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A cidade ideal para provar a peixada caiçara e percorrer suas destilarias artesanais de cachaça

Paraty e a Revolta da Cachaça: Um Capítulo Marcante do Brasil Colonial

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A cidade ideal para provar a peixada caiçara e percorrer suas destilarias artesanais de cachaça
Por Que Paraty é um dos Destinos Mais Fascinantes do Brasil

O cheiro de cana fermentada sobe da mata e encontra o salgado da baía antes mesmo de você entrar no centro histórico de Paraty. A Joia do Atlântico, como é chamada pelos moradores, guarda ruas de pedra onde carros não entram e o mar sim, nas noites de lua cheia.

Por que a cachaça de Paraty é diferente de todas as outras?

Paraty foi a primeira cidade do Brasil a receber o selo de Indicação Geográfica de Procedência para a cachaça, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2007. Em 2020, o reconhecimento evoluiu para Denominação de Origem, o nível mais alto de proteção geográfica, tornando a cachaça local o primeiro destilado brasileiro com esse título.

O município chegou a abrigar mais de 150 alambiques no século XIX. Hoje são seis em operação, todos artesanais e abertos à visitação. Juntos, produzem entre 350 mil e 400 mil litros por ano e exportam parte para os Estados Unidos e a Alemanha. A tradição remonta ao período colonial: a cana crescia nos morros úmidos da Serra da Bocaina, onde a chuva constante prejudicava a produção de açúcar, e a aguardente foi a saída encontrada para manter a economia viva.

A revolta que a cachaça causou em 1660

Muito antes dos selos e prêmios internacionais, a cachaça já movia o país a ponto de gerar uma rebelião. Em novembro de 1660, senhores de engenho fluminenses liderados por Jerônimo Barbalho se levantaram contra os impostos abusivos cobrados pelos portugueses sobre a produção da aguardente. Os revoltosos tomaram o poder no Rio de Janeiro, prenderam o governador em exercício e governaram a capitania por cinco meses, até abril de 1661. O episódio ficou na história como a Revolta da Cachaça, e Paraty estava no centro econômico desse conflito: era por aqui que passava o comércio da bebida que desafiou a Coroa portuguesa.

A cidade colheu os frutos dessa tradição. O mesmo caminho que escoava a cachaça morro abaixo virou rota do ouro de Minas Gerais em direção a Portugal. O Caminho do Ouro transformou Paraty no porto mais estratégico do litoral sul fluminense por quase um século.

Paraty: Patrimônio Mundial, Cultura Viva e Sabores Inesquecíveis

O que visitar além dos alambiques na Joia do Atlântico

A cidade tem três reconhecimentos da UNESCO: Patrimônio Mundial Misto desde 2019 (primeiro sítio dessa categoria no Brasil e na América Latina), Cidade Criativa da Gastronomia desde 2017 e tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1958. Com 65 ilhas e acesso a centenas de praias, o município guarda opções para quem quer pedra portuguesa e para quem prefere mar aberto.

  • Rota da Cachaça: seis alambiques abertos à visitação nos arredores do centro, entre eles Coqueiro, Engenho D’Ouro, Paratiana e Maria Izabel. Cada um tem tour guiado pelo processo de produção, degustação e loja. O alambique Paratiana mantém ainda um museu com mais de 4.000 rótulos de cachaça.
  • Centro Histórico: conjunto colonial tombado onde carros são proibidos. As ruas de pedra “pé de moleque” foram construídas com inclinação calculada para o mar invadir e limpar o calçamento nas noites de lua cheia, fenômeno que ainda acontece hoje.
  • Trilha do Caminho do Ouro: trecho preservado da rota colonial que ligava Paraty a Ouro Preto. É possível caminhar sobre as pedras originais do século XVIII pela estrada Paraty-Cunha.
  • Praia de Trindade: vila de pescadores a 25 km do centro, com piscinas naturais entre rochas e uma das faixas de areia mais preservadas da Costa Verde. Ponto de partida para a trilha da Pedra que Engole.
  • FLIP: a Festa Literária Internacional de Paraty acontece anualmente em julho e reúne escritores do mundo inteiro nos casarões do centro histórico. É um dos maiores festivais literários do planeta.

Peixada caiçara e os sabores que a UNESCO reconheceu

Paraty integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO pela gastronomia desde 2017, e a culinária mistura influências caiçaras, indígenas e portuguesas de um jeito que pouca cidade no Brasil consegue reproduzir. Os ingredientes chegam do mar ao lado, da mata ao fundo e dos quintais dos moradores.

  • Peixe azul-marinho: prato caiçara de origem indígena em que o peixe cozinha embrulhado em folha de banana até a pele ganhar uma coloração escura característica. O sabor é defumado e adocicado ao mesmo tempo.
  • Peixada caiçara: caldeirada generosa com peixes frescos do dia, temperada com ervas da mata e servida com pirão. O caldo grosso que acompanha é considerado o melhor da refeição por quem mora na cidade.
  • Cachaça envelhecida em madeira nativa: cada alambique usa tonéis de espécies diferentes, como bálsamo e amburana, produzindo perfis de sabor distintos. Provar a mesma cana destilada em madeiras diferentes é parte obrigatória de qualquer visita.
  • Doces de tabuleiro: pé-de-moleque, manuê-de-bacia e maçapão vendidos em carrinhos de madeira pelas ruas do centro. A receita do manuê é passada de geração em geração entre as famílias caiçaras.

Como é o clima em Paraty ao longo do ano

A cidade tem clima tropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. O inverno seco, de junho a agosto, é a melhor época para percorrer o centro a pé e visitar os alambiques sem interrupção de chuvas.

EstaçãoMesesTemperaturaChuvaO que fazer
VerãoDez-Fev24-33°CAltaIlhas e praias pela manhã, alambiques à tarde
OutonoMar-Mai20-28°CMédiaTrilhas, centro histórico, gastronomia
InvernoJun-Ago17-25°CBaixaFLIP, Rota da Cachaça, Caminho do Ouro
PrimaveraSet-Nov20-30°CMédiaPraias, passeios de barco, festivais

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Paraty saindo do Rio ou de São Paulo

Paraty fica a cerca de 258 km do Rio de Janeiro e a 280 km de São Paulo, ambos pela BR-101 (Rio-Santos). De carro, o trajeto leva cerca de 4 horas a partir das duas capitais, com paisagem de serra e mata atlântica na descida. Ônibus regulares partem das rodoviárias do Rio e de São Paulo com frequência diária. A cidade não tem aeroporto comercial; o de Angra dos Reis fica a cerca de 100 km.