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Rússia lança ataque massivo contra Kiev com míssil hipersônico
Bombardeio deixou mortos e feridos na capital ucraniana e ampliou a tensão internacional sobre a guerra
A Rússia realizou, neste domingo (24/5), um dos maiores ataques contra Kiev, capital ucraniana, desde o início da guerra, deixando ao menos quatro mortos e dezenas de feridos, segundo autoridades. O bombardeio incluiu o uso do míssil hipersônico Oreshnik, de acordo com o presidente Zelensky.
Durante a madrugada, fortes explosões foram ouvidas em diferentes pontos de Kiev. De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, Moscou lançou cerca de 600 drones e 90 mísseis no ataque. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que duas pessoas morreram na cidade e dezenas ficaram feridas. Outras duas vítimas fatais foram registradas na região metropolitana da capital.
🪖💥 'Por Starobelsk': Rússia lança o ataque mais intenso à capital ucraniana desde o início do conflito
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) May 24, 2026
❗️ Em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra instalações civis em território russo, as Forças Armadas da Rússia realizaram um ataque maciço utilizando mísseis… pic.twitter.com/EideOpCjOM
Ao longo do dia, equipes de emergência trabalharam no combate a incêndios e na busca por sobreviventes entre os escombros. Imagens divulgadas pela imprensa internacional mostraram danos severos em prédios residenciais, escolas, universidades, centros comerciais, museus e teatros.
Segundo os militares ucranianos, os sistemas de defesa aérea conseguiram derrubar 549 drones e 55 mísseis lançados pelas forças russas.
Em algumas áreas de Kiev, moradores buscaram abrigo em estações subterrâneas de metrô. Uma jovem de 21 anos, identificada como Sofia Melnichenko, relatou momentos de desespero durante o ataque. Ela afirmou que, após várias explosões, parte do teto da estação começou a ceder, provocando pânico entre as pessoas que estavam no local.
Zelensky afirmou que o bombardeio deixou ao menos 69 feridos na capital e acusou Moscou de atingir estruturas civis, incluindo instalações de abastecimento de água, mercados e escolas. Em publicação nas redes sociais, o líder ucraniano classificou a ação como um ato de “terror”.
O governo russo confirmou o uso do míssil Oreshnik, alegando que a ofensiva foi uma resposta a ataques ucranianos contra infraestruturas civis em território controlado pela Rússia. Moscou, porém, negou ter mirado civis e afirmou que os alvos eram centros de comando militar e instalações de inteligência da Ucrânia.
Além de Kiev, outras regiões do país também registraram vítimas. Autoridades locais informaram feridos em Kharkiv, Cherkasy e Dnipropetrovsk.
A ofensiva provocou reações internacionais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou os ataques e afirmou que ações contra civis demonstram “desespero”. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o uso do míssil hipersônico como uma estratégia de intimidação política. Já o chanceler alemão Friedrich Merz chamou a ofensiva de “escalada irresponsável”.
Líderes como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o presidente da França, Emmanuel Macron, também criticaram os ataques e alertaram para o agravamento do conflito.
Horas antes da ofensiva, tanto Zelensky quanto a embaixada dos Estados Unidos em Kiev haviam alertado para a possibilidade de um grande ataque russo iminente.
O míssil Oreshnik já havia sido utilizado anteriormente pela Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Segundo Moscou, as versões empregadas até agora não carregavam ogivas nucleares.
O presidente russo, Vladimir Putin, havia prometido retaliar um ataque ucraniano ocorrido dias antes em Starobilsk, área ocupada por forças russas, que deixou 21 mortos. Kiev afirmou que o alvo da operação era uma unidade de drones militares russos e negou ter atacado civis.
Enquanto os confrontos se intensificam, as negociações mediadas pelos Estados Unidos para tentar encerrar a guerra seguem paralisadas em meio ao aumento das tensões internacionais no Oriente Médio.
Com informações da AFP*