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Cientistas estudaram um antigo naufrágio romano e encontraram um portal para o passado com 2.200 anos
Navio romano revela tecnologia perdida que muda a história naval
Em pleno século II a.C., uma embarcação mercante romana cruzava o Adriático levando cargas e tecnologias discretas, mas essenciais, como sistemas de impermeabilização do casco que protegiam a madeira, prolongavam a vida útil do navio e hoje ajudam a reconstruir rotas, técnicas de construção e práticas de reparo a partir do naufrágio Ilovik-Parzine 1, encontrado na atual Croácia e analisado com métodos químicos e palinológicos avançados, revelando como materiais aparentemente secundários guardam informações cruciais sobre economia, comércio e circulação de saberes técnicos no Mediterrâneo romano.
Como a impermeabilização protegia os navios romanos e orientava sua manutenção
A impermeabilização de navios romanos evitava infiltrações, retardava a degradação do casco e aumentava a segurança em longas viagens comerciais, inclusive sob mar agitado em rotas regulares do Adriático e do Mediterrâneo central.
No Ilovik-Parzine 1, foram identificadas pelo menos quatro aplicações distintas de revestimentos em camadas sobrepostas, indicando manutenção periódica e um calendário de revisões associado à sazonalidade das rotas e às paradas técnicas em portos específicos.

Quais materiais e técnicas compunham os sistemas de impermeabilização naval romanos
As camadas impermeabilizantes eram compostas principalmente por resina de coníferas fortemente aquecida, provavelmente de pinheiros, preparada com controle de temperatura e conhecimento empírico de fusão e viscosidade, típico de um “saber de oficina” transmitido oralmente.
Em uma das amostras foi identificada uma mistura de breu com cera de abelha, semelhante à zopissa descrita por autores antigos, aplicada para facilitar o uso, melhorar a aderência e adaptar o revestimento a trechos mais longos em mar aberto e a cascos já parcialmente desgastados.
Quais ingredientes, variações regionais e funções eram observados na impermeabilização de cascos
O estudo do Ilovik-Parzine 1 mostra que a impermeabilização se apoiava em recursos naturais mediterrâneos manipulados de forma relativamente padronizada, mas com variações locais que refletem tradições técnicas específicas de cada porto e de cada oficina naval.
- Resinas de coníferas aquecidas para formar breu mais denso e resistente à água salgada;
- Cera de abelha adicionada para aumentar plasticidade, aderência e facilidade de aplicação;
- Alcatrões vegetais e piches de madeira para proteção contra organismos marinhos perfuradores;
- Aditivos minerais ocasionais para ajustar textura, resistência mecânica e tempo de cura;
- Sequências de reaplicação em camadas que revelam fases de reparo, reforço estrutural e adaptação do casco.

Como a análise de pólen e dos revestimentos amplia a reconstrução de rotas e redes navais romanas
Grãos de pólen preservados nas camadas impermeabilizantes, presos na resina ainda pegajosa, funcionam como “assinaturas ecológicas” do local onde o material foi produzido ou aplicado, permitindo comparar o cenário antigo com mapas de vegetação atuais e históricos.
A combinação de espécies como oliveiras, avelaneiras, carvalhos perenes, pinheiros, amieiros, freixos, abetos e faias aponta para áreas específicas da costa italiana e balcânica, sugerindo construção provável perto da atual Brindisi, reparos em outros portos do Adriático e rotas que conectavam oficinas, escalas comerciais e cadeias produtivas navais, consolidando a impermeabilização como um arquivo material para a arqueologia marítima mediterrânea.