Mar de Dentro, voltado para o Brasil, concentra 11 praias. O Mar de Fora, voltado para a África, guarda outras quatro. Atividades vão do mergulho profundo à contemplação histórica.
- Baía do Sancho: eleita diversas vezes a melhor praia do mundo pelo TripAdvisor. O acesso se dá por uma escadaria cravada nas falésias. Entre fevereiro e junho, cachoeiras temporárias descem das rochas direto no mar.
- Baía dos Porcos: pequena e sem estrutura, com vista direta para o Morro Dois Irmãos. Piscinas naturais se formam na maré baixa.
- Praia do Leão: principal ponto de desova de tartarugas marinhas no arquipélago, monitorado pelo Projeto Tamar.
- Trilha da Atalaia: leva a uma piscina natural rasa com visibilidade impressionante, funcionando como aquário a céu aberto. O acesso é controlado e limitado por dia.
- Forte dos Remédios: principal construção histórica de Noronha, com mirante privilegiado para o pôr do sol.
Contemple a beleza indescritível do santuário ecológico mais famoso do Brasil. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com quase 200 mil inscritos, e apresenta as praias mais icônicas de Fernando de Noronha, com destaque para a Baía do Sancho e a Baía dos Porcos:
Mergulho em águas com até 50 metros de visibilidade
A Corrente Sul Equatorial empurra água quente da África até o arquipélago, mantendo a temperatura em torno de 26°C o ano inteiro. Isso permite mergulhos entre 12 e 60 metros de profundidade sem roupa de neoprene. A Corveta Ipiranga, afundada intencionalmente, repousa a 62 metros e é um dos pontos mais procurados por mergulhadores credenciados.
Para iniciantes, o batismo de mergulho acontece em áreas mais rasas. O planasub, modalidade em que o visitante é puxado por um barco segurando uma prancha submersa, é outra forma de explorar a fauna marinha. São mais de 230 espécies de peixes e 15 de corais catalogados nas águas do arquipélago.

Golfinhos-rotadores e tartarugas dividem o cenário
O Projeto Golfinho Rotador, criado em 1990, monitora os cetáceos que frequentam a baía. Grupos de até 2 mil indivíduos já foram registrados entrando na enseada em um único dia. O mirante da Baía dos Golfinhos é o ponto de observação, já que o banho e o mergulho são proibidos nesse trecho.
O Projeto Tamar mantém um centro de visitação onde é possível acompanhar pesquisas sobre tartarugas marinhas. A Praia do Leão e a Praia do Sueste são os principais pontos de desova. Fernando de Noronha abriga também o único manguezal oceânico do Atlântico Sul, um ecossistema raro que funciona como berçário para diversas espécies.
Quanto custa entrar no arquipélago?
Todo visitante paga duas taxas. A Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada por dia de permanência, começa em R$ 105,79 por dia em 2026. O valor é progressivo: quanto mais dias, maior o custo total. O pagamento pode ser feito online, no site oficial do Governo de Pernambuco.
O ingresso do Parque Nacional Marinho, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), custa R$ 192 para brasileiros e R$ 384 para estrangeiros, com validade de 10 dias. Ele dá acesso às praias, trilhas e piscinas naturais dentro da área protegida. Crianças abaixo de 5 anos são isentas da TPA.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O arquipélago tem clima tropical oceânico com duas estações bem definidas. A temperatura da água permanece em torno de 26°C durante todo o ano.
Temperaturas aproximadas. A estação seca oferece melhor visibilidade subaquática. A chuvosa atrai surfistas pelas ondas maiores no Mar de Dentro.
Como chegar ao arquipélago mais isolado do Brasil?
O acesso é exclusivamente aéreo. Voos diários partem de Recife (1h20) e Natal (cerca de 1h). Há também voos de São Paulo (Guarulhos) em alguns dias da semana. As companhias Azul, Gol e Latam operam rotas para o Aeroporto Governador Carlos Wilson. Na ilha, a locomoção se faz por buggy, táxi ou pela BR-363, a única rodovia federal em ilha oceânica do país, com 7 km de extensão.
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O paraíso que exige planejamento e recompensa com o inesquecível
Fernando de Noronha cobra caro pela entrada e retribui com o que poucas costas do mundo ainda oferecem: águas onde se enxerga o fundo a dezenas de metros, praias guardadas por falésias vulcânicas e uma fauna marinha que convive de perto com quem a respeita.
Você precisa pisar nesse arquipélago ao menos uma vez, assistir aos golfinhos ao amanhecer e entender por que tanta proteção faz tanto sentido.