Entretenimento
Trocar figurinha era uma daquelas coisas simples que faziam a infância render o dia todo
Bastava abrir o pacotinho para começar a troca, a conversa e a animação da turma
As lembranças da infância costumam estar ligadas a pequenas tradições do dia a dia que, com o tempo, foram desaparecendo. Uma das mais marcantes para muita gente é a troca de figurinhas, prática que movimentava recreios, portas de escola e calçadas de bairro. Atualmente, em 2026, esse costume ainda existe em alguns lugares, mas com bem menos força do que nas décadas anteriores, especialmente diante das novas formas de entretenimento digital.
O que é a nostalgia de infância e por que ela é tão marcante?
A chamada nostalgia de infância faz com que muitos adultos recordem cenas com clareza: cadernos cheios de adesivos, álbuns temáticos e disputas amistosas pela figurinha rara. Essas lembranças funcionam como um elo afetivo com o passado, resgatando sensações de pertencimento e convivência.
Ao mesmo tempo, novas gerações crescem em um cenário diferente, com mais telas e menos encontros presenciais para brincar na rua ou na praça. Essa mudança gera comparação entre épocas e alimenta o desejo de resgatar, ao menos simbolicamente, certas experiências coletivas do passado.

Por que a troca de figurinhas marcou uma geração?
A troca de figurinha foi, por muitos anos, um dos principais rituais de socialização entre crianças. Não se tratava apenas de completar um álbum, mas de participar de uma comunidade com códigos, expressões e regras próprias compartilhadas entre colegas.
Em geral, a brincadeira seguia um roteiro simples: cada criança comprava pacotinhos, abria, separava as figurinhas que faltavam e as repetidas. Depois, em roda, começava a circulação: “tem, tem, não tem”, estimulando habilidades de comunicação, negociação, noção de valor e pequenas estratégias para conseguir a figurinha mais disputada.
Quais brincadeiras de rua quase não se veem mais hoje?
A troca de figurinhas é apenas um exemplo de hábitos infantis que perderam espaço ao longo dos anos. Muitas atividades comuns nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000 foram substituídas por jogos digitais, redes sociais e conteúdos em streaming acessados em celulares e tablets.
Essas brincadeiras tradicionais tinham em comum a presença física, o contato direto e a necessidade de combinar regras em grupo. Sem equipamentos sofisticados, a imaginação ocupava papel central, transformando qualquer espaço em cenário de brincadeira, como mostram alguns exemplos abaixo:
- Brincar na rua até anoitecer, reunindo várias crianças da vizinhança.
- Jogar bola na calçada ou na rua, usando tijolos, chinelos ou pedras como traves.
- Pular elástico ou amarelinha, desenhando o circuito com giz no chão.
- Soltar pipa em terrenos vazios ou campos abertos do bairro.
- Brincar de queimada, esconde-esconde e pega-pega em praças e quintais.
Conteúdo do canal Enaldinho, com mais de 45 milhões de inscritos e cerca de 7.7 milhões de visualizações, reunindo vídeos sobre nostalgia de infância, memórias afetivas e costumes antigos que ainda despertam carinho:
Por que a troca de figurinhas e outras brincadeiras diminuíram?
Vários fatores ajudam a explicar por que a troca de figurinha e outras tradições infantis se tornaram menos frequentes. Um dos principais é o avanço da tecnologia: com acesso cada vez mais cedo a celulares, tablets e computadores, muitas crianças passaram a dedicar mais tempo a jogos on-line, vídeos e redes sociais.
Além da tecnologia, influenciam esse cenário a rotina mais cheia, preocupações com segurança e mudanças nos espaços urbanos. No caso específico dos álbuns de figurinhas, o formato também mudou, com versões digitais e aplicativos que tentam reproduzir a sensação de colecionar, porém com menos contato direto entre as crianças.
A nostalgia de infância ainda encontra espaço em 2026?
A nostalgia de infância relacionada à troca de figurinhas e às brincadeiras de rua permanece forte entre adultos. Alguns voltam a colecionar álbuns em grandes eventos esportivos, como forma de relembrar a infância e de criar novas memórias com filhos, sobrinhos e alunos.
Embora o contexto atual seja diferente, iniciativas como feiras de trocas, dias temáticos sem telas e atividades coletivas em praças mostram que ainda existe espaço para esse tipo de convivência. Assim, antigas brincadeiras continuam presentes na memória e, em menor escala, no cotidiano, indicando que o desejo de pertencer a um grupo e criar laços permanece, mesmo adaptado à realidade de 2026.