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Tartaruga é flagrada comendo lixo e plástico no mar de Arraial do Cabo e a cena revolta quem assistiu
Vídeo viralizou e reacendeu debate sobre poluição no litoral do Rio
Um vídeo gravado em Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro, mostrou uma tartaruga marinha se alimentando entre resíduos plásticos boiando no mar. A cena, registrada pelo perfil @marcelo_click, ganhou as redes sociais e expôs um problema que poucos brasileiros associam à região: a área tem a maior concentração de tartarugas-verdes do país, e essas tartarugas confundem plástico com comida e morrem por isso.
Como ajudar a proteger as tartarugas marinhas
Medidas simples e importantes para contribuir com a conservação da vida marinha.
🚫🐢 Não toque nem persiga
Tocar ou manejar uma tartaruga marinha é crime ambiental (Lei nº 9.605/98), mesmo com a melhor das intenções. Mantenha distância.
📞✅ Acione equipes especializadas
Em caso de animais feridos ou encalhados, contate imediatamente o ICMBio ou o Projeto Tamar para resgate profissional.
♻️⬇️ Reduza seu consumo de plástico
A maior parte do lixo marinho vem do continente. Diminuir o uso de plástico descartável é crucial para a saúde do oceano.
🧹🌊 Participe de limpezas costeiras
Mutirões ajudam a conter o lixo que chega às praias, evitando que ele seja levado para o mar e se torne alimento fatal.
🧠💡 Apoie a educação ambiental
A conscientização contínua sobre o impacto do lixo no mar é fundamental para a proteção e sobrevivência da vida marinha a longo prazo.
Por que a tartaruga confunde plástico com comida?
A tartaruga marinha não persegue suas presas. Ela flagra o que está em suspensão na água e engole. Sacolas plásticas transparentes, embalagens flexíveis e tiras compridas se assemelham, na visão do animal, a águas-vivas e pequenos invertebrados, parte natural do cardápio.
Segundo o Projeto Tamar, a tartaruga-verde é uma das espécies mais vulneráveis exatamente por esse hábito alimentar. Ela não distingue plástico de comida real, e a ingestão se acumula no organismo.
Quais são os efeitos do plástico no corpo da tartaruga?
Os efeitos vão muito além do “engasgo” que muita gente imagina. A presença de plástico no estômago provoca uma cadeia de problemas que leva o animal à morte lenta:
- Obstrução do trato digestivo: o plástico não é digerido e bloqueia a passagem de alimento real
- Falsa sensação de saciedade: o estômago ocupado faz a tartaruga parar de procurar comida
- Ferimentos internos: pedaços rígidos cortam órgãos por dentro
- Desnutrição progressiva: o animal perde peso, fica debilitado e morre
Em casos extremos, tartarugas necropsiadas em centros de reabilitação foram encontradas com vários quilos de plástico no estômago.
Por que justamente Arraial do Cabo?
Aqui está o dado que pouca gente conhece. Em entrevista à Agência Brasil, a bióloga Juliana Fonseca, fundadora do Projeto Costão Rochoso, afirmou que Arraial do Cabo é a região com maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil. Todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que existem em águas brasileiras são encontradas ali. Desde 2018, o projeto já catalogou cerca de 500 indivíduos nas praias dos Anjos, Grande, Pontal e na Ilha de Cabo Frio.
O paradoxo é cruel. Estudo da Fundação Cecierj mostrou que 76,9% dos resíduos encontrados em tartarugas analisadas em Arraial do Cabo eram justamente plásticos flexíveis, o tipo de material visto no vídeo.
É verdade que pegar uma tartaruga ferida na praia para “ajudar” é permitido?
Não. É crime. Mesmo com a melhor das intenções, tocar, perseguir ou tentar manejar uma tartaruga marinha viola a Lei nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A regra vale para banhistas, turistas e pescadores.
O manejo só pode ser feito por equipes credenciadas, com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Projeto Tamar. A orientação oficial em praias com tartarugas é clara: observar à distância, não alimentar, não tocar, e acionar imediatamente as equipes ambientais quando o animal estiver ferido ou encalhado.
Como o lixo chega ao mar?
A poluição plástica não vem só do que é descartado dentro do mar. A maior parte chega pelo continente, levada por rios, drenagem urbana e descarte irregular nas próprias praias. Uma sacola jogada numa rua de qualquer cidade do interior pode percorrer centenas de quilômetros até o oceano.
Por isso, organizações de conservação apontam três frentes que reduzem o impacto: redução do uso de plástico descartável, mutirões de limpeza costeira e educação ambiental contínua.