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Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro ancestral humano que andava ereto

Fóssil europeu desafia teoria clássica sobre a origem da caminhada humana

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Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro ancestral humano que andava ereto
Cientistas encontram sinais de bipedalismo antigo fora da África pela primeira vez

O estudo de um fêmur fossilizado encontrado na Bulgária, atribuído a Graecopithecus freybergi e datado de 7,2 milhões de anos, sugere que a transição para o bipedalismo pode ter começado mais cedo e em ambientes mais diversos do que se pensava, indicando uma adaptação gradual em que antigos hominínios alternavam entre locomoção sobre quatro apoios e caminhadas em duas pernas.

Quais características do fêmur de Graecopithecus indicam bipedalismo inicial

No fêmur de Graecopithecus freybergi, o pescoço alongado e orientado para cima lembra o padrão de hominínios mais recentes, associados à marcha em duas pernas, sugerindo maior estabilidade do quadril durante a locomoção terrestre. A espessura do córtex indica um membro preparado para suportar cargas repetidas, como ocorre quando o peso do corpo se concentra nas pernas.

As projeções ósseas para inserção dos músculos glúteos são menos proeminentes do que em primatas fortemente arborícolas, apontando para menor dependência de escalada acrobática. Em conjunto, esses traços revelam um repertório misto de locomoção, com capacidade de andar no solo sem perder totalmente as habilidades de subir em árvores.

Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro ancestral humano que andava ereto
Cientistas encontram sinais de bipedalismo antigo fora da África pela primeira vez

Onde e em que ambientes o bipedalismo pode ter se originado

A presença de Graecopithecus na região que hoje abrange Bulgária e Grécia sugere que formas iniciais de marcha ereta podem ter surgido no Mediterrâneo oriental, e não apenas na savana africana. Essa hipótese amplia o mapa da evolução humana e indica migrações antigas entre Europa e África.

No fim do Mioceno e início do Plioceno, havia áreas de savana com árvores esparsas tanto no sul da Europa quanto no norte da África, tornando a vida exclusivamente arborícola menos viável. Nesse cenário, espécies com locomoção mais eficiente no solo teriam vantagem, podendo explorar novos recursos e rotas de dispersão.

Quais fatores evolutivos favoreceram a adoção do bipedalismo

Com menos frutos e folhas disponíveis nas copas em ambientes mais abertos, hominínios como Graecopithecus podem ter sido pressionados a buscar alimentos no solo, percorrendo distâncias maiores. A locomoção bípede permitiria economizar energia em trajetos longos e ampliar o acesso a nichos variados.

A postura ereta também aumenta o campo de visão, facilitando a detecção de predadores e presas em potencial, além de liberar as mãos para carregar alimentos, filhotes ou objetos. Embora não se possa confirmar diretamente esses comportamentos em Graecopithecus, eles servem de modelo para interpretar pressões seletivas que favoreceram o caminhar ereto.

Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro ancestral humano que andava ereto
Descoberta de 7,2 milhões de anos pode mudar a história da evolução humana

Quais são as principais evidências anatômicas e implicações para a linha do tempo do bipedalismo

Os especialistas analisam um conjunto de detalhes ósseos para identificar sinais de locomoção bípede, e o fêmur associado a Graecopithecus freybergi reúne várias dessas pistas relevantes:

  • Pescoço femoral alongado: favorece maior mobilidade e estabilização do quadril durante a marcha.
  • Eixo relativamente reto: difere do padrão de macacos que dependem de saltos e escaladas intensas.
  • Córtex espesso: indica suporte a forças repetidas compatíveis com a marcha terrestre.
  • Pontos de inserção muscular: aproximam-se do padrão de hominínios caminhantes, não de primatas majoritariamente arborícolas.

Embora o fêmur não tenha todos os traços do bipedalismo obrigatório visto em Homo, ele aponta para um estágio intermediário, com alternância entre quatro e dois apoios. Datado de 7,2 milhões de anos, o fóssil antecipa a origem provável da marcha bípede e reforça a ideia de um processo longo, diverso em regiões e linhagens, no qual Graecopithecus pode representar um ramo direto ou paralelo da evolução humana.