Rio
Morte de motociclista reacende alerta sobre uso de linha chilena no Rio
Material proibido, com alto poder de corte, já provocou mais de mil denúncias em 2025 e segue colocando em risco motociclistas, pedestres e animais
A morte de um motociclista atingido por linha chilena na semana passada acendeu o alerta sobre os riscos do uso deste tipo de cerol, que apesar de proibido, tem tido cada vez mais denúncias sobre seu uso, batendo recorde no ano passado.
O mais recente caso envolvendo linha chilena é do administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, que morreu na última quinta-feira (02/04) enquanto andava de moto.
Ele foi atingido no pescoço por uma pipa com linha chilena, quando passava pela esquina da rua Gaspar Viana, com a Cerqueira Daltro, em Cascadura. Ele foi socorrido e levado para o Hospital municipal Salgado Filho, mas não resistiu aos ferimentos. Leandro foi sepultado no sábado (04/04) no cemitério de Inhaúma.
Até agora, a polícia não identificou ninguém e nem prendeu ninguém.
O motociclista José Luciano, entrevistado pela reportagem da Super Rádio Tupi, falou da preocupação que os condutores de motocicletas enfrentam nas ruas do Rio.
“A linha chilena para o motociclista é uma verdadeira arma, uma grande preocupação. Normalmente você não vê a pessoa soltando pipa na beira da rua, você está passando normalmente, fazendo o seu trajeto, quando vê aquela linha na sua frente. […] Então é uma preocupação realmente muito grande para quem utiliza a motocicleta no seu dia a dia.” – declarou o entrevistado.
As denúncias sobre o uso de linha chilena e cerol mais que dobraram no estado do Rio de Janeiro, com o material, mesmo sendo proibido, podendo ser encontrado facilmente na internet, com preços que vão de R$ 25 até R$ 150, dependendo do tamanho e quantidade.
As denúncias encaminhadas ao programa Linha Verde do Disque Denúncia cresceram de 561 registros em 2024 para 1.203 em 2025, com os três primeiros meses de 2026 já tendo contabilizado 110 casos.
O coordenador geral do Disque Denúncia, Renato Almeida, destacou a diferença entre as linhas chilena e da linha de pipa comum, além dos riscos que esses materiais representam.
“Diferente da linha comum de pipa, a linha chilena é feita com uma mistura de cola e quartzo moído, que tem um poder de corte quatro vezes maior que o cerol. Isso transforma uma brincadeira em algo potencialmente letal. Motociclistas e ciclistas estão entre as principais vítimas.” – destacou Renato, que também ressaltou que pedestres também correm risco, principalmente crianças, além de aves e outros animais que acabam presos nos fios, impactando diretamente na fauna urbana.
A venda e o uso de linha chilena e de cerol são proibidos no Rio de Janeiro e em outros estados, mas continuam fazendo vítimas, com a pena para quem utilizar a linha indo de três meses a um ano de prisão, podendo aumentar em casos de feridos ou de mortos.
Para denunciar crimes ambientais como o uso de linha chilena, a população pode procurar o Disque Denúncia pelo telefone 2253 1177 ou 0300 253 1177, ou então pelo aplicativo Disque Denúncia RJ.
Outros canais de denúncia são o site www.disquedenuncia.org.br e o Facebook do Linha Verde.
