Esportes
Conmebol avalia criação de novo torneio sul-americano com possível redistribuição de vagas
Nova Copa da Conmebol pode mudar forças e surpreender gigantes
O debate sobre a criação da Copa Conmebol Conferências ganhou força nos últimos meses e já movimenta dirigentes, torcedores e especialistas em futebol, pois a possível nova competição sul-americana surgiria como um terceiro nível de torneio continental abaixo da Libertadores e da Copa Sul-Americana, com foco em ampliar o acesso internacional de clubes médios, equilibrar forças entre países e gerar novas fontes de receita para ligas menos representadas.
O que é a Copa Conmebol Conferências e qual é o objetivo da nova competição?
A ideia da Copa Conmebol Conferências se inspira na UEFA Conference League, funcionando como uma terceira via para clubes médios e emergentes da América do Sul, com perfil de menor hierarquia, mas relevância estratégica. O objetivo central é ampliar o acesso ao cenário continental, oferecendo rodagem internacional, visibilidade e recursos a equipes que raramente disputam Libertadores ou Sul-Americana.
Na prática, o torneio seria direcionado a clubes que terminam logo abaixo das zonas de classificação às competições principais em seus campeonatos nacionais, mas mantêm desempenho interno consistente. Para federações com poucas vagas nas grandes competições, a Copa Conmebol Conferências funcionaria como porta de entrada ao cenário internacional, diminuindo a concentração de oportunidades em poucos mercados.

Como será o formato da Copa Conmebol Conferências e qual o impacto na distribuição de vagas?
Os estudos atuais indicam que a Copa Conmebol Conferências começaria em 2027, com 32 clubes divididos em oito grupos de quatro equipes, em sistema de turno e returno, classificando os melhores ao mata-mata. A disputa ocorreria em paralelo à Libertadores e à Sul-Americana, ocupando datas entre fevereiro e março no início e se estendendo ao longo da temporada, exigindo ajustes finos no calendário nacional de cada país.
Ganha força a possibilidade de o Brasil ter número reduzido de representantes ou até ficar fora da fase inicial, para abrir espaço extra a clubes de Uruguai, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Bolívia, entre outros. A intenção é evitar concentração de forças, criar um nível competitivo mais equilibrado e permitir que ligas menos poderosas esportiva e financeiramente possam se destacar em âmbito continental.
Quais clubes serão mais beneficiados e como a competição pode ajudar no desenvolvimento esportivo?
A criação da Copa Conmebol Conferências tende a beneficiar clubes de médio porte e times de ligas com poucas vagas fixas nas competições principais, que hoje raramente ultrapassam fases preliminares da Libertadores. Esses clubes passariam a disputar uma taça internacional em ambiente mais nivelado, usando o torneio como laboratório para elencos jovens e comissões técnicas em início de trajetória.
Entre os principais beneficiados estariam clubes de países como:
- Chile e Colômbia, com forte concorrência interna por poucas vagas continentais;
- Peru, Paraguai e Bolívia, onde muitas equipes quase nunca avançam em torneios da Conmebol;
- Uruguai, com tradição histórica, mas limitações econômicas frente a mercados maiores.

Qual será o impacto financeiro, logístico e competitivo da Copa Conmebol Conferências no futebol sul-americano?
No aspecto financeiro, estimativas iniciais apontam premiação em torno de US$ 10 milhões para o campeão, valor muito relevante para orçamentos de clubes médios e pequenos, podendo ser usado em estrutura, base, estádios e qualificação de elencos. A negociação de direitos de transmissão, patrocínios e premiação por fase será decisiva para tornar o torneio atrativo e sustentável.
Em relação à logística, são discutidos modelos com sede única na Argentina, usando cidades como Buenos Aires, Córdoba, Rosário e Mendoza, ou candidatura conjunta de Argentina, Uruguai e Paraguai, alinhada à Copa do Mundo de 2030. A forma de sediar, somada ao calendário e às viagens, influenciará desgaste físico, custos, público e, a longo prazo, a capacidade da competição de reduzir a distância competitiva entre grandes centros e ligas emergentes no continente.