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Operários da construção civil descobriram não um, nem dois, mas seis naufrágios centenários

Escavações do túnel de Varberg revelaram 6 naufrágios

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Operários da construção civil descobriram não um, nem dois, mas seis naufrágios centenários
Operários encontraram seis naufrágios durante obra

Escavações ligadas ao projeto do Túnel de Varberg, na costa oeste da Suécia, revelaram seis naufrágios preservados sob sedimentos em uma antiga área portuária medieval, hoje aterrada e integrada ao espaço urbano, oferecendo novas evidências sobre navegação, comércio, construção naval e defesa costeira entre a Baixa Idade Média e o século XVII, ao mesmo tempo em que destacam a importância da arqueologia em obras de infraestrutura moderna.

O que as escavações em Varberg revelam sobre o antigo porto medieval?

As embarcações foram encontradas em uma área que, na Idade Média, funcionou como porto ativo e zona de defesa costeira. Com o recuo da linha d’água e o aterramento de antigas baías, os cascos ficaram soterrados sob ruas e edifícios modernos.

A equipe de arqueologia acompanhou as obras do túnel ferroviário, equilibrando prazos de engenharia e documentação minuciosa. Cada peça de madeira, metal ou vestígio orgânico foi registrada antes de qualquer remoção, garantindo base sólida para estudos posteriores.

Operários da construção civil descobriram não um, nem dois, mas seis naufrágios centenários
Antigo porto medieval revela 6 naufrágios em Varberg

Quais naufrágios foram identificados e a que períodos pertencem?

O conjunto de seis naufrágios forma uma linha do tempo do final do período medieval ao início da época moderna. Quatro barcos foram datados entre o final da Idade Média e o século XIV, um pertence ao século XVII e outro ainda aguarda datação mais precisa.

Todos estavam em uma antiga área portuária vinculada a estruturas de defesa que controlavam o acesso à cidade. A combinação de diferentes tipos de casco e idades permite comparar funções, rotas e adaptações técnicas ao longo de vários séculos.

Por que o Naufrágio 2 e os demais cascos são tecnicamente importantes?

O Naufrágio 2, datado da segunda metade da década de 1530, foi construído em carvalho local, no padrão clinker, com tábuas sobrepostas em “escama”. Dois grandes trechos do casco de boreste e diversas peças soltas permitem reconstituir parte da forma original e do sistema estrutural.

Um berghult reforça externamente o casco, protegendo atracações em cais de pedra e servindo de apoio à superestrutura. Marcas de fogo nessa faixa apontam hipótese de queima deliberada, em contexto militar ou de desmonte, prática conhecida em frotas da época.

  • Construção em carvalho regional, indicando uso de recursos locais.
  • Estilo clinker, típico das tradições navais do norte da Europa.
  • Presença de berghult, reforço associado a manobras de atracação.
  • Marcas de fogo, sugerindo possível queima intencional antes do afundamento.
Operários da construção civil descobriram não um, nem dois, mas seis naufrágios centenários
Antigo porto medieval revela 6 naufrágios em Varberg

O Naufrágio 5, do século XVII, repete o uso de carvalho e tábuas sobrepostas, sugerindo continuidade de técnicas. Pesquisadores consideram provável que ambos tenham navegado pelo mar Báltico, transportando mercadorias entre cidades costeiras e centros comerciais.

O Naufrágio 6 aparece como exceção, com construção em caravela, tábuas borda a borda e casco mais liso. Sua quilha preservada, com encaixe rebaixado, apresenta traços da tradição neerlandesa, indicando intercâmbio técnico com regiões ligadas aos atuais Países Baixos.

O que os naufrágios de Varberg revelam sobre comércio e circulação marítima?

Os cascos conhecidos como Naufrágios 3 e 4 são barcos de fundo chato, comuns no comércio medieval. O fundo plano facilitava a navegação em águas rasas, canais e estuários, permitindo operações próximas à costa e a portos menores.

Em conjunto, os seis naufrágios mostram a costa oeste sueca como corredor estratégico de circulação de pessoas, bens e saberes navais. A mistura de carvalho local e elementos construtivos estrangeiros evidencia redes de contato que ultrapassavam fronteiras políticas da época.

Os achados reforçam a necessidade de integrar arqueologia a grandes obras de infraestrutura, sobretudo em áreas que foram enseadas, canais ou portos medievais. Com apoio de museus e laboratórios de documentação visual, as pesquisas devem avançar em análises de comércio, técnicas construtivas e cotidiano a bordo ao longo de vários séculos.