Rio
Animais famintos são resgatados de apartamento com tutor morto no Rio
Cães e gatos foram encontrados comendo corpo do tutor; agora, buscam adoção para recomeçarDoze animais domésticos foram retirados de um apartamento na Praça da Bandeira, na Zona Norte do Rio, durante uma operação de resgate realizada nesta quinta-feira, 21 de maio. O grupo, formado por quatro cães e oito gatos, estava confinado no local desde a morte do tutor, o aposentado José Dias Neto, de 77 anos.
A equipe da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais efetuou a retirada dos bichos após alertas sobre as condições do imóvel. O ambiente foi encontrado em situação de extrema insalubridade, oferecendo riscos à saúde pública e ao bem-estar dos pets.
Cuidados médicos e destino dos animais
Após o resgate, os bichos foram encaminhados para a Fazenda Modelo, unidade da prefeitura localizada em Guaratiba. No local, eles receberão assistência veterinária completa e permanecerão em quarentena antes de serem castrados e disponibilizados para novos lares.
A secretária de Proteção e Defesa dos Animais, Jeniffer Coelho, destacou a necessidade de encontrar tutores responsáveis para o grupo. “Esses bichos passaram por um trauma muito grande. Faço um apelo para que as pessoas se sensibilizem e os adotem”, afirmou a secretária.

Cenário de abandono e morte do tutor
O caso veio à tona após moradores do condomínio notarem a ausência de movimentação no imóvel por cerca de dez dias, período seguido por latidos incessantes. O corpo do proprietário foi removido do local na última sexta-feira (15). Sem acesso a comida, os animais acabaram consumindo partes do cadáver do idoso, que estava em decomposição.
O vereador Luiz Ramos Filho, que preside a Comissão de Defesa dos Animais, acompanhou a diligência e relatou que os pets sobreviviam em meio aos próprios dejetos. “Tanto os bichos quanto os vizinhos vinham sofrendo com essa situação”, explicou o parlamentar ao descrever o estado de degradação da residência.
Segundo o vereador, o episódio reflete um problema social crescente na cidade. Ele ressaltou que tem recebido diversos chamados envolvendo animais de idosos que falecem sem amparo familiar, situações que, segundo ele, exigem intervenções que vão além do acolhimento veterinário.