Rio
Mulher de “Rabicó” e mais 19 são presos em operação contra esquema milionário do CV
Operação da Polícia Civil mira esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho que movimentou mais de R$ 453 milhões
A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (29), uma megaoperação contra o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV). A investigação aponta que o esquema criminoso movimentou mais de R$ 453 milhões em recursos ligados ao tráfico de drogas. Até o momento, pelo menos 21 pessoas foram presas.
Entre os alvos capturados está Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Ela foi localizada na comunidade durante a ação.
Um dos presos na operação foi Marcelo Roberto da Silva, motorista da linha 169. Segundo a polícia, ele trabalhava e seguia em direção ao ponto final, em Ipanema, quando foi avisado pela esposa de que estava sendo procurado, após agentes irem até sua residência. Policiais também aguardavam no ponto final da linha. Ao perceber a movimentação, Marcelo parou o ônibus em Botafogo, desembarcou os passageiros e informou ao despachante que passava mal e retornaria para a garagem, no Andaraí. A atitude levantou suspeita de fuga, e os agentes iniciaram buscas. Ele acabou localizado na Avenida Presidente Vargas.
Veja alguns dos presos na operação:
- Carlos Roberto de Alcântara (prisão domiciliar)
- Raquel Neves dos Santos Mendonça
- Eduardo da Silva Mendonça
- Manuel Gomes Pereira Soares (prisão domiciliar)
- Tania Mara Dias Davila
- Maria Pursina Fernandes Costa (prisão domiciliar)}
- Ricardo de Lyra Ribeiro (preso)
- Iure Fernando dos Santos (preso)
- Cristiani de Souza da Rocha
- Marcelo Tozzo Evangelista
- Edmilson Adames
- Zeinab Ali Chalhoub (Foz do Iguaçu-PR)
- Patricia Gonçalves de Lima
- Guilherme Henrique Bahls (Curitiba-PR)
- Danielle Neves da Silva
- Jackson Baltar (prisão domiciliar)
A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e acontece em municípios do Rio de Janeiro e de outros cinco estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
No território fluminense, os mandados são cumpridos na capital, em São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana; Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense; além de Iguaba Grande e Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.
Polícia aponta uso de empresas para ocultar dinheiro do tráfico
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas ligadas ao setor de reciclagem e comércio de sucatas para mascarar a origem do dinheiro obtido com o tráfico. A estrutura incluía emissão de notas fiscais falsas, depósitos fracionados em espécie e transferências constantes entre contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores.
A apuração identificou ainda a atuação de um operador financeiro responsável por administrar empresas de fachada, movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio da facção por meio de terceiros.
Os agentes também encontraram indícios de receptação qualificada e identificaram locais usados para a queima clandestina de cabos de cobre. De acordo com a Polícia Civil, empresas do ramo de sucatas transferiam milhões de reais para contas controladas pelo esquema criminoso.
Investigação durou mais de um ano
A operação é resultado de cerca de um ano e quatro meses de investigação conduzida pela DRE. Durante o trabalho, os policiais utilizaram relatórios do Coaf, análises bancárias e cruzamento de dados financeiros, além de quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático autorizadas pela Justiça.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio.
A ação conta com apoio de equipes da Core, Bope, Polícia Técnico-Científica e unidades operacionais da Polícia Civil e da Polícia Militar.
Segundo a corporação, o principal objetivo é enfraquecer a estrutura financeira que sustenta o tráfico de drogas e reduzir a capacidade econômica do Comando Vermelho.
Quem é Rabicó
Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, tem 61 anos e é apontado como um dos chefes do tráfico no Complexo do Salgueiro desde o fim da década de 1990.
Ele possui antecedentes por crimes como homicídio, roubo majorado e associação criminosa. As investigações indicam que o traficante mantém influência em comunidades da Região Metropolitana do Rio e integra a cúpula do Comando Vermelho.