Rio
Polícia indicia 11 narcoterroristas por morte de 5 policiais em megaoperação no Alemão e na Penha
Investigação da DHC detalha emboscada e identifica líderes do tráfico entre os indiciadosOnze integrantes do Comando Vermelho foram indiciados pela Polícia Civil do Rio pelas mortes de cinco agentes de segurança pública durante a Megaoperação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha. O inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) já foi encaminhado à Justiça.
Os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral e Rodrigo Vasconcellos Nascimento, além dos policiais militares Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca, foram mortos em meio a um ataque coordenado pelas lideranças do tráfico no Complexo da Penha.
Emboscada na mata da Vacaria
As investigações concluíram que os disparos que mataram os agentes e feriram o delegado Bernardo Leal partiram da área de mata da Vacaria, onde criminosos se posicionaram em bunkers improvisados com visão ampla da movimentação policial. Sete suspeitos foram capturados nesse esconderijo, cinco deles alvejados e dois conduzidos ilesos. Com eles, os agentes apreenderam sete fuzis e uma pistola Glock, todos com sinais recentes de uso.
Segundo as apurações, os agentes foram recebidos sob ataque intenso desde a entrada na comunidade. Os criminosos usaram barricadas incendiadas, granadas e disparos simultâneos de múltiplos pontos. Em dado momento, simularam rendição para atrair mais policiais para a linha de fogo e intensificaram os ataques justamente quando perceberam que haviam atingido os agentes e quando colegas tentavam resgatar as vítimas.
Confissão nas redes e lideranças identificadas
Um oitavo suspeito, que não foi preso durante a operação, foi identificado pelo cruzamento de dados. Ele confessou abertamente nas redes sociais ter participado do ataque e afirmou ter sido o responsável pelo tiro que atingiu o policial Rodrigo Velloso Cabral no pescoço. A autoridade policial representou pela prisão preventiva dele.
Entre os indiciados estão três lideranças da facção. Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, comanda o tráfico no Complexo da Penha e, conforme o inquérito, nenhum ataque acontece sem sua ordem. Carlos da Costa Neves, o “Gadernal”, é seu braço direto e responde pela logística, finanças e execução de ordens. Pedro Paulo Guedes, o “Pedro Bala”, atua como gerente-geral e ordena tiroteios para manter o controle territorial.
O inquérito concluiu que a intenção dos criminosos era matar o maior número possível de policiais. Os onze foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes de emboscada, uso de armamento de guerra e crime praticado contra agentes de segurança pública.