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Mais de 50°C saem do subsolo e alimentam piscinas naturais onde o banho acontece sem qualquer sistema artificial de aquecimento
Onde a natureza cria piscinas quentes em meio ao cenário natural.
A cerca de 170 km de Goiânia, Caldas Novas se tornou conhecida pelas águas termais que chegam à superfície com temperaturas entre 43°C e 70°C. As piscinas aquecidas naturalmente são a principal marca do município, mas a origem desse fenômeno está longe da explicação vulcânica que durante muito tempo fez parte do imaginário sobre a região.
O que realmente aquece as águas termais de Caldas Novas?
Durante décadas, a ideia de que Caldas Novas estaria sobre um vulcão extinto foi bastante difundida. A formação das fontes, porém, tem origem em um processo geológico diferente, conforme explica o Ministério do Turismo.
O ciclo começa com a água da chuva, que penetra pelas fissuras das rochas da Serra de Caldas e alcança aproximadamente mil metros de profundidade. Nesse percurso, o gradiente geotérmico eleva a temperatura da água para cerca de 60°C antes que ela volte à superfície. A água presente nas piscinas tem aproximadamente mil anos, e o sistema formado junto com a vizinha Rio Quente dá origem à maior estância hidrotermal do planeta.

O parque que protege o segredo das fontes
Sem a serra coberta de cerrado, não existiria milagre nenhum. O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCAN) foi criado pela Lei nº 7.282, de setembro de 1970, justamente para proteger a área de recarga dos lençóis termais.
O parque ocupa 12.315 hectares entre Caldas Novas e Rio Quente e abriga trilhas que terminam em cachoeiras de água fria, segundo a Goiás Turismo. O contraste entre o banho gelado das quedas e as piscinas termais da cidade é parte da experiência.
O que fazer em Caldas Novas além das piscinas?
Os parques aquáticos dominam o cenário, mas a cidade guarda um circuito cultural e natural que rende dias inteiros. Vale reservar pelo menos uma manhã para o cerrado.
- Hot Park: o mais famoso parque aquático da região, localizado na vizinha Rio Quente, com piscinas termais, toboáguas e praia artificial.
- Trilha da Cascatinha: percurso curto de 716 metros dentro do PESCAN que termina em uma queda de água gelada cercada de mata.
- Trilha do Paredão: caminhada de 1,1 km no parque até um mirante com vista panorâmica do cerrado e da cidade.
- Lago Corumbá: espelho d’água de 65 km² indicado para passeios de barco, pesca esportiva e esportes náuticos.
- Praça Mestre Orlando: centro histórico com a igreja matriz de 1850, chafariz e calçadão de bares e restaurantes.
O sabor do cerrado em pratos típicos goianos
A culinária da cidade é a goiana raiz, com ingredientes do cerrado e influência do interior. Os mercados e cachaçarias são parada obrigatória.
- Empadão goiano: torta recheada com frango, linguiça, queijo, azeitona e ovos, servida em pedaços generosos como prato principal.
- Galinhada com pequi: arroz amarelo, frango caipira e o fruto símbolo do cerrado, com sabor marcante.
- Pamonha salgada: massa de milho verde recheada com queijo e linguiça, vendida em pamonharias por toda a cidade.
- Sorvete de pequi: a versão doce do fruto, servida nas feiras e sorveterias do centro.

Qual a melhor época para visitar Caldas Novas?
As piscinas funcionam quentes o ano todo, mas o clima da cidade tem duas estações bem marcadas. A seca, entre maio e setembro, é mais agradável para circular fora dos hotéis.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade das águas quentes?
De Goiânia, são cerca de 170 km pela BR-153 e GO-139, em um trajeto de aproximadamente duas horas. De Brasília, a distância é de 300 km com acesso pela BR-040 e BR-352.
A cidade conta com o Aeroporto Nelson Ribeiro Guimarães, que recebe voos regulares e é o segundo maior terminal de passageiros de Goiás. Linhas rodoviárias chegam diariamente das principais capitais do Centro-Oeste e do Sudeste.
Mergulhe no oásis quente do cerrado
Caldas Novas une o conforto das piscinas naturalmente aquecidas, a hospitalidade goiana e o cerrado preservado bem ao lado do centro. Poucos destinos brasileiros entregam descanso e ecoturismo a tão pouca distância um do outro.
Você precisa pelo menos uma vez na vida sentir o que é mergulhar em uma água que começou como chuva mil anos atrás e descobrir por que o cerrado goiano vai muito além do que aparece nos cartões-postais.