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A frase de Madonna: “Muitas pessoas têm medo de dizer o que querem, e é por isso que não conseguem” sobre assertividade

A lição de Madonna sobre coragem, comunicação e assertividade no dia a dia.

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A frase de Madonna: "Muitas pessoas têm medo de dizer o que querem, e é por isso que não conseguem" sobre assertividade
Madonna construiu uma carreira de mais de quatro décadas desafiando regras. / Imagem ilustrativa

Direta, incômoda e impossível de ignorar, tanto a frase quanto a mulher que a disse. Madonna construiu uma carreira de mais de quatro décadas desafiando regras, e talvez nenhuma de suas declarações resuma tão bem sua filosofia pessoal quanto esta: “Muitas pessoas têm medo de dizer o que querem. É por isso que não conseguem o que querem”. O que parece um conselho óbvio esconde uma verdade que a psicologia estuda há décadas: a incapacidade de se expressar com clareza não é apenas um problema de comunicação, é uma barreira emocional que sabota relacionamentos, carreiras e saúde mental.

O que Madonna quis dizer com essa frase?

A declaração não é sobre ser rude ou impositivo. Em outra entrevista célebre, Madonna disse: “Sou durona, sou ambiciosa e sei exatamente o que quero. Se isso me torna uma pessoa difícil, tudo bem”. O ponto central da frase é o medo: não a falta de desejo, mas o medo de verbalizá-lo e enfrentar a possibilidade de rejeição. Ao longo da carreira, ela transformou essa filosofia em método, pedir, insistir, recusar o “não” como resposta definitiva.

Madonna descreve a ligação direta entre o silêncio motivado pelo medo e a frustração de nunca alcançar o que se deseja. Para ela, o problema não é não saber o que se quer a maioria das pessoas sabe. O problema é não ter coragem de transformar esse desejo em palavras claras, seja numa negociação salarial, num relacionamento ou numa conversa difícil com a família. A frase funciona como um diagnóstico preciso: o obstáculo não está fora, está na boca que não abre.

A frase de Madonna: "Muitas pessoas têm medo de dizer o que querem, e é por isso que não conseguem" sobre assertividade
Madonna disse certa vez que já foi “popular e impopular, amada e odiada”. / Créditos: depositphotos.com / s_bukley

O que a psicologia chama de assertividade e por que ela importa?

O conceito foi formalizado pelos psicólogos Robert Alberti e Michael Emmons no livro Your Perfect Right, publicado originalmente em 1970. Segundo Alberti e Emmons, a expressão assertiva de si mesmo significa agir de forma direta, firme e positiva para promover relações de igualdade, permitindo defender direitos pessoais e expressar sentimentos de maneira honesta e confortável, sem negar ao outro o direito de fazer o mesmo.

A assertividade não é um traço fixo de personalidade, é uma habilidade que pode ser aprendida e aprimorada com prática. Ela funciona como um fator protetor para a saúde mental, ajudando a construir relações mais saudáveis, fortalecer a autoestima e aumentar a sensação de autonomia sobre a própria vida. Um levantamento publicado no Journal of Clinical Psychology apontou que pessoas assertivas apresentam maior autoestima, menos sintomas de ansiedade e relações interpessoais mais satisfatórias.

Por que tantas pessoas têm medo de dizer o que querem?

A raiz do problema raramente é falta de vocabulário. Pessoas com baixa autoestima podem evitar situações que exigem assertividade devido ao medo de rejeição ou desaprovação. Esse medo é aprendido, geralmente na infância, em ambientes onde expressar desejos era punido com crítica, silêncio ou retirada de afeto. O cérebro registra essa experiência e transforma o ato de pedir em uma ameaça emocional que persiste na vida adulta.

O resultado é um padrão que se repete: a pessoa aceita condições injustas para não parecer “difícil”, concorda com planos que não deseja para não desagradar e acumula frustração silenciosa. Um estudo clínico randomizado publicado no BMC Psychology em 2023 confirmou que o treino de assertividade melhora significativamente a autoestima e a saúde mental. Entre os mecanismos que alimentam esse ciclo de silêncio, a psicologia identifica três principais:

  • Medo de rejeição, que faz o cérebro tratar um pedido simples como se fosse um risco de abandono, especialmente em quem cresceu associando discordância a perda de afeto.
  • Confusão entre assertividade e agressividade, que leva a pessoa a se calar por acreditar que qualquer posicionamento firme será interpretado como ataque.
  • Hábito de priorizar o outro, que transforma a própria necessidade em algo vergonhoso e gera a sensação de que pedir é egoísmo.

Leia também: O significado do provérbio italiano “Quem dorme não apanha peixes” sobre a iniciativa e o risco de não tentar.

A frase de Madonna: "Muitas pessoas têm medo de dizer o que querem, e é por isso que não conseguem" sobre assertividade
A raiz do problema raramente é falta de vocabulário. / Imagem ilustrativa

Qual é a diferença entre ser assertivo, passivo e agressivo?

A confusão entre esses três estilos de comunicação é a principal razão pela qual tantas pessoas evitam a assertividade: elas temem que pedir o que querem as faça parecer agressivas. Mas a psicologia distingue claramente os três comportamentos, e entender essa diferença é o primeiro passo para colocar a frase de Madonna em prática. A tabela a seguir resume como cada estilo se manifesta no dia a dia.

Comunicação Passiva
Evita expressar necessidades
Prioriza o desejo alheio
Gera frustração e ressentimento
“O que eu penso não importa”
Comunicação Assertiva
Expressa necessidades com clareza
Equilibra o próprio desejo e o do outro
Gera respeito mútuo
“O que eu penso merece ser ouvido”
Comunicação Agressiva
Impõe necessidades sobre os outros
Ignora o desejo alheio
Gera medo e afastamento
“Só o que eu penso importa”

A assertividade ocupa o ponto de equilíbrio entre a submissão e a imposição — é a capacidade de se posicionar sem desrespeitar.

Como começar a dizer o que se quer sem medo?

A assertividade se desenvolve com prática gradual, não com uma mudança radical de um dia para o outro. O caminho mais eficaz, segundo a comunicação assertiva na psicologia clínica, é começar por situações de baixo risco emocional, como devolver um prato errado no restaurante ou recusar um convite sem dar desculpas elaboradas e aumentar progressivamente a exposição até que o desconforto diminua.

Madonna disse certa vez que já foi “popular e impopular, amada e odiada”, e que justamente por isso se sentia livre para correr qualquer risco. A liberdade de que ela fala começa em algo menor do que um palco: começa na capacidade de abrir a boca e dizer, com clareza e sem culpa, o que se quer. A psicologia confirma que essa capacidade não é dom, é treino. E o primeiro passo é sempre o mais difícil: decidir que aquilo que você deseja merece ser dito.