Brasil
Conflito Irã-EUA eleva petróleo e ameaça economia global, diz especialista
Especialista alerta que conflito fecha rota do petróleo, pressiona preços globais e pode encarecer produtos no Brasil. "Preocupação é muito grande", afirma
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, já deixou pelo menos duas mil pessoas mortas em todo o Oriente Médio. Além disso, o conflito resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, que é a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico.
Nesta quarta-feira (18), em um comunicado conjunto, governos de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão afirmaram que vão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia, após o preço do petróleo disparar com os novos ataques.
A interrupção da navegação pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo. Segundo especialistas, os efeitos do conflito já podem ser sentidos nas próximas semanas no preço final para o consumidor.
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O economista Paulo Edgar Melo, ex-professor universitário, explica o impacto causado pela guerra na economia do Brasil. “Isso vai pressionar diretamente o preço dos combustíveis. Por conseguinte, aumento de fertilizantes, aumento da alimentação, o frete e os juros. No Brasil, os efeitos vão ser diretos mesmo sobre a inflação no agronegócio.
“A redução tem que ser feita de forma cautelosa para evitar o aumento da demanda, ou seja, o aumento da procura em relação à oferta. Isso também vai acabar gerando inflação”, afirma.
O Oriente Médio é a fonte de 30% do petróleo e de 17% do gás natural do mundo. Paulo ressalta também o impacto no preço direto do combustível para o consumidor, e aponta algumas preocupações.
“Nós estamos hoje à beira de uma paralisação praticamente da frota de caminhões, em função do aumento absurdo que houve do combustível. Então, por exemplo, hoje fui abastecer meu carro e no posto onde eu abasteço não tinha gasolina. O caminhão não chegou. Então, isso aí é preocupante. Vai começar a faltar muitas coisas. Vai começar a ter falta nos supermercados, vai ter uma série de problemas. Sinceramente, a minha preocupação é muito grande.”
Além disso, os países da região são grandes consumidores da agropecuária e de commodities brasileiras. Apenas em 2025, o Brasil exportou mais de 16 bilhões de dólares em produtos para a região.