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A “Califórnia do Sertão” virou a “Capital da Manga” ao dominar 92% das exportações, conquistar a Europa e produzir 3 safras por ano, algo único no mundo
O sertão brasileiro abriga uma região única no planeta.
O calor de Petrolina chega a 36°C em novembro e o solo é o de uma caatinga rachada. Ainda assim, é desse pedaço da “Califórnia do Sertão” virou a “Capital da Manga” pernambucana onde sai quase toda a manga brasileira que chega aos supermercados da Europa.
O número que define o tamanho de Petrolina na fruta
Os dados do Observatório da Manga da Embrapa não deixam margem para dúvida. Em 2024, Petrolina colheu 282 mil toneladas de manga, o segundo maior volume do país, e o Vale do São Francisco, polo que une a cidade pernambucana à vizinha Juazeiro, na Bahia, respondeu sozinho por 67,5% de toda a produção nacional naquele ano.
O peso na exportação é ainda maior. Segundo João Ricardo Lima, pesquisador do Observatório de Mercado da Manga da Embrapa Semiárido, cerca de 92% das mangas que o Brasil embarcou para o exterior em 2025 saíram desse polo, e a área plantada na região saltou de 15 mil para quase 50 mil hectares em uma década.

O segredo está no calor que parecia inviabilizar tudo
Os parreirais e mangueiras de Petrolina são uma anomalia agrícola. O sertão pernambucano tem clima semiárido, chuvas escassas e sol forte o ano inteiro, o oposto do ideal para fruticultura sofisticada na visão dos agrônomos de meados do século passado.
O cálculo virou quando a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) levou irrigação ao Vale a partir da década de 1970. Com água do Velho Chico e sol abundante, descobriu-se algo que nenhum outro polo do mundo consegue replicar: produzir manga durante os 12 meses do ano, com duas a três safras consecutivas, garantindo fornecimento constante quando concorrentes como México e Índia sofrem quebra de safra.
O vídeo é do canal Melhores Cidades para Morar, com milhares de visualizações, e detalha a qualidade de vida, a segurança e as opções de lazer às margens do Rio São Francisco:
A cidade tem um campus inteiro dedicado à uva e à fruta
A força do agronegócio fez Petrolina abrigar uma instituição rara no Norte e no Nordeste do país. O campus Petrolina Zona Rural do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IF Sertão PE) oferece o único curso superior em Tecnologia em Viticultura e Enologia das duas regiões, voltado a formar enólogos e técnicos para os vinhedos e pomares locais.
O município de cerca de 350 mil habitantes vive uma transformação que pouca gente percebe. Segundo dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB de Petrolina saltou de R$ 725 milhões em 2010 para mais de R$ 5 bilhões em poucos anos, impulsionado pela cadeia da fruticultura irrigada.
Os números que cabem em uma só tabela
Os indicadores ajudam a mostrar por que a cidade é citada em conferências internacionais quando o assunto é manga tropical. Os dados foram compilados a partir das fontes oficiais consultadas.
“`Para acompanhar o sertão úmido ou seco antes de uma viagem, o Climatempo mantém previsão atualizada para o município pernambucano.

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O turismo cresceu a reboque das parreiras e mangueiras
A fama agrícola virou atrativo turístico. Hoje, viajantes desembarcam na cidade para entender como o vinho tropical e as frutas convivem com o clima da caatinga, e as experiências mais procuradas combinam navegação no Velho Chico com visitas guiadas a vinícolas e pomares.
- Vapor do Vinho: passeio de catamarã pelo Lago de Sobradinho com eclusagem na barragem, almoço a bordo e visita guiada à Vinícola Terranova, do grupo Miolo.
- Rota dos Vinhos: visita à Vinícola Rio Sol em Lagoa Grande, com prova de uvas direto do parreiral e degustação de espumantes durante banho no rio.
- Orla de Petrolina: extensa avenida ribeirinha movimentada à noite, com bares, restaurantes e vista para a Ponte Presidente Dutra, que liga a cidade a Juazeiro.
- Bodódromo: complexo gastronômico com dezenas de restaurantes especializados em bode assado, prato tradicional do sertão pernambucano.
- Catedral do Sagrado Coração de Jesus: templo neogótico erguido por Dom Malan em pleno sertão, com vitrais que destoam da paisagem ao redor.
- Ilha do Massangano: comunidade ribeirinha conhecida pela produção de manga, acessível por barco a partir da orla.
O sertão que abastece o mundo
Petrolina mostrou que solo seco e calor extremo, com a engenharia certa, viram vantagem competitiva. A cidade transformou a fruta tropical em divisa estrangeira e mudou a percepção do que o sertão pode produzir.
Você precisa atravessar a Ponte Presidente Dutra ao pôr do sol e entender por que essa cidade pernambucana virou a capital mundial da manga.