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Além do Tempo prova na reprise por que é uma das novelas mais sofisticadas da Globo

Com romance espiritualista, elenco afiado e estética cinematográfica, trama de Elizabeth Jhin continua emocionante e atual mesmo mais de uma década após a estreia na TV Globo

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Atuações memoráveis foram destaques em Além do Tempo

A reprise de Além do Tempo na faixa vespertina da TV Globo reforça algo que já havia ficado claro em sua exibição original em 2015: a novela de Elizabeth Jhin é uma das produções mais sofisticadas e emocionalmente envolventes da dramaturgia das seis nos últimos anos. Mesmo mais de uma década após sua estreia, a trama continua atual ao apostar em sentimentos universais, como amor, culpa, perdão e recomeço, sem depender de fórmulas rasas ou de reviravoltas exageradas para conquistar o público.

Desde os primeiros capítulos, Além do Tempo demonstra um cuidado raro na televisão aberta. A novela mergulha em um romance clássico, quase novelesco à moda antiga, mas consegue transformar clichês em virtudes graças à sensibilidade do texto e ao refinamento técnico da produção. A história de Lívia e Felipe, interpretados por Alinne Moraes e Rafael Cardoso, poderia facilmente cair no melodrama excessivo, mas encontra equilíbrio ao construir personagens humanos, imperfeitos e emocionalmente críveis.

O grande diferencial da obra continua sendo justamente a proposta espiritualista que marca os trabalhos de Elizabeth Jhin. Inspirada em conceitos de reencarnação e continuidade da vida, a novela rompe com a estrutura convencional ao promover uma passagem de tempo radical em sua segunda fase. E é exatamente aí que Além do Tempo se distancia da maioria das novelas da Globo: ela não conta apenas uma história de amor impossível, mas propõe uma reflexão sobre destino, evolução espiritual e segundas chances.

A mudança da trama de época para o universo contemporâneo, que poderia soar confusa ou artificial, acaba funcionando como um respiro criativo. Poucas novelas brasileiras tiveram coragem de reinventar completamente seu cenário, estética e dinâmica narrativa no meio da exibição. E talvez seja justamente essa ousadia que faça Além do Tempo permanecer tão viva na memória afetiva do público.

Visualmente, a novela também continua impressionando na reprise. A direção de Rogério Gomes aposta em uma fotografia elegante, valorizando as paisagens do Sul do Brasil e criando uma atmosfera quase cinematográfica em diversos momentos. Figurinos, cenografia e trilha sonora ajudam a construir um universo sofisticado, algo cada vez mais raro em produções diárias da TV aberta.

O elenco é outro ponto que merece destaque. Irene Ravache entrega uma Vitória imponente e memorável, enquanto Paolla Oliveira transforma Melissa em uma vilã intensa, movida por obsessão e ressentimento. Já Ana Beatriz Nogueira adiciona delicadeza e profundidade emocional à trama, compondo um dos trabalhos mais sensíveis da novela.

Mas talvez o maior mérito de Além do Tempo seja sua capacidade de emocionar sem apelar. Em uma era em que muitas novelas parecem reféns da pressa narrativa e da necessidade constante de viralizar nas redes sociais, a obra de Elizabeth Jhin aposta no desenvolvimento gradual das relações, no silêncio, nos olhares e nos conflitos internos. É uma novela que exige envolvimento do público — e justamente por isso recompensa quem embarca na história.

A reprise também evidencia como a dramaturgia da Globo mudou nos últimos anos. Além do Tempo pertence a um período em que as novelas ainda tinham mais espaço para contemplação, romance clássico e construção poética. Hoje, revisitar essa obra provoca certa nostalgia de uma televisão mais paciente, preocupada em criar atmosfera e emoção antes de simplesmente buscar repercussão imediata.

Não à toa, a novela segue sendo lembrada como uma das produções mais cultuadas da faixa das seis. E sua volta ao ar prova que algumas histórias realmente conseguem atravessar o tempo — exatamente como a própria trama sugere.

O texto Além do Tempo prova na reprise por que é uma das novelas mais sofisticadas da Globo foi publicado primeiro no Observatório da TV.