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Obesidade infantil avança no Brasil e preocupa especialistas

Dia de Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil reforça a importância da prevenção; Rio de Janeiro já registra mais de 277 mil crianças com excesso de peso

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Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (3), quando é celebrado o Dia de Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil, especialistas chamam atenção para o avanço da doença entre crianças e adolescentes. Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia global, a obesidade infantil é um dos maiores desafios da saúde pública pediátrica.

Em todo o mundo, cerca de 224 milhões de crianças em idade escolar convivem com a obesidade. No Brasil, os números também preocupam. De acordo com o Atlas Global da Obesidade, o país pode se tornar, até 2030, o quinto do mundo com mais crianças e adolescentes obesos.

Segundo o levantamento, em 2025 o Brasil registrou cerca de 1,7 milhão de crianças com obesidade e outras 783 mil com obesidade severa.

Um dos fatores apontados pelo Ministério da Saúde para o aumento dos casos é a exposição precoce aos alimentos ultraprocessados, que podem comprometer a saúde desde a infância.

A endocrinologista pediátrica Flávia Jasmim destaca que os hábitos adquiridos durante a pandemia contribuíram para o crescimento da obesidade infantil.

“A pandemia enraizou nas famílias hábitos muito ruins, como excesso de tela e aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, industrializados e embutidos. Essa nova geração de crianças tem mais dificuldade em brincadeiras ativas e também em consumir alimentos in natura. A família precisa ser exemplo, comer bem, oferecer alimentos naturais e evitar ao máximo os ultraprocessados. Com uma boa rotina, conseguimos evitar bastante essa evolução para a obesidade que estamos vendo hoje.”

O nutrólogo Murilo Monteiro ressalta que a identificação precoce do problema é fundamental para garantir um tratamento eficaz.

“O primeiro passo é buscar uma avaliação médica para identificar as causas do ganho de peso, possíveis complicações associadas e definir o tratamento mais adequado para cada criança. A obesidade infantil é uma doença crônica e seu tratamento deve ser individualizado.”

O especialista explica que o acompanhamento deve envolver diferentes profissionais.

“A abordagem inclui uma equipe interdisciplinar formada por médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo, atuando de forma integrada para promover mudanças sustentáveis no estilo de vida.”

Situação preocupa no Rio de Janeiro

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional apontam que o estado do Rio de Janeiro registrou, em 2025, mais de 277 mil crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso.

Especialistas reforçam que a adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida é essencial para prevenir doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.