No Nepal, homens desafiam penhascos imensos para colher um mel raro que pode intoxicar - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

No Nepal, homens desafiam penhascos imensos para colher um mel raro que pode intoxicar

Caçadores Gurung enfrentam penhascos e enxames gigantes para alcançar uma substância valorizada tanto pelo fascínio quanto pelos efeitos no corpo

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
No Nepal, homens desafiam penhascos imensos para colher um mel raro que pode intoxicar
No Nepal, homens desafiam penhascos imensos para colher um mel raro que pode intoxicar

Nas encostas verticais do Himalaia, no interior do Nepal, ocorre uma colheita que mistura risco físico, conhecimento ambiental e mercado global. Trata-se do chamado mel louco do Nepal, conhecido internacionalmente como mad honey, produto famoso por seus possíveis efeitos psicoativos, pelo potencial de intoxicação e pelo papel cultural entre comunidades de montanha.

O que é o mel louco do Nepal e como ele é produzido?

Esse mel é produzido principalmente pela espécie Apis laboriosa, uma abelha de montanha que constrói colmeias expostas em falésias altas. Em vez de caixas de madeira em campos planos, as colmeias ficam aderidas à rocha, formando discos grandes e visíveis à distância.

Para alcançar esses favos, grupos locais acessam paredões quase sem apoio, usando técnicas tradicionais de escalada com cordas e estruturas simples. O processo revela uma relação antiga entre seres humanos, abelhas e a paisagem de altitude, hoje também pressionada por mudanças climáticas e redução de habitats.

No Nepal, homens desafiam penhascos imensos para colher um mel raro que pode intoxicar
Em meio à fumaça, ao vazio e às abelhas, uma substância rara transforma a colheita em algo hipnótico

Por que o mel louco do Nepal é considerado um mel psicoativo?

O elemento central que diferencia o mel louco do Nepal dos demais está nas plantas que fornecem o néctar. Em áreas de montanha do Nepal, são comuns rododendros cujas flores contêm grayanotoxinas, compostos que interferem na condução elétrica do coração e no funcionamento do sistema nervoso.

Quando a Apis laboriosa coleta o néctar dessas flores, parte dessas toxinas segue para o mel, gerando um produto descrito como mel psicoativo ou intoxicante. Estudos recentes investigam se, em doses rigorosamente controladas, esses compostos poderiam ter algum uso terapêutico, embora ainda não haja consenso científico.

Quais são os principais riscos do consumo do mel louco do Nepal?

O consumo do mel louco do Nepal está relacionado a uma série de sintomas já descritos em estudos e relatos médicos. A intensidade varia conforme a concentração de grayanotoxinas no lote, a quantidade ingerida e características individuais, como idade e presença de doenças cardíacas.

Entre os efeitos mais mencionados, destacam-se manifestações que vão de desconforto leve a quadros que exigem atendimento de urgência, especialmente em pessoas sensíveis ou que exageram na dose. Entre os sintomas relatados com maior frequência estão:

  • Mal-estar súbito, com sensação de fraqueza intensa;
  • Tontura, instabilidade ao caminhar e visão embaçada;
  • Náusea e vômitos pouco tempo depois da ingestão;
  • Queda significativa da pressão arterial;
  • Bradicardia, com batimentos cardíacos bem abaixo do normal;
  • Em alguns casos, alterações neurológicas e complicações cardiovasculares.

Esses efeitos levam muitos pesquisadores a preferirem o termo “mel intoxicante” em vez de “mel alucinógeno”. Como a fronteira entre uma quantidade tolerável e uma dose perigosa é estreita, não há consumo considerado seguro, sobretudo fora de contextos tradicionais bem conhecedores da substância.

Como é feita a colheita em penhascos pelos caçadores Gurung?

A extração do mel louco do Nepal está fortemente ligada ao povo Gurung, presente em vilarejos montanhosos do país. Em determinados períodos do ano, grupos organizam expedições para paredões onde as colmeias de Apis laboriosa se concentram, combinando técnica de escalada e conhecimento sobre o comportamento das abelhas.

O trabalho segue uma sequência coordenada de ações, na qual cada integrante tem uma função específica que contribui para a segurança relativa da equipe:

EtapaComo é realizadaObjetivo
Reconhecimento das falésiasCaçadores identificam penhascos com colmeias ativas de Apis laboriosa.Escolher locais seguros e produtivos para a coleta.
Instalação das escadasEscadas de corda e bambu são fixadas no topo da rocha.Criar acesso vertical até as colmeias.
Descida do caçadorUm membro experiente desce suspenso com cestos e ferramentas.Alcançar diretamente os favos na parede do penhasco.
Produção de fumaçaIntegrantes acima produzem fumaça para dispersar parte das abelhas.Reduzir ataques durante a extração.
Corte dos favosOs favos são cortados e colocados em cestos.Coletar o mel e outros produtos da colmeia.
Envio e retiradaOs cestos são puxados por cordas enquanto a equipe se retira.Transportar o mel com segurança e encerrar a coleta.

Essa rotina envolve alturas grandes, clima variável, risco de queda e inúmeras picadas de abelha. Mesmo assim, famílias Gurung continuam a ensinar essas técnicas às novas gerações, vendo a atividade como identidade cultural e complemento de renda.

Nas falésias do Himalaia, caçadores tradicionais do Nepal escalam penhascos gigantes para coletar um mel raro conhecido como mad honey. Produzido por abelhas de montanha e associado a efeitos intoxicantes, esse mel transformou a colheita em uma das práticas mais arriscadas do mundo.

Conteúdo do canal Dr. Samuel Dalle Laste, com mais de 2.2 milhões de inscritos e cerca de 946 mil de visualizações, explorando curiosidades do mundo, tradições impressionantes e histórias reais que mostram práticas pouco conhecidas da natureza:

Por que o mad honey é raro e valorizado no mercado global?

A combinação de risco, limitação geográfica e sazonalidade faz com que o mel louco do Nepal chegue ao mercado em volumes reduzidos. Para que o mel tenha teor relevante de grayanotoxinas, é necessário que as abelhas tenham acesso a rododendros específicos em plena floração, o que ocorre apenas em janelas curtas do ano.

No comércio internacional, frascos de mad honey do Nepal aparecem em sites especializados e lojas de produtos exóticos, com preço elevado para pequenas quantidades. Entre os fatores que influenciam esses valores estão origem certificada, logística difícil em áreas remotas e forte apelo de marketing.

Qual é o papel do mel louco do Nepal entre tradição, ciência e mercado?

O mel louco do Nepal se insere em um cenário em que práticas tradicionais chamam atenção de pesquisadores, cineastas e compradores estrangeiros. Documentários recentes destacam o modo de vida dos caçadores Gurung, as paisagens de rochedo e o papel dessa atividade nas comunidades de montanha.

Ao mesmo tempo, estudos em toxicologia e cardiologia analisam os efeitos das grayanotoxinas e buscam melhores formas de manejo clínico em casos de intoxicação. Nas montanhas do Nepal, esse mel funciona como ponto de encontro entre ambiente extremo, economia de pequena escala e memória coletiva, reforçando a necessidade de uso responsável de uma substância que desperta curiosidade e pode causar consequências importantes ao corpo humano.