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O que sapos, rãs e pererecas comem no seu quintal e por que isso ajuda a manter sua casa livre de pragas

Apesar de atraírem cobras, os anfíbios desempenham um papel vital no controle de pragas; entenda seu valor para o ecossistema

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Sapo marrom de pele rugosa em folhas e terra úmida no jardim.
Sapos como este desempenham um papel crucial no controle de pragas e na manutenção do equilíbrio ecológico em ambientes domésticos.

Encontrar rãs, sapos e pererecas no quintal pode gerar uma preocupação imediata, principalmente pelo medo de que eles atraiam cobras. No entanto, esses anfíbios são, na verdade, grandes aliados para o equilíbrio do ambiente e para a saúde da sua família, atuando como verdadeiros controladores de pragas que vivem ao nosso redor.

Esses animais desempenham um papel fundamental no ecossistema, mesmo em áreas urbanas. A função mais documentada cientificamente é o controle de escorpiões. Em 2025, o país registrou 265 mortes por picada de escorpião, o dobro do ano anterior, segundo o Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado pelo Instituto Butantan. O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) responde pela maioria dos casos graves.

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Pesquisa do Instituto Butantan em parceria com a Utah State University, publicada em 2020 na revista Toxicon, demonstrou que o sapo-cururu (Rhinella icterica) se alimenta do escorpião-amarelo e é imune ao veneno do aracnídeo. Estudo publicado em 2025 na revista Frontiers in Public Health projeta que, sem intervenção, o Brasil pode chegar a 274 mil casos anuais de escorpionismo até 2033, em cenário de urbanização desordenada e altas temperaturas que favorecem o aracnídeo.

A dieta dos anfíbios também inclui aranhas, formigas, baratas, moscas, lesmas e caracóis. Para quem tem horta ou jardim, eles ajudam a proteger as plantas sem o uso de pesticidas.

O mito do sapo contra a dengue

Diferente do que circula em sites de jardinagem, sapos e rãs adultos não são predadores relevantes do Aedes aegypti. Estudo desenvolvido em fragmento de Mata Atlântica em Duque de Caxias (RJ), que analisou o conteúdo estomacal de rãs-assobiadoras e revisou 36 artigos científicos sobre dieta de anuros brasileiros, encontrou nos estômagos diversos insetos da ordem dos dípteros, mas nenhum da família Culicidae, a dos mosquitos.

O controle do Aedes, transmissor de dengue, zika, chikungunya e febre amarela, depende da eliminação de criadouros, não da presença de sapos no quintal.

A presença desses anfíbios também funciona como indicador de qualidade ambiental. Por terem pele permeável, são sensíveis à poluição da água e do solo. Sapos e rãs vivendo e se reproduzindo no quintal sinalizam um ambiente saudável.

Como conviver em harmonia e evitar cobras

O receio de que sapos atraiam cobras é legítimo, pois eles fazem parte da cadeia alimentar delas. Contudo, a solução não é eliminar os anfíbios, mas sim adotar medidas simples para tornar o ambiente menos atraente para os répteis, garantindo a segurança de todos.

  • Mantenha o quintal limpo: evite o acúmulo de entulho, folhas secas, telhas ou pilhas de madeira. Esses materiais servem de esconderijo perfeito para cobras.
  • Apare a vegetação: grama alta e arbustos muito densos também funcionam como abrigos. Manter o jardim bem cuidado reduz as chances de elas se instalarem no local.
  • Vede possíveis entradas: verifique muros, paredes e a base da casa em busca de buracos e frestas. Vedar esses espaços impede que cobras e outros animais indesejados entrem.

Adotar essas práticas permite aproveitar os benefícios que rãs e sapos oferecem. Retirá-los do ambiente pode, inclusive, causar um desequilíbrio, levando a um aumento no número de insetos e outras pragas que eles naturalmente controlariam.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.