Esportes
Técnico consagrado morre logo após seu país ficar fora da Copa
Último jogo da vida do treinador foi pela repescagem europeia do Mundial
O futebol europeu está de luto. Morreu nesta terça-feira (7) o treinador Mircea Lucescu, aos 80 anos. O técnico nascido na Romênia estava trabalhando na seleção de seu país, que não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo. Ele passou mal pouco depois da desclassificação dos romenos do Mundial.
Lucescu estava internado após sofrer dois infartos e um AVC. Ele foi internado em Bucareste, capital romena, após desmaiar logo antes de um treinamento da seleção. Depois que seu país perdeu para a Turquia, pela repescagem do Mundial, o grupo preparava-se para um amistoso contra a Eslováquia. Mas o técnico não conseguiu trabalhar neste compromisso e o time, treinador pelo auxiliar Ionel Gabne, perdeu por 2 a 0.
Multicampeão em sua carreira, Mircea Lucescu foi também um grande jogador. Ídolo do Dínamo de Bucareste, foi oito vezes campeão nacional e jogou a Copa do Mundo de 1970 pela Romênia. Inclusive, era o capitão do time e enfrentou o Brasil na primeira fase. Ponta-esquerda de grande sucesso, repetiu os feitos como treinador, embora seu maior êxito tenha sido no exterior. Comandou clubes como Inter de Milão, Galatasaray e Besiktas. No Shakhtar, da Ucrânia, foi oito vezes campeão nacional e conquistou a Copa da UEFA, em 2009.
Lucescu quase jogou no Fluminense
A história de Lucescu com o futebol brasileiro tem ligações importantes. Além de ter comandado muitos jogadores nascidos no Brasil em seus tempos de Shakhtar, o romeno quase jogou no Brasil. Em 1970, a seleção romena passou algumas semanas na América do Sul, se ambientando para a Copa do Mundo do México. Após disputar um amistoso com o Peru, em Lima, os jogadores passaram pelo Brasil. O time chegou a enfrentar o Flamengo, no Maracanã, mas perdeu por 4 a 1, no primeiro jogo do Torneio Internacional de Verão.

Jornal romeno destaca Mircea Lucescu no Rio: “Como Luce perdeu a chance de ser um ídolo no Maracanã” (Foto: Gazeta Sporturilor)
Mesmo assim, a equipe seguiu no país. Venceu o Vasco (2 a 0) e o Independiente, da Argentina (3 a 0). E Lucescu chamou a atenção do Fluminense, que queria contratá-lo. O Ministério das Relações Exteriores da Romênia recebeu uma carta oficial do Brasil: o presidente do Fluminense, Francisco Laport, queria falar com o jogador para lhe oferecer um contrato. Mas os romenos se recusaram, afinal, os jogadores do país eram considerados patrimônios nacionais e não havia permissão para que jogassem em outros locais.
“Eles me chamaram para jogar por três meses, durante as férias de inverno na Romênia, quando não se pode jogar. Naquela época, isso já acontecia no futebol da zona comunista. Por exemplo, o húngaro (Florian) Albert recebeu permissão do governo para jogar três meses no Brasil, que aliás era o que eu também deveria ter feito. Eu era o capitão da seleção romena, que impressionou nas Eliminatórias. Inclusive, nos classificamos mesmo enfrentando o Portugal de Eusébio”, disse Lucescu, ao jornal Gazeta Sporturilor, completando:
“Para a fase final, nos preparamos no Brasil e tivemos um ótimo desempenho nos amistosos. Fui o melhor jogador daquele campeonato e até ganhei um rádio para o meu Fusca, que não tinha. Mesmo assim, não pude jogar no Brasil. Era impossível se desvencilhar do regime comunista”.