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A “Cidade dos Diamantes” impressiona com preservação do Brasil Império e oferece uma verdadeira viagem histórica
Patrimônio do Brasil Império e turismo histórico em um só lugar.
No alto da Serra do Espinhaço, a 1.280 metros de altitude, casarões coloridos do século XVIII emolduram ruas de pedra onde a música ecoa sem precisar de amplificadores. Diamantina, a 292 km de Belo Horizonte, é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 1999, berço de Juscelino Kubitschek e da lendária Chica da Silva, e a única “Cidade dos Diamantes” histórica de Minas Gerais onde músicos ainda tocam das janelas para quem escuta na rua.
Do Tejuco dos diamantes ao Patrimônio da Humanidade
Diamantina foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII. O antigo Arraial do Tejuco enriqueceu a Coroa Portuguesa e moldou uma cidade diferente das demais: a corrida pelo diamante desfavoreceu a formação de uma praça central de poder, resultando em um casario sóbrio e homogêneo que o IPHAN tombou em 1938 e a UNESCO reconheceu em 1999.
A arquitetura civil preserva fachadas geometrizadas e muxarabis (treliças de madeira nas janelas) de influência árabe, raridade no Brasil. O Passadiço da Glória, estrutura suspensa que conecta dois casarões sobre a rua, foi construído para que as freiras do Educandário Feminino atravessassem sem serem “expostas” ao público. Hoje pertence à UFMG e é um dos ícones da cidade.

O que fazer entre serestas e cachoeiras?
Diamantina combina patrimônio colonial, musicalidade e natureza da Serra do Espinhaço em um roteiro que vai da rua de pedra à cachoeira em questão de minutos.
- Vesperata: concerto ao ar livre em que músicos da banda militar e da sinfônica tocam das sacadas e janelas dos casarões da Rua da Quitanda, enquanto o maestro rege do meio da rua cercado pelo público. Acontece quinzenalmente na temporada seca (abril a outubro).
- Casa de Juscelino Kubitschek: museu instalado na casa de pau a pique onde JK viveu a infância. Acervo com objetos pessoais e documentos da trajetória do presidente que construiu Brasília.
- Casa da Chica da Silva: casarão onde viveu a escrava alforriada Francisca da Silva de Oliveira, companheira do contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, um dos homens mais ricos do Brasil colonial.
- Mercado Velho (Mercado dos Tropeiros): estrutura de madeira em arco do século XIX. Aos sábados, feira de artesanato, quitandas, cachaças e queijos do Serro.
- Caminho dos Escravos: trecho calçado da Estrada Real com vistas panorâmicas e contato direto com a história da mineração.
- Parque Estadual do Biribiri: a 15 km do centro, com cachoeiras de águas cristalinas (Sentinela, Cristais, Fadas) e a bucólica vila de Biribiri, antiga sede de uma fábrica de tecidos.
O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com cerca de 200 mil inscritos, e apresenta um roteiro de 4 dias por Diamantina, visitando o centro histórico tombado pela UNESCO, o Parque Estadual do Biribiri e as rotas de produção artesanal:
Pastel de angu e frango ao molho pardo
A gastronomia une a tradição do norte mineiro com ingredientes do Cerrado. O Mercado Velho e os restaurantes em casarões do centro histórico são os melhores endereços.
- Pastel de angu: massa de fubá recheada com carne moída, frita na hora. Especialidade do Mercado Velho.
- Frango ao molho pardo: prato clássico mineiro, servido com angu e couve refogada.
- Feijão tropeiro e ora-pro-nóbis: dupla presente em praticamente todos os restaurantes regionais.
- Doces de leite e queijos artesanais: produção caseira do Vale do Jequitinhonha, com destaque para o queijo do Serro.

Quando a música soa melhor nas ruas de pedra?
A altitude garante noites frescas mesmo no verão. O inverno é seco e frio, ideal para Vesperatas e caminhadas. O verão é chuvoso, mas perfeito para as cachoeiras do Biribiri.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao alto da Serra do Espinhaço?
Diamantina fica a 292 km de Belo Horizonte pela BR-259 e BR-367, cerca de 5h de carro. Ônibus partem da rodoviária de BH com frequência diária. A cidade integra a Estrada Real e pode ser combinada com visitas ao Serro e a Milho Verde. O aeroporto mais próximo é o de Confins, na capital mineira.
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A cidade onde as janelas são camarotes
Diamantina é mais do que um museu a céu aberto. É um palco vivo onde casarões do século XVIII viram camarotes, ruas de pedra viram auditórios e a Serra do Espinhaço entrega cachoeiras de água cristalina a poucos quilômetros do centro histórico tombado. A cidade que enriqueceu a Coroa Portuguesa com diamantes hoje enriquece quem a visita com música, história e a hospitalidade do interior de Minas.
Você precisa assistir a uma Vesperata sob as estrelas, caminhar pelo calçamento pé de moleque e sentir por que o antigo Tejuco continua brilhando sem precisar de diamantes.