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A praia eleita 7 vezes a melhor do mundo só aceita 246 visitantes por dia e se torna disputa no Brasil para visitar
Acesso limitado transforma praia premiada em um dos destinos mais disputados do país.
Para pisar na areia da Baía do Sancho, o visitante desce uma escadaria de metal encravada numa fenda entre falésias. Não há quiosques, ambulantes nem guarda-sóis. Do topo, a água alterna entre verde-esmeralda e azul-turquesa. Fernando de Noronha, a 354 km do litoral de Pernambuco, é a praia eleita Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO desde 2001 e referência mundial em turismo controlado.
21 ilhas vulcânicas no meio do Atlântico
O arquipélago brotou do topo de uma cordilheira vulcânica submersa. São 21 ilhas e ilhotas, mas apenas a principal, com 17 km², é habitada. Cerca de 70% do território é protegido pelo Parque Nacional Marinho, criado em 1988 e gerido pelo ICMBio. Os outros 30% formam a Área de Proteção Ambiental (APA), administrada pelo governo de Pernambuco.
A história remonta ao século XVI, quando navegadores europeus disputavam as ilhas. Entre os séculos XVII e XVIII, dez fortificações foram erguidas para proteger o arquipélago. A Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios, de 1737, é a mais imponente e oferece vista panorâmica para o pôr do sol. A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, de 1772, e as ruínas coloniais fazem de Noronha mais que cenário de praia: é também patrimônio histórico tombado pelo IPHAN.

A Baía do Sancho e as praias que disputam o título de mais bonitas do planeta
A Baía do Sancho venceu sete vezes o prêmio de melhor praia do mundo no TripAdvisor Travelers’ Choice, a mais recente em 2025. O acesso por terra exige descer 208 degraus na fenda da rocha. No período de chuvas, entre março e julho, duas cachoeiras temporárias descem das falésias direto sobre a areia. A visibilidade da água pode passar dos 30 metros.
As praias se dividem entre o “mar de dentro”, com águas calmas e voltadas para o continente, e o “mar de fora”, com ondas maiores e paisagens mais selvagens.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais entre rochas com vista para o Morro Dois Irmãos, cartão-postal do arquipélago.
- Cacimba do Padre: ondas fortes no inverno atraem surfistas. Fica aos pés dos Dois Irmãos.
- Praia do Leão: a mais selvagem da ilha, ponto de desova de tartarugas marinhas.
- Praia do Atalaia: piscina natural rasa que funciona como berçário de polvos e tubarões. Visitação limitada e agendada.
- Baía do Sueste: águas calmas com recifes de coral, tartarugas visíveis a olho nu durante o snorkel.
- Praia da Conceição: a mais acessível, com bar na areia e pôr do sol disputado.
Contemple o esplendor do arquipélago mais cobiçado do Brasil em imagens deslumbrantes. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com 242 mil inscritos, e detalha o que fazer em Fernando de Noronha, destacando a logística para a Baía do Sancho e o icônico Morro Dois Irmãos:
Golfinhos que aparecem todos os dias do ano
A Baía dos Golfinhos abriga a maior concentração de golfinhos-rotadores do Atlântico Sul. Quase 3 mil exemplares usam a enseada para descanso, reprodução e proteção. É proibido nadar com eles, mas do Mirante dos Golfinhos, no alto da falésia, é possível observá-los saltando ao amanhecer.
Além dos golfinhos, o arquipélago abriga cerca de 230 espécies de peixes, 15 de corais e mais de 10 tipos de tubarões. Tartarugas-verdes e tartarugas-de-pente escolhem as praias para desovar. Em 2020, pesquisadores encontraram quatro espécies de peixes ainda não descritas pela ciência. Noronha é um laboratório vivo onde a conservação funciona.
Mergulho em águas com visibilidade de 50 metros
A Corrente Sul Equatorial empurra água quente da África até o arquipélago, mantendo a temperatura entre 26°C e 28°C o ano todo. A visibilidade debaixo d’água pode chegar a 50 metros, dispensando roupa de mergulho. Para iniciantes, o snorkel no Sueste ou no naufrágio do Porto de Santo Antônio já impressiona. Para quem tem certificação, a Caverna da Sapata, a 20 metros de profundidade, e a Corveta Ipiranga, a 62 metros, são experiências de classe mundial.

Quanto custa entrar no paraíso?
Noronha cobra duas taxas. A Taxa de Preservação Ambiental (TPA) é obrigatória e calculada por dia de permanência, a partir de R$ 105,79. O ingresso do Parque Nacional Marinho custa R$ 192 para brasileiros e R$ 384 para estrangeiros, com validade de 10 dias. Sem ele, não se acessa Sancho, Atalaia, Sueste nem a Baía dos Porcos. O teto anual de visitantes é de 132 mil pessoas, acordo homologado pelo STF. Em 2024, o arquipélago recebeu 131.503 turistas de 111 países.
Quando ir para mergulhar com visibilidade máxima?
Noronha tem clima tropical oceânico, com temperatura estável em torno de 27°C o ano todo. A diferença está na chuva e nas condições do mar.
Temperaturas aproximadas. O período entre agosto e outubro oferece a melhor visibilidade para mergulho.

Como chegar ao arquipélago?
Voos regulares partem de Recife (1h10) e Natal (1h). Em 2025, a Azul inaugurou voos diretos de São Paulo/Guarulhos (cerca de 3h50). Ao desembarcar, o visitante paga a TPA no aeroporto. Para se locomover na ilha, buggy (R$ 180 a R$ 300/dia), táxi ou o ônibus circular atendem as principais praias e trilhas.
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O lugar onde o controle é a própria liberdade
Fernando de Noronha prova que limitar o acesso preserva o que justifica a visita. O mar continua cristalino porque a ilha não cedeu ao turismo de volume. Os golfinhos voltam toda manhã porque o silêncio foi protegido. A areia do Sancho segue sem quiosques porque alguém decidiu que a natureza vale mais que a conveniência.
Você precisa descer a escadaria da fenda, mergulhar na água transparente e entender por que esse pedaço de vulcão no meio do Atlântico foi eleito o melhor do mundo, de novo.