Entretenimento
Onde um rei já viveu, a “Cidade Imperial” brasileira hoje se destaca pelo friozinho e pela forte cultura cervejeira
O passado ligado à realeza e a forte cultura cervejeira.
Envolta pelas montanhas da Serra Fluminense, Petrópolis preserva um cenário raro no Brasil: ruas arborizadas, casarões do século XIX e construções ligadas diretamente à história do Império. A cerca de 68 km do Rio de Janeiro, a cidade surgiu como refúgio de clima ameno para a família imperial e acabou se transformando em um dos destinos históricos mais importantes do país.
O projeto imperial que transformou a serra em residência da corte
A origem de Petrópolis está ligada ao interesse de Dom Pedro I pelas temperaturas mais baixas da região serrana. Em 1830, o imperador adquiriu a antiga Fazenda do Córrego Seco, mas foi apenas durante o reinado de Dom Pedro II que o projeto urbano saiu do papel. Em 1843, o monarca oficializou a criação da cidade e encarregou o engenheiro alemão Julius Friedrich Koeler de planejar o traçado urbano.
O resultado foi uma cidade organizada com ruas largas, canais e áreas verdes integradas ao relevo da serra, características que ainda definem o centro histórico petropolitano. Ao longo do século XIX, palacetes, igrejas e residências aristocráticas começaram a ocupar a região, consolidando Petrópolis como principal residência de verão da corte brasileira. Mesmo após a queda da monarquia, em 1889, grande parte desse patrimônio foi preservada, transformando a cidade em uma das maiores referências arquitetônicas do período imperial no Brasil.

O que visitar no centro histórico da Cidade Imperial
Boa parte das atrações do centro histórico fica a poucos minutos a pé umas das outras, o que torna o passeio a pé a melhor estratégia para aproveitar o dia.
- Museu Imperial: instalado no antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II, sob gestão do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). O acervo reúne mais de 7 mil objetos tridimensionais do Primeiro e Segundo Reinados. O ponto alto é a coroa de Dom Pedro II, feita em 1841 pelo ourives Carlos Marin com 639 diamantes e 77 pérolas. Visitantes calçam pantufas para preservar o piso original.
- Casa de Santos Dumont: apelidada de “A Encantada” pelo próprio inventor, a residência de 1918 tombada pelo IPHAN revela a personalidade de Alberto Santos Dumont em cada detalhe. A escada tem degraus em formato de raquete que obrigam todos a começar pelo pé direito. A casa não tinha cozinha: as refeições vinham do Palace Hotel vizinho. Em 2025, recebeu mais de 154 mil visitantes.
- Palácio Quitandinha: ex-cassino de 1944, com o maior salão de festas da América Latina, hoje administrado pelo SESC Rio como centro cultural. A arquitetura normanda e o espelho d’água na entrada são cenário para exposições e eventos.
- Catedral de São Pedro de Alcântara: concluída em 1884 em estilo neogótico francês. Os vitrais e o mausoléu imperial, que guarda os restos mortais de Dom Pedro II e sua família, fazem dela uma das igrejas mais imponentes do Brasil.
- Avenida Koeler: a rua mais famosa da cidade, com casarões históricos alinhados ao longo de um canal. A Casa da Princesa Isabel fica aqui, tombada pelo IPHAN e visível apenas da calçada.
- Palácio de Cristal: estrutura de ferro e vidro de 1884, construída na Bélgica e montada em Petrópolis. Hoje abriga exposições culturais e eventos. Foi cenário histórico de assembleias do período imperial.
O vídeo é do canal Viajantes de Estação em Estação, que apresenta os 25 melhores pontos turísticos da região, incluindo o Museu Imperial, a Casa de Santos Dumont e o icônico Palácio Quitandinha:
Petrópolis é o berço da cerveja no Brasil
Em 1853, o imigrante alemão Henrique Leiden fundou em Petrópolis a primeira cervejaria do Brasil. A marca ficou conhecida como Bohemia em 1898 e continua ativa até hoje. A Setur Petrópolis reconhece a cidade como Capital Estadual da Cerveja, com mais de 20 cervejarias artesanais em operação.
No espaço da antiga fábrica da Bohemia funciona o Tour Cervejeiro, que apresenta a história da cerveja, o processo de produção e encerra com degustações. A cidade também sedia a Bauernfest, a segunda maior festa de cultura alemã do Brasil, que acontece anualmente em julho. O Circuito da Vila Cervejeira, no entorno do Palácio de Cristal, reúne cinco marcas locais num raio caminhável.

O que comer na serra fluminense
A gastronomia de Petrópolis combina influência alemã, portuguesa e serrana, com destaque para pratos de inverno que combinam bem com o clima de altitude.
- Fondue: queijo, carne ou chocolate, servido em pousadas e restaurantes do centro e de Itaipava. Prato mais pedido nos meses frios.
- Bacalhau: herança portuguesa presente em casas tradicionais como o Transmontano, referência da culinária da cidade há mais de 40 anos.
- Massas artesanais: influência dos colonizadores alemães e italianos, servidas em restaurantes do centro histórico e na Rua Teresa.
- Doces e bolachas alemãs: encontrados na Rua Teresa, que concentra lojas de roupas e confeitarias, especialmente movimentadas no inverno.
- Cervejas artesanais harmonizadas: os bistrôs do Circuito Cervejeiro oferecem menus com harmonização entre pratos serranos e rótulos locais.

Qual a melhor época para visitar Petrópolis?
O inverno é a alta temporada. O ruço, névoa característica das manhãs frias, adiciona charme especial ao centro histórico. Em julho, a Bauernfest atrai público de todo o estado. O verão tem chuvas frequentes, mas manhãs abertas permitem visitar os museus com tranquilidade.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme altitude e época do ano.

Como chegar à Cidade Imperial saindo do Rio
Petrópolis fica a 68 km do Rio de Janeiro pela BR-040, com tempo médio de 1h30 de carro, dependendo do tráfego. A empresa Única Fácil opera ônibus regulares saindo da Rodoviária Novo Rio, com viagem de cerca de 1h. Quem parte de São Paulo usa a BR-116 até o Rio e segue pela BR-040, percurso total de aproximadamente 450 km.
Leia também: Com 39 praias, esta cidade preserva 60% de sua mata e oferece águas cristalinas a 70 km de Florianópolis.
Uma cidade que guarda o Brasil que quase não existe mais
Petrópolis oferece o que poucas cidades brasileiras conseguem reunir: patrimônio imperial preservado, cerveja com 170 anos de história, natureza de Mata Atlântica a 800 metros de altitude e uma gastronomia serrana que aquece qualquer tarde de inverno.
Você precisa subir a serra e conhecer Petrópolis, a cidade onde o Brasil do século XIX ainda tem endereço e está aberto para visita.