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Passageiros de navio atingido por hantavírus voltam à terra firme

No primeiro dia de operação de desembarque de navio atingido pelo hantavírus, 94 passageiros descem na ilha espanhola de Tenerife e partem imediatamente em voos para países de origem

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Passageiros do MV Hondius a bordo de ônibus militar, em Tenerife - (crédito: Jorge Guerrero/AFP)

Depois de 29 dias em alto-mar e à mercê de um surto de hantavírus, 94 passageiros de 19 nacionalidades desembarcaram, neste domingo, em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), e começaram a ser transferidos para seus países de origem. Os outros 52 ocupantes do navio de bandeira holandesa MV Hondius deverão deixar o navio ainda nesta segunda-feira.

“A operação transcorreu com total normalidade, com total segurança”, declarou a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, no porto de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife. Dali, partiram os aviões que devolveram os passageiros do Hondius às suas nações. Os 94 ocupantes do MV Hondius foram desinfetados e monitorados antes de seguirem viagem. As autoridades espanholas informaram que todos estavam assintomáticos. 

A repatriação foi realizada a partir do aeroporto de Tenerife Sul, onde aviões que estava pronto para recebê-los e decolar imediatamente. Horas depois, um dos cinco passageiros franceses que retornavam de avião a Paris começou a apresentar sintomas. Além do voo para a França, partiram aviões para destinos diferentes: Países Baixos (Holanda) —  que levou um argentino e um guatemalteco —, Canadá, Reino Unido, Turquia e Irlanda. Os passageiros britânicos do MV Hondius desembarcaram em Manchester, no Reino Unido, e terão que cumprir quarentente por até 72 horas nas imediações de Liverpool. 

A operação de retirada dos passageiros teve início às 6h30 (pelo horário local), com a chegada do primeiro barco. Uma hora depois, um integrante do Ministério da Saúde embarcou no MV Hondius para avaliar a situação dos ocupantes. Às 9h30, os primeiros passageiros — cidadãos espanhóis — começaram a deixar o navio. Uma equipe de epidemiologistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) também subiu a bordo do MV Hondius para monitoramento. 

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, emitiu um alerta ao governo do presidente americano, Donald Trump. Segundo ele, a decisão dos Estados Unidos de não colocar em quarente os seus cidadãos retirados do MV Hondius “envolve riscos”.

Tedros celebrou o fato de que a maioria dos passageiros e da tripulação ter deixado a embarcação ontem e elogiou a excelência técnica demonstrada pelas autoridades espanholas no gerenciamento da crise. O diretor lembrou que a OMS continua a trabalhar de perto com especialistas em todos os países envolvidos. “A coordenação permanece fundamental para manter passageiros, tripulação, respondedores e comunidades saudáveis e seguros”, destacou. 

Durante as quatro semanas de viagem a bordo do MV Hondius, três passageiros morreram após contrair a doença. O navio zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, e tinha como destino a cidade de Praia, no arquipélago africano de Cabo Verde. A primeira morte ocorreu 10 dias após o embarque. Quinze dias depois, outro passageiro morreu. A terceira vítima morreu menos de uma semana depois. 

“Risco muito baixo”

Cofundador e chefe do Comitê de Liderança Científica da Rede de Vírus Gobais, e um dos infectologistas que isolou o HIV (vírus causador da Aids) na década de 1980, Robert C. Gallo  afirmou ao Correio que o risco de contágio do hantavírus detectado no MV Hondius é “muito baixo”. “Em uma pessoa infectada, no entanto, o vírus pode ser extremamente sério e mesmo letal. Isso porque ele ataque os pequenos vasos sanguíneos e pode superestimular a resposta imunológica, criando uma tempestade de citocinas, algo semelhante ao que pode ocorrer em infecções virais graves como o HIV”, explicou, por e-mail, Gallo, 89 anos, também diretor do Instituto de Virologia Translacional e Inovação da Universidade do Sul da Flórida.

Gallo disse concordar com a avaliação da OMS de que não há motivo para grande preocupação com a transmissão global generalizada. “O risco para o público em geral permanece baixo. No entanto, quando a fonte de infecção é conhecida, é importante identificar e monitorar cuidadosamente os indivíduos expostos e garantir que os pacientes infectados recebam atendimento médico precocemente, principalmente antes que a infecção progrida para um comprometimento grave dos pulmões ou vasos sanguíneos”, observou.