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Eleita 7 vezes a melhor do mundo, essa praia brasileira só tem acesso por uma fenda que esconde um paraíso único
Um paraíso com acesso feito por uma fenda.
No arquipélago de Fernando de Noronha, um corredor estreito entre paredões vulcânicos leva a uma faixa de areia escondida entre falésias cobertas por vegetação tropical. A Baía do Sancho, localizada a 545 km de Recife, já foi eleita 7 vezes a melhor praia do mundo pelo Travellers’ Choice do TripAdvisor e se tornou um dos cenários naturais mais famosos do planeta.
A descida entre rochas vulcânicas que revela a praia mais premiada do mundo
O acesso terrestre à Baía do Sancho começa por passarelas suspensas em meio à vegetação do PIC Golfinho-Sancho. No fim do percurso, uma abertura estreita na rocha conduz a uma escadaria metálica encaixada entre os paredões vulcânicos. A descida supera os 50 metros de altura e permite a passagem de apenas uma pessoa por vez. Para preservar a área, o ICMBio organiza o fluxo de visitantes nos horários de acesso.
Durante o período de chuvas, entre fevereiro e junho, pequenas cachoeiras temporárias descem das falésias e encontram o mar cristalino da praia. Sem bares, guarda-sóis ou qualquer estrutura comercial na areia, o cenário permanece praticamente intocado. Na maré baixa, piscinas naturais revelam corais, peixes coloridos e tartarugas em águas tão transparentes que a visibilidade pode alcançar até 50 metros.

O arquipélago que Vespúcio descreveu e que virou presídio por 400 anos
Fernando de Noronha foi descrito pela primeira vez por Américo Vespúcio em 1503. Um ano depois, o rei Dom Manuel I doou as ilhas a Fernão de Loronha, criando a primeira capitania hereditária do Brasil, antes mesmo da divisão oficial do território. O donatário nunca ocupou as ilhas. A partir de 1737, Noronha virou presídio político: de ciganos a farroupilhas, passando por presos da Segunda Guerra Mundial, quando a ilha serviu de base militar com tropas americanas.
O naturalista Charles Darwin passou por ali em 1832, atraído pela biodiversidade. Uma curiosidade pouco lembrada: a imagem de Fernando de Noronha descrita por Vespúcio foi publicada na Europa em 1504 e influenciou os primeiros mapas do continente americano. O nome “América” surgiu três anos depois, em homenagem ao mesmo navegante que primeiro descreveu aquelas ilhas.
O vídeo é do canal Prefiro Viajar, com 243 mil inscritos, e detalha trilhas, mirantes e segredos do acesso à escadaria:
O que mais ver em Fernando de Noronha?
O arquipélago tem 21 ilhas e 16 praias, protegidas pelo Parque Nacional Marinho (criado em 1988, com 11.270 hectares). O ingresso do ICMBio é válido por 10 dias.
- Baía dos Golfinhos: centenas de golfinhos-rotadores se reúnem ao amanhecer, no ponto de observação mais regular da espécie no planeta. Entrada na água proibida; o mirante garante a vista.
- Praia do Leão: principal área de desova de tartarugas marinhas no arquipélago, entre dezembro e junho.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais entre rochas com o Morro Dois Irmãos ao fundo, o cartão-postal mais fotografado de Noronha.
- Mergulho na Caverna da Sapata: boca submersa a 20 metros de profundidade. Visibilidade de até 50 metros em alguns pontos. Naufrágios viraram recifes artificiais na Praia do Porto.
- Planasub: o visitante é puxado por um barco segurando uma prancha submersa, deslizando sob a superfície entre peixes e tartarugas.

Patrimônio da UNESCO e turismo com limite de visitantes
Fernando de Noronha e o Atol das Rocas foram declarados Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 2001. O arquipélago abriga mais da metade das águas costeiras insulares do Atlântico Sul tropical e é área de reprodução de tartarugas, tubarões e mamíferos marinhos. O Parque Nacional Marinho cobre 70% do território; os outros 30% formam uma Área de Proteção Ambiental com ocupação humana controlada.
A visitação é limitada a 11 mil turistas por mês. Todo visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), calculada por dia de permanência. O modelo garante que a praia eleita melhor do mundo continue merecendo o título. Apenas cerca de 3.140 pessoas moram permanentemente no arquipélago, todas na ilha principal.
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Quando ir a Fernando de Noronha e como é o clima?
O clima é tropical oceânico, com temperatura da água em torno de 26°C o ano inteiro. O período seco (agosto a janeiro) oferece melhor visibilidade para mergulho. O período chuvoso (fevereiro a julho) traz as cachoeiras temporárias no Sancho e mar mais agitado para surfe.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago mais premiado do Brasil
O acesso é exclusivamente aéreo. Voos diários partem de Recife (1h20) e Natal (cerca de 1h). Há voos diretos de São Paulo (Guarulhos) em alguns dias da semana. As companhias Azul, Gol e Latam operam rotas para o Aeroporto Governador Carlos Wilson. A TPA é paga no site oficial do arquipélago ou na chegada. O ingresso do Parque Nacional Marinho custa R$ 106 para brasileiros e R$ 212 para estrangeiros (valores de referência), válido por 10 dias.
Desça a fenda e encontre a melhor praia do planeta
A Baía do Sancho é o lugar onde a escadaria termina numa faixa de areia sem nenhuma estrutura humana, a água é tão limpa que os peixes parecem voar, e entre fevereiro e junho uma cachoeira de água doce despenca da falésia direto no mar turquesa. Sete vezes eleita a melhor do mundo, a praia continua merecendo o título porque o limite de visitantes, a fenda na rocha e a ausência de conforto artificial são justamente o que a mantém assim.
Você precisa descer aquela escadaria estreita entre os paredões, pisar na areia do Sancho e olhar para cima para entender que a melhor praia do mundo é também a mais difícil de alcançar, e que é exatamente por isso que ela é a melhor.