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A rua mais bonita do mundo tem 156 árvores que formam um túnel verde e encanta quem visita essa capital
O túnel verde com 156 árvores que conquistou o mundo fica nesta capital.
No bairro Independência, no coração de Porto Alegre, uma rua de 500 metros coberta por mais de 150 tipuanas cria um túnel verde tão denso que o sol precisa pedir licença para passar. A Rua Gonçalo de Carvalho foi apelidada de “a rua mais bonita do mundo” por um biólogo português que viu fotos na internet e não acreditou que aquilo ficava numa capital brasileira. O título pegou, viralizou e hoje atrai fotógrafos, casais e urbanistas do mundo inteiro.
Um biólogo português, uma foto na internet e um apelido que ficou
Em 2008, o biólogo português Pedro Nuno Teixeira Santos se deparou com imagens da Rua Gonçalo de Carvalho em um site e publicou no seu blog o apelido que mudaria a história da via: “a rua mais bonita do mundo”. O título não veio de votação popular nem de ranking internacional. Veio de um olhar estrangeiro diante de algo que os porto-alegrenses já conheciam, mas nunca tinham batizado. O bairrismo gaúcho fez o resto: a notícia se espalhou, jornais internacionais replicaram e a rua virou ponto turístico.
Dois anos antes, em 5 de junho de 2006, Dia Mundial do Meio Ambiente, o então prefeito José Fogaça já havia assinado o decreto que declarou a Gonçalo de Carvalho Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre. Foi a primeira via urbana da América Latina a receber essa distinção. O decreto nasceu de uma batalha popular: quando uma empreiteira anunciou planos de construir um estacionamento que ameaçava as árvores, moradores se mobilizaram e impediram o corte.

156 tipuanas plantadas na década de 1930 por trabalhadores de uma cervejaria
A rua abriga 156 árvores, segundo levantamento contratado pela Prefeitura de Porto Alegre. A espécie predominante é a tipuana (Tipuana tipu), acompanhada por pitangueiras, chal-chal e figueiras-benjamim. As copas atingem, em média, 18 metros de altura e criam o arco contínuo de vegetação que bloqueia a visão dos prédios e forma um microclima único.
As árvores foram plantadas no final da década de 1930 por trabalhadores de origem alemã empregados em uma antiga cervejaria local, cujo prédio hoje abriga o Shopping Total. Há quem diga que foram os próprios moradores da rua, ou uma combinação dos dois: funcionários da cervejaria que também viviam ali. Seja como for, as mudas que aqueles trabalhadores colocaram na terra há quase um século são as mesmas árvores que hoje cobrem 500 metros de paralelepípedo entre as ruas Ramiro Barcelos e Santo Antônio.
Porto Alegre encanta pela mistura de história, arborização e o pôr do sol no Guaíba. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, com 146 mil inscritos, e apresenta roteiros essenciais pela capital gaúcha:
A rua que muda a cada estação do ano
No verão, as copas das tipuanas ficam tão densas que a rua vira um corredor de sombra fresca, perfeito para caminhar a 40°C sem sentir o sol. No outono, folhas amarelas cobrem os paralelepípedos e criam um tapete dourado que rende fotografias de revista. No inverno, os galhos se abrem e a luz passa entre os troncos, revelando as fachadas neoclássicas dos casarões do início do século XX. Na primavera, a floração das tipuanas pinta tudo de amarelo-ouro.
Os paralelepípedos de granito não são apenas charme: eles auxiliam na drenagem da água da chuva e na irrigação natural das raízes. Essa combinação de funcionalidade e estética faz da Gonçalo de Carvalho referência em urbanismo sustentável. Das 156 árvores, apenas três apresentam estado fitossanitário considerado ruim, segundo a Secretaria do Meio Ambiente de Porto Alegre.

O que mais ver em Porto Alegre além da rua?
A capital gaúcha esconde superlativos que vão muito além do túnel verde.
- Orla do Guaíba: 72 km de extensão revitalizada com pistas de caminhada, ciclovia e restaurantes. O pôr do sol visto daqui é considerado um dos mais bonitos do Brasil.
- Parque Farroupilha (Redenção): 37,5 hectares com mais de 10 mil árvores, lago com pedalinhos e 38 monumentos. O nome homenageia a libertação dos escravos do terceiro distrito da capital em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea.
- Mercado Público: inaugurado em 1869, resistiu a quatro incêndios. Mais de 100 bancas vendem erva-mate, especiarias e produtos coloniais. O Gambrinus, restaurante mais antigo do Rio Grande do Sul, funciona ali desde 1889.
- Fundação Iberê Camargo: museu projetado por Álvaro Siza Vieira, vencedor do Pritzker. O prédio ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.
- Feira do Livro: realizada desde 1955 na Praça da Alfândega, é considerada a maior feira de livros a céu aberto das Américas.
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Quando ir a Porto Alegre e como é o clima?
O clima é subtropical úmido, com verões quentes e invernos frios para o padrão brasileiro. Cada estação transforma a cidade e a rua de maneira diferente.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital gaúcha
O Aeroporto Salgado Filho recebe voos de todo o Brasil e de cidades internacionais como Buenos Aires e Santiago. A Rua Gonçalo de Carvalho fica no bairro Independência, a 15 minutos de carro do centro. O Parque Moinhos de Vento (Parcão) fica a poucos quarteirões. De Porto Alegre, Gramado e Canela estão a 115 km (2 horas de carro), e o Vale dos Vinhedos a 130 km.
Caminhe sob o túnel que os moradores salvaram
A Rua Gonçalo de Carvalho é bonita porque 156 tipuanas plantadas há quase um século decidiram crescer juntas, porque os moradores enfrentaram uma empreiteira para impedir que elas caíssem e porque um biólogo português, do outro lado do Atlântico, olhou uma foto e disse o que todo mundo já sabia. O túnel verde não é obra de arquiteto nem de prefeito. É obra de quem plantou, de quem cuidou e de quem brigou para que ficasse de pé.
Você precisa ir à Gonçalo de Carvalho num fim de tarde de outono, pisar nas folhas amarelas sobre o paralelepípedo e entender por que uma rua de 500 metros numa capital do sul do Brasil comoveu um biólogo em Portugal e virou a rua mais bonita do mundo.