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A maior cidade de Santa Catarina virou refúgio para quem quer fugir do calor com qualidade de vida
Entre conforto e desenvolvimento, se tornou um dos destinos mais procurados do Sul.
No alto do planalto serrano, a 900 metros de altitude, uma cidade fundada por tropeiros em 1766 preserva muros de pedra com mais de 200 anos, campos de araucárias que somem no horizonte e um jeito de viver que mistura chimarrão na praça com geada no pasto. Lages, a Princesa da Serra, é o maior município de Santa Catarina em extensão territorial (2.637 km²), berço do turismo rural brasileiro e porta de entrada para o inverno mais frio do sul do país.
Qualidade de vida com ar de cidade pequena
Lages tem cerca de 165 mil habitantes e IDH de 0,770, acima da média brasileira. A taxa de alfabetização para crianças de 6 a 14 anos é de 97,3%, segundo o IBGE. A cidade é referência regional em saúde, educação e comércio, atendendo toda a Serra Catarinense. O Hospital Tereza Ramos é referência hospitalar, e a Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) atrai estudantes do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Mesmo com infraestrutura de centro regional (shopping, universidades, aeroporto a 7 km), Lages mantém ritmo de cidade pequena. Bairros como Coral e Guarujá oferecem praças arborizadas e ciclovias. O Parque Jonas Ramos (conhecido como Tanque) funciona como ponto de encontro da cidade, com lago, pedalinhos e eventos culturais entre os pinheirais. O custo de vida é equilibrado para o padrão catarinense, com moradia mais acessível que no litoral.

Festa do Pinhão: 350 mil pessoas no inverno serrano
O evento mais aguardado do ano é a Festa Nacional do Pinhão, que atrai mais de 350 mil visitantes a cada edição. A festa celebra a gastronomia e a cultura serrana com shows nacionais, pratos à base de pinhão (entrevero, paçoca, doce de pinhão) e a tradição campeira dos rodeios crioulos e cavalgadas.
A Cavalgada da Integração, o Rodeio Crioulo Nacional e os leilões de gado de elite reforçam a identidade pecuarista da cidade. A gastronomia do dia a dia também reflete essa herança: churrasco na brasa, quirera, arroz carreteiro, charque e o tradicional café com pinhão torrado no inverno. O Mercado Público Municipal, revitalizado recentemente, reúne 40 boxes de produtos coloniais, vinhos de altitude e artesanato em lã e couro.
Lages é o berço do turismo rural. O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com 1,07 milhão de inscritos, explorando a Festa do Pinhão, a Catedral Diocesana e a cultura serrana.
Frio, geada e neve: o inverno que atrai turistas
Lages tem temperatura média anual de 16°C e é uma das cidades mais frias de Santa Catarina. No inverno, os termômetros marcam zero ou menos, com geadas frequentes que cobrem os campos de branco. Neve não é garantida todo ano, mas acontece com mais frequência do que em outras cidades do planalto.
A proximidade com São Joaquim (80 km) e Urubici (110 km) faz de Lages a base estratégica para quem quer vivenciar o inverno serrano sem abrir mão de infraestrutura urbana. A cidade sedia a Estação Inverno, iniciativa do governo estadual para promover turismo e economia na serra durante os meses mais frios, com eventos culturais e gastronômicos.

A cidade que já foi capital econômica de Santa Catarina
Lages nasceu como ponto de parada na rota dos tropeiros que levavam gado do Rio Grande do Sul a São Paulo. O bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo fundou o povoado em 1766, e a vila cresceu às margens do caminho das tropas. No auge da extração da araucária, no século XX, Lages era a capital econômica e política de Santa Catarina, com serrarias que abasteciam o país inteiro.
O ciclo da madeira acabou, mas a paisagem moldada por ele resistiu. Os campos nativos, os corredores de tropas cercados por muros de pedra e as fazendas centenárias da Coxilha Rica formam hoje um patrimônio histórico e cultural com mais de 1.136 km². Na década de 1980, essas fazendas abriram as portas para visitantes e criaram os primeiros hotéis-fazenda do Brasil, inaugurando o turismo rural no país.
O que conhecer na Princesa da Serra?
O roteiro de Lages mistura história, natureza e vida campeira.
- Coxilha Rica: região de campos preservados com corredores de tropas e muros de pedra de mais de 200 anos. Fazendas históricas oferecem cavalgadas, fogo de chão e vivência no campo.
- Salto Caveiras: cachoeira com mais de 30 metros de altura e 220 metros de largura, a 18 km do centro. Lazer náutico e pesca no verão.
- Morro da Cruz: mirante com vista panorâmica da cidade a 900 metros de altitude. Pôr do sol disputado.
- Catedral Diocesana: construção neogótica inspirada na arquitetura alemã, marco do centro histórico.
- Museu Histórico Thiago de Castro: acervo sobre a memória tropeira e a formação da Serra Catarinense.
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Quando o clima favorece cada programa em Lages?
O clima é temperado oceânico, com verões amenos e invernos rigorosos. O inverno é a alta temporada turística, mas o verão oferece temperaturas agradáveis para trilhas e lazer no Salto Caveiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a altitude.
Como chegar à Princesa da Serra
Lages fica a 220 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de 3 horas de carro. De Curitiba, são 360 km pela BR-116. O Aeroporto de Lages fica a 7 km do centro e opera voos regionais. O aeroporto mais próximo com voos nacionais é o de Florianópolis, a 240 km. A SC-114 conecta Lages a São Joaquim e Urubici, facilitando roteiros pelo inverno serrano.
Vista o poncho e fique para morar
Lages é a cidade que inventou o turismo rural brasileiro, preserva muros de tropeiros com dois séculos de idade e recebe 350 mil pessoas numa festa de pinhão. O frio que assusta quem vem do litoral é o mesmo que atrai quem procura qualidade de vida com chimarrão na praça, geada no campo e uma infraestrutura que cobre saúde, educação e lazer sem o trânsito das capitais.
Você precisa passar um inverno em Lages, acordar com geada no pasto, tomar café com pinhão torrado e perceber que a Princesa da Serra tem um ritmo de vida que cidade grande nenhuma consegue oferecer.