Rio
Gravidez na adolescência cai 62% em dez anos no Rio
Número de mães adolescentes diminuiu, enquanto aumentaram os casos de mulheres acima dos 25 anos e as gestações após os 35
A gravidez na adolescência caiu 62% na última década no Rio de Janeiro, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. O levantamento mostra uma mudança no perfil das gestantes cariocas: enquanto o número de mães entre 15 e 19 anos diminuiu, aumentou a participação de mulheres acima dos 25 anos nos nascimentos registrados na capital.
De acordo com os dados, os nascimentos entre adolescentes passaram de quase 12 mil, em 2015, para pouco mais de 4.500 em 2025. Já entre mulheres de 25 a 29 anos, a participação subiu de 21% para 28% do total de nascimentos ao longo do período analisado.
Segundo a Secretaria, a redução está ligada ao fortalecimento das políticas públicas de planejamento reprodutivo na rede municipal de saúde. Atualmente, métodos contraceptivos são oferecidos gratuitamente em unidades como Clínicas da Família e UPAs.
A superintendente de atenção primária do município, Larissa Terroso, destacou que o trabalho vai além da orientação sobre contraceptivos.
“Uma coisa importante é que não só informar sobre os métodos, não só falar sobre saúde sexual e reprodutiva… é importante a gente abordar essas meninas, essas adolescentes, também sobre projetos de vida futuro.”
Ela também ressaltou a importância de ampliar perspectivas para as jovens.
“Falar sobre empregabilidade, sobre estudos, trazer outras perspectivas enquanto sociedade para que elas pensem exatamente qual será o melhor momento para que elas engravidem.”
A especialista reforçou ainda que a responsabilidade pela prevenção da gravidez não deve recair apenas sobre as meninas.
“A gente precisa lembrar que também temos que envolver os meninos, porque também são tão corresponsáveis por uma gestação indesejada quanto as meninas.”
Gestações após os 35 anos também cresceram
O levantamento também aponta crescimento nas gestações de mulheres acima dos 35 anos, que já representam quase 13% dos casos acompanhados pela rede municipal.
Para Larissa Terroso, o cenário está relacionado à maior autonomia feminina na decisão sobre a maternidade.
“Fala muito a respeito da mulher ter mais escolha e capacidade de decisão em relação ao momento que quer engravidar.”
Apesar disso, ela alerta que a gravidez tardia exige maior atenção médica.
“Gestações acima de 35 anos trazem um pouco mais de risco, mas não é algo mandatório de acontecer. Então, precisa sim fazer um bom acompanhamento pré-natal.”
Atualmente, a rede municipal acompanha cerca de 25 mil gestantes. Desse total, pouco mais de 4 mil têm 35 anos ou mais e 859 são menores de 18 anos. A média de idade das mães atendidas é de 27 anos.
Além disso, o Governo Federal informou que o SUS oferece gratuitamente métodos contraceptivos como pílulas, DIU de cobre, preservativos masculinos e femininos, além de procedimentos como laqueadura e vasectomia.