Rio
Grupo criminoso desvia R$ 38 milhões de empresário com câncer terminal no RJ
Operação mira quadrilha que fraudava empresas e precatórios de alto valor; grupo responde por crimes como estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica
A Polícia Civil realizou uma operação para desarticular uma quadrilha que se aproveitou do estado de saúde terminal de um empresário para desviar recursos. O grupo é suspeito de forjar documentos e assumir o controle de bens valiosos pouco antes do falecimento da vítima.
Entre as irregularidades identificadas, destaca-se um testamento assinado apenas duas horas antes da morte do paciente. O documento nomeava uma das investigadas como principal beneficiária e inventariante de todo o patrimônio.
Esquema envolvia testamento e precatórios milionários
De acordo com as investigações da Delegacia de Defraudações (DDEF), o grupo também articulou a cessão de um crédito judicial no valor de R$ 38,5 milhões. A transferência para escritórios de advocacia ocorreu poucos dias antes do óbito do empresário, que lutava contra um câncer.
Pouco tempo depois do falecimento, os agentes verificaram que R$ 1,1 milhão foi depositado diretamente na conta de uma das pessoas investigadas. O montante é referente a uma parte dos precatórios que pertenciam às empresas da vítima.
Transferências e criação de empresas de fachada
O esquema contava com uma estrutura sofisticada para dificultar o rastreamento do dinheiro e manter o domínio sobre os ativos financeiros. Os principais pontos do golpe incluem:
- Alteração no quadro societário de empresas detentoras de créditos judiciais três meses antes da morte do proprietário.
- Uso de assinaturas falsas e documentos com amplos poderes de representação concedidos a membros da quadrilha.
- Abertura de novas pessoas jurídicas para movimentar os valores desviados e ocultar a origem dos recursos.
Batizada de Operação Último Suspiro, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos bairros do Rio de Janeiro nesta segunda-feira. As equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) estiveram em endereços no Centro e nas Zonas Sul, Norte e Sudoeste.
O grupo responde por crimes como estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. O material apreendido será analisado para detalhar a dinâmica financeira e garantir a punição de todos os envolvidos no esquema.