Cientistas descobriram uma ilha inteira feita de restos de comida de humanos antigos - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Cientistas descobriram uma ilha inteira feita de restos de comida de humanos antigos

A ilha criada por restos de comida que intriga arqueólogos no Pacífico

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Cientistas descobriram uma ilha inteira feita de restos de comida de humanos antigos
Ilha de Vanua Levu, em Fiji. - Imagem: Don Mammoser / Shutterstock.com

Entre as muitas formas de intervenção humana sobre o ambiente, algumas passam despercebidas por séculos e só são reconhecidas com estudos detalhados. No Pacífico Sul, pesquisadores identificaram, perto da costa oeste de Vanua Levu, em Fiji, uma pequena ilha formada quase inteiramente por conchas de animais marinhos consumidos no passado, com cerca de 3.000 metros quadrados e pouco mais de meio metro de altura, que funciona como registro material de práticas alimentares, ocupação costeira e transformações ambientais de aproximadamente 1.200 anos.

O que é uma ilha de conchas e como ela funciona como arquivo arqueológico

Uma ilha de conchas, ou shell midden, é um antigo depósito de descarte composto por conchas, ossos e fragmentos de cerâmica acumulados por grupos humanos. Em Culasawani, milhões de conchas criaram uma elevação insular cuja base é formada quase exclusivamente por restos alimentares.

Cada camada desse depósito registra práticas de pesca, mudanças na dieta, variações ambientais e deslocamentos da linha de costa. Ao analisar as conchas e sedimentos, arqueólogos identificam espécies consumidas, técnicas de coleta e modos de adaptação ao ambiente marinho.

Cientistas descobriram uma ilha inteira feita de restos de comida de humanos antigos
Bure tradicional com telhado de palha na Ilha Vanua Levu, em Fiji. – Imagem: Don Mammoser / Shutterstock.com

Como os pesquisadores identificaram a origem humana da ilha de conchas em Fiji

O estudo publicado na revista Geoarchaeology mostra que a ilha começou a se formar por volta do século VIII d.C. A datação por radiocarbono relaciona o sítio a grupos Lapita e pós-Lapita, responsáveis por alguns dos primeiros assentamentos permanentes em Fiji.

Fragmentos de cerâmica simples e a alta concentração de conchas indicam descarte prolongado ligado ao processamento de moluscos. A ausência de uma faixa contínua de conchas ao redor descartou a hipótese de tsunami, reforçando a origem antrópica do depósito.

Por que a ilha de conchas de Culasawani é importante para a arqueologia do Pacífico

O sítio de Culasawani é o primeiro grande shell midden insular identificado no Pacífico Sul a leste de Papua-Nova Guiné. Em uma região pouco estudada como Vanua Levu, ele amplia o mapa de sítios costeiros e sugere a existência de outros depósitos semelhantes ainda não mapeados.

  • Revela antigos padrões de subsistência, destacando o papel central dos mariscos na dieta costeira.
  • Fornece indícios de uso do solo, desmatamento interno e posterior expansão de manguezais.
  • Registra mudanças do nível do mar e da morfologia costeira nos últimos 1.200 anos.
  • Mostra como sociedades humanas remodelam discretamente o relevo, criando formas que parecem naturais.
Cientistas descobriram uma ilha inteira feita de restos de comida de humanos antigos
Fiji e seus recifes de coral – Imagem: Robert Szymanski / Shutterstock

De que forma o modo de vida costeiro formou a ilha de conchas ao longo do tempo

Durante o período Lapita e pós-Lapita, eram comuns aldeias sobre estacas próximas à linha d’água, com forte dependência de recursos marinhos. O descarte sistemático de conchas em um mesmo ponto gerou uma acumulação vertical que, ao longo de gerações, se transformou em um pequeno “morro” acima da maré alta.

Com a estabilização relativa do nível do mar e o abandono do local, manguezais colonizaram a área, fixando sedimentos finos e consolidando o terreno. Assim, a ilha de conchas resultou da interação entre ação humana repetida e processos costeiros naturais.