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“Nunca vitimizei ninguém”: Bill Gates quebra silêncio sobre relação com Jeffrey Epstein
Gates se defende sobre amizade com Epstein e nega conhecimento de crimes em audiência
Bill Gates negou ter vitimizado alguém e afirmou que nunca testemunhou crimes de Jeffrey Epstein, em depoimento prestado nesta quarta-feira (10) ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A audiência, a portas fechadas, foi convocada após documentos do Departamento de Justiça colocarem o cofundador da Microsoft entre personalidades com vínculos próximos ao financista condenado por tráfico sexual.
“Nunca presenciei nem tive qualquer indício de que Epstein estivesse envolvido em condutas criminosas em andamento. Nunca vitimizei ninguém”, declarou Gates na abertura do interrogatório.
Gates conheceu Epstein em 2011 por indicação
O bilionário contou que foi apresentado a Epstein em 2011 por pessoas de confiança no meio profissional e filantrópico, atraído pela promessa de que o financista captaria bilhões para projetos de saúde global. Gates admitiu saber das condenações anteriores, mas disse não ter dimensionado a gravidade dos crimes.
“Aceitei a apresentação sem aplicar o escrutínio que deveria ter aplicado”, reconheceu. As reuniões sobre doações ocorreram até 2014, sem que nenhum recurso fosse captado. “Nunca deveria ter me encontrado com Epstein em primeiro lugar”, concluiu.
Rascunho de e-mail e tentativa de pressão
Os arquivos do Departamento de Justiça incluem um rascunho de 2013 no qual Epstein sugere ter ajudado Gates a administrar consequências de relações extraconjugais. Gates classificou o documento como falso, mas admitiu que o financista usou informações sobre suas infidelidades para tentar pressioná-lo a retomar o contato.
“Ele não teve sucesso nessa tentativa, mas isso demonstra como tentou aproveitar nossas interações para promover seus próprios objetivos”, disse. Gates também avaliou que Epstein buscava construir “uma imagem de legitimidade” ao se associar a pessoas influentes. “Se o tempo que passei com Epstein lhe conferiu alguma credibilidade, lamento profundamente”, afirmou.
Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, aguardando julgamento por tráfico sexual. O comitê investiga como o governo conduziu o caso e o que tem divulgado dos arquivos. Bill e Hillary Clinton e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, já depuseram. Ao fim da sessão, o republicano Tim Burchett avaliou que Gates ofereceu poucas informações novas, enquanto o democrata Robert García afirmou que ele “forneceu informações sobre outras pessoas do entorno de Epstein” e havia colaborado com as investigações.