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Deolane pode ter que retirar o mega hair na prisão por causa de uma regra que vale para todas as detentas em SP
Regra interna do presídio veta apliques, piercings e adereços nas detentas; veja detalhes das regras da prisão
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra terá que retirar o mega hair para permanecer na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, segundo policiais penais ouvidos pelo G1. A medida não é uma exigência específica para ela: faz parte do conjunto de regras de segurança que vale para todas as presas da unidade, conforme nota da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP-SP). Apliques, piercings e outros adereços são vetados pelo mesmo motivo.
Por que o mega hair é considerado risco de fuga em presídio?
A explicação dada pelos policiais penais à reportagem do G1 envolve três usos possíveis do alongamento capilar dentro da unidade. O cabelo postiço pode esconder objetos pequenos, pode ser amarrado a lençóis ou outros tecidos para tentativas de escapar do pavilhão, ou ainda servir para uma detenta se passar por outra pessoa, como uma visitante, no momento da saída do presídio.
A restrição não é dirigida à influenciadora especificamente. Vale como norma geral da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista e se aplica a qualquer presa que chegue à unidade usando aplique.
Que outros adereços são proibidos no presídio onde Deolane está?
Além do mega hair, a unidade veta piercings e outros acessórios estéticos. Joias e adereços pessoais também são confiscados na chegada da detenta, conforme relato dos policiais penais ao G1. As restrições atingem itens que possam servir como ferramenta improvisada ou como meio de troca dentro do presídio.
A regra de uniformização chega até a vestimenta. Deolane usa o uniforme caqui padrão da SAP-SP e recebe os mesmos itens de higiene e dormitório das demais detentas — colchão, travesseiro, lençol, cobertor e toalha.
Regras de segurança em presídios femininos
Entenda as diretrizes aplicadas a todas as detentas da unidade prisional.
💇️ Regra do mega hair
É proibido por risco de ocultar objetos, servir como corda em tentativas de fuga ou para simular identidade no momento da saída.
🔒 Outros itens restritos
Piercings, joias e acessórios estéticos são confiscados na chegada por motivos de segurança e para evitar trocas ilícitas.
👕 Uniformização obrigatória
Todas as detentas usam o uniforme caqui padrão da SAP-SP e recebem os mesmos itens básicos de dormitório e higiene.
⚖️ Direito de advogados
A acomodação em ala separada ou Sala de Estado-Maior para advogados é uma garantia legal, não um privilégio.
É verdade que Deolane teve regalias na prisão antes da transferência?

A SAP-SP nega tratamento diferenciado. Em nota enviada à imprensa, o órgão afirmou que todas as pessoas detidas no estado de São Paulo seguem rigorosamente as mesmas normas do sistema prisional paulista e que a custódia da influenciadora ocorreu conforme determinação judicial, considerando seu registro ativo na OAB.
A manifestação veio depois de denúncia do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal), formalizada em 22 de maio à Direção-Geral da Polícia Penal. O sindicato aponta que Deolane teria recebido, nas 14 horas em que ficou na Penitenciária Feminina de Santana — antes da transferência para Tupi Paulista —, uma cama diferenciada, um chuveiro elétrico privativo, uma sala reformada exclusivamente para recebê-la e a mesma alimentação destinada aos agentes penitenciários. A entidade pediu apuração administrativa e a identificação dos responsáveis.
Por ser advogada, Deolane tem direito a permanecer em sala de Estado-Maior antes do trânsito em julgado da sentença, conforme prevê o art. 7º, inciso V, do Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994). Na ausência desse tipo de instalação, a lei admite prisão domiciliar. A Comissão de Prerrogativas da OAB-SP acompanha o caso e tem reforçado que a acomodação em ala separada da população carcerária comum não é privilégio, mas garantia legal aplicada a qualquer advogado preso preventivamente.
Onde Deolane está presa e como foi a chegada à unidade?
A influenciadora foi presa em 21 de maio de 2026, em Alphaville, na Grande São Paulo, em uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No dia seguinte, foi transferida da Penitenciária Feminina de Santana para a unidade de Tupi Paulista, no interior do estado.
Segundo relato de policial penal à reportagem do Metrópoles, na chegada à unidade Deolane passou pelo procedimento padrão de revista íntima, feito sem roupas, e não ofereceu resistência. Ela está em pavilhão especial da penitenciária, sem contato direto com as demais internas. A Justiça já negou o primeiro pedido de liberdade da defesa, e o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, afirmou não ver “manifesta ilegalidade” na prisão preventiva.