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A nova regra de 2026 está levando muitas famílias a revisarem seus planos de herança
O que todo proprietário deveria saber sobre as novas regras do inventário em 2026.
Perder um ente querido já é um processo doloroso, mas a burocracia que se segue pode transformar o luto em um problema financeiro sério. Em 2026, com as novas alíquotas progressivas do ITCMD trazidas pela Reforma Tributária, o custo total de um inventário no Brasil pode consumir entre 10% e 15% do patrimônio deixado e esse percentual sobe ainda mais quando há atraso, conflito entre herdeiros ou documentação irregular. Entender cada parcela da conta é o primeiro passo para proteger o que uma vida inteira de trabalho construiu.
Quais são os custos obrigatórios de um inventário em 2026?
O valor de um inventário nunca é fixo. Ele é sempre proporcional ao patrimônio deixado e se divide em três pilares obrigatórios que todo herdeiro precisa conhecer: o imposto estadual (ITCMD), as custas de cartório ou judiciais e os honorários advocatícios. O custo total varia entre R$ 5.000 e R$ 200.000, conforme o patrimônio e a modalidade escolhida.
O ITCMD é o maior custo isolado do inventário e deve ser pago antes da transferência dos bens para o nome dos herdeiros. Com a Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023), a progressividade desse imposto tornou-se obrigatória para todos os estados, com alíquotas que variam de 2% a 8% conforme o valor transmitido. Além do imposto, há os emolumentos de cartório (no inventário extrajudicial) ou as custas processuais (no judicial), e os honorários do advogado, cuja contratação é exigência legal em qualquer modalidade.

Quanto custa um inventário extrajudicial comparado ao judicial?
A diferença de custo entre as duas vias é expressiva e pode ser decisiva para famílias com patrimônio modesto. O inventário extrajudicial, feito em cartório, representa economia de até 88% em relação ao judicial e é concluído em 45 a 90 dias, contra 12 a 36 meses da via judicial. No entanto, ele só é possível quando todos os herdeiros são maiores, capazes e concordam com a partilha.
A tabela a seguir resume os custos médios para um patrimônio de R$ 500.000,00, considerando as faixas praticadas em 2026.
Sempre que houver acordo entre todos os herdeiros, a via extrajudicial é a opção mais rápida e econômica. O pagamento de todas as taxas, porém, deve ser feito à vista antes da assinatura da escritura pública, o que exige planejamento de liquidez imediata por parte da família.
O que pode encarecer o inventário além do esperado?
Diversos fatores transformam um inventário simples em um processo caro e demorado, e a maioria deles pode ser evitada com organização prévia. O prazo legal para abrir o inventário é de 60 dias após o óbito, e a multa por atraso varia de 10% a 20% sobre o valor do imposto devido, dependendo do estado. Muitas famílias desconhecem esse prazo e são surpreendidas por uma conta que pode dobrar.
Entre os fatores que mais encarecem o processo, destacam-se:
- Atraso na abertura do inventário, que gera multa automática sobre o ITCMD e juros moratórios que crescem mês a mês.
- Conflito entre herdeiros, que obriga a tramitação judicial mesmo em casos que poderiam ser resolvidos em cartório, adicionando custas processuais, perícias e anos de espera.
- Dívidas tributárias do falecido, como IPTU e IPVA atrasados, que geram multas e juros capazes de dobrar o valor original e precisam ser quitadas antes da partilha.
Por que idosos devem se preocupar com o planejamento sucessório agora?
Para pessoas acima de 60 anos, o tema ganha urgência especial. Com as alíquotas progressivas em vigor, patrimônios acima de R$ 1 milhão correm risco elevado de cair na faixa máxima de 8%, e o planejamento antecipado por meio de doação em vida ou constituição de holding familiar pode diluir ou reduzir legalmente o impacto tributário. Adiar essa decisão é, na prática, escolher que os herdeiros paguem mais.
O planejamento sucessório feito em vida é a forma mais eficaz de proteger o patrimônio da família contra a tributação progressiva e os custos evitáveis do inventário. A doação com reserva de usufruto, por exemplo, permite que o idoso transfira a propriedade do imóvel aos filhos mantendo o direito de morar nele até o fim da vida — com imposto calculado sobre valores potencialmente menores do que os que seriam aplicados após o falecimento.
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Como reduzir os custos do inventário de forma legal?
A economia começa antes da abertura do processo. Documentação completa e organizada reduz as horas de trabalho do advogado, possibilitando negociar honorários menores. Consultar ao menos três profissionais especializados, comparar propostas e questionar sobre parcelamento são atitudes que podem representar milhares de reais de diferença no custo final.
Outra estratégia importante é utilizar avaliações de mercado realistas para os bens, baseadas em tabelas oficiais como a FIPE para veículos e o valor venal de referência para imóveis. Avaliações superestimadas aumentam desnecessariamente a base de cálculo do ITCMD e os honorários proporcionais. Por fim, vale lembrar que herdeiros com comprovada insuficiência de renda podem solicitar gratuidade de justiça, que isenta das custas processuais, embora não isente do ITCMD. Em um cenário de alíquotas mais altas e fiscalização mais integrada, cada decisão tomada com antecedência é dinheiro que permanece na família em vez de ir para o Estado.