Rio
Águas do Rio inicia megaobras na Maré com R$ 120 milhões e tecnologia inédita
R$ 120 mi em obras na Maré prometem saneamento básico, água e dignidade para 200 mil
A transformação no saneamento básico da Maré, maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro, está prestes a mudar a vida de cerca de 200 mil pessoas. A Águas do Rio, parte do grupo Aegea, iniciou um plano robusto para levar infraestrutura sanitária a uma região que cresceu por décadas sem planejamento, onde esgoto a céu aberto comprometia a saúde dos moradores.
O projeto, que deve durar dois anos, prevê a construção de um tronco coletor de 4,5 quilômetros de extensão e 1,5 metro de diâmetro, que passará a até 11 metros de profundidade sob a conhecida Rua Principal. Esta nova tubulação tem como objetivo interceptar o esgoto que hoje é despejado em valões, canais e rios locais, com destino final na Baía de Guanabara.
Além da estrutura central, a iniciativa inclui a implementação de outros 18 quilômetros de redes de esgoto, dos quais dois já foram concluídos. Essas tubulações secundárias serão responsáveis por conectar residências e estabelecimentos comerciais ao coletor principal, eliminando os extravasamentos, os valões abertos, a proliferação de vetores de doenças e o mau cheiro que há décadas afetam a rotina da comunidade.
Uma parte crucial do trabalho visa a recuperação do Rio Ramos, atualmente poluído por milhões de litros de esgoto diários das casas em suas margens. O plano prevê a interligação dessas moradias à nova rede de saneamento, desviando os efluentes para tratamento e impedindo sua descarga direta no curso d’água.
Esgoto da Maré terá tratamento na ETE Alegria
Todo o esgoto coletado no Complexo da Maré será encaminhado à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Caju, considerada a maior do estado. Com a conclusão das intervenções, cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto deixarão de ser lançados mensalmente na Baía de Guanabara, o equivalente ao volume de 520 piscinas olímpicas, representando um ganho ambiental significativo para o Rio de Janeiro. O investimento total na obra é de R$ 120 milhões.
Para minimizar o impacto na rotina dos residentes, a instalação do tronco coletor na Rua Principal será realizada com uma metodologia não destrutiva. Equipamentos conhecidos como “tatuzinhos”, quatro no total e de tamanhos variados, atuarão simultaneamente, escavando o subsolo e instalando a tubulação ao mesmo tempo.
Esse processo evita a necessidade de abrir grandes valas ou bloquear ruas inteiras, limitando a intervenção a pequenos canteiros de obra. A abordagem promete ser mais rápida, eficiente e com menos transtornos para os moradores durante o período das obras.
Para Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio, a iniciativa marca um momento histórico. “Estamos diante de um ponto de inflexão na história do saneamento do Rio”, afirmou. Ele acrescentou que as obras “representam a democratização da qualidade de vida, da saúde e da dignidade para 200 mil pessoas”. Leal também destacou que a empresa priorizará a contratação de moradores da própria Maré para atuar nas equipes do projeto.
Melhorias também para o abastecimento de água
Em paralelo às obras de esgotamento sanitário, o sistema de abastecimento de água na Maré passará por um processo de modernização para otimizar o fornecimento. Através do programa “Vem Com a Gente”, equipes operacionais já estão dedicadas à implantação de novas redes hídricas e à regularização do abastecimento em cerca de 60 mil residências e comércios.
Este trabalho inclui ainda vistorias detalhadas em busca de vazamentos, com o objetivo de repará-los prontamente e garantir a eficiência do sistema.
A concessionária também implementará a setorização do sistema de água. Serão instalados sete macromedidores em pontos estratégicos das tubulações para controlar o volume de água que chega ao complexo, além de 40 novos registros. Essa medida visa aumentar a eficiência da distribuição e a segurança operacional.
Na prática, a setorização permitirá que, em situações de manutenção, a Águas do Rio possa isolar trechos específicos da rede, minimizando o número de pessoas afetadas por suspensões temporárias no fornecimento.
As obras na Maré são encaradas não apenas como avanços de infraestrutura, mas como um motor de transformação social. A Águas do Rio investe na contratação de pessoas da própria localidade, ampliando as oportunidades para quem conhece de perto a realidade do território. Metade dos 10,8 mil funcionários diretos e indiretos da empresa já reside em comunidades, refletindo essa cultura.
Adicionalmente, a concessionária estenderá suas iniciativas de Responsabilidade Social ao complexo. O programa “Saúde Nota 10”, por exemplo, utilizará atividades lúdicas para abordar temas como sustentabilidade e preservação ambiental. O projeto será aplicado nas 54 escolas da Maré, envolvendo estudantes, jovens e educadores em experiências práticas sobre o uso da água e o tratamento de esgoto.
A empresa também manterá um diálogo contínuo com as lideranças comunitárias por meio do programa “Afluentes”, fortalecendo a integração com o território.
Nos últimos quatro anos, a Águas do Rio já destinou R$ 5,5 bilhões a melhorias em sistemas de água e esgoto nas 27 cidades onde opera. As intervenções em andamento na Maré representam um novo estágio nesse compromisso. A empresa projeta investimentos de R$ 19 bilhões até 2033, visando a universalização da coleta e tratamento de esgoto em sua área de atuação, com R$ 2,7 bilhões direcionados especificamente para a região da Baía de Guanabara.