Brasil
Moraes manda PGR avaliar inclusão de Jair e Flávio em ação contra Eduardo
Investigação apura se R$ 134 milhões de suposta cinebiografia do ex-presidente foram desviados para financiar lobby e pressão contra autoridades brasileiras nos EUAO ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, na terça-feira (26/5), que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em até cinco dias sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em inquérito aberto contra o deputado cassado Eduardo Bolsonaro.
A investigação apura a atuação do ex-parlamentar nos Estados Unidos, onde ele é réu sob acusação de articular sanções contra o Brasil e coagir autoridades brasileiras para interferir no julgamento de seu pai por tentativa de golpe de Estado.
A ampliação das investigações foi solicitada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), fundamentada em reportagens que revelaram áudios de Flávio pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O objetivo do financiamento seria a produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse. Os dados levantados indicam cifras expressivas: Vorcaro teria acordado destinar R$ 134 milhões à produção do filme, e R$ 61 milhões já teriam sido efetivamente liberados.
A suspeita central é de que os recursos destinados ao filme tenham sido desviados, total ou parcialmente, para financiar uma campanha internacional de lobby e pressão nos EUA contra autoridades brasileiras, incluindo pedidos de sanções, restrições de vistos e tarifas comerciais.
Segundo o pedido de Farias, Eduardo Bolsonaro seria o principal operador desses valores em território estadunidense, onde reside desde fevereiro de 2025.
A tese da acusação aponta que o mesmo núcleo familiar buscou reconstruir a imagem pública de Jair Bolsonaro através da obra audiovisual, enquanto simultaneamente atuava para deslegitimar o STF e obter anistia para os envolvidos na trama golpista.
Medidas duras contra Flávio
Além da inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro como investigados, a petição de Lindbergh requer medidas rigorosas contra o senador, tais como apreensão do passaporte e proibição de deixar o país sem autorização judicial, veto a contato com Vorcaro e outros investigados, bloqueio de bens e valores ligados ao caso e rastreamento financeiro via Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central e Receita Federal, além do pedido de cooperação jurídica internacional com os EUA para acessar registros bancários e contratos de lobby no exterior.
No mesmo dia da decisão de Moraes, Eduardo e Flávio divulgaram fotos de um encontro em Washington com o presidente norte-americano, Donald Trump. Paralelamente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se manifestou no inquérito do ex-deputado pedindo a condenação de Eduardo Bolsonaro pelos atos de coação e interferência.