Brasil
Motta exalta Lula após aprovação do fim da escala 6×1: “Apoio essencial”
Presidente da Câmara celebrou "momento histórico" nas redes sociais e destacou atuação do governo petista na articulação da PEC que reduz a jornada de trabalho e garante dois dias de descanso semanalO presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou as redes sociais na manhã desta quinta-feira (28/5) para celebrar a aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1. Em publicação no X, o parlamentar compartilhou uma postagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou ter “honra e felicidade” de conduzir a Câmara “neste momento histórico”.
Na mensagem, Motta afirmou que o Parlamento “entrega ao país uma reforma voltada à vida das pessoas” e destacou o processo de negociação construído nos últimos dias. “Debatemos, dialogamos, divergimos e construímos consensos possíveis”, escreveu o presidente da Câmara. Ele também fez questão de registrar que o apoio de Lula “foi essencial” para a aprovação do texto.
A manifestação ocorre horas após a Câmara aprovar, em dois turnos, a proposta que substitui a escala 6×1 pelo modelo 5×2 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto recebeu 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo, placar muito acima dos 308 necessários para mudanças constitucionais.
A aprovação foi resultado de um acordo político costurado diretamente entre Hugo Motta e o Palácio do Planalto. Nos bastidores, o presidente da Câmara assumiu a condução das negociações com líderes partidários, enquanto o líder petista atuou para consolidar apoio da base governista e reduzir resistências no Centrão e em setores empresariais.
Ainda na terça-feira (26), durante agenda em Manaus, Lula já havia antecipado o entendimento com Motta. Na ocasião, o presidente afirmou que o Congresso e o governo haviam fechado acordo para “acabar com a escala seis por um”, garantindo dois dias de descanso aos trabalhadores.
O texto aprovado prevê uma transição gradual. Sessenta dias após a promulgação da PEC, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de folga. Depois de 12 meses, a carga horária será reduzida para 40 horas.
A proposta nasceu a partir da pressão de movimentos trabalhistas e ganhou força no Congresso após mobilizações pelo fim da escala 6×1. O texto original, defendido por parlamentares da esquerda, previa uma jornada ainda menor, de 36 horas semanais em escala 4×3. O modelo aprovado, porém, foi considerado por líderes partidários uma solução intermediária capaz de reunir apoio amplo na Câmara.
Com a aprovação na Câmara, a PEC segue agora para análise do Senado Federal, onde precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça e ser aprovada em dois turnos por pelo menos 49 senadores.
