Rio
Após a pandemia, flagrantes de embriaguez ao volante dobram no Rio
Após 18 anos, Lei Seca mostra sucesso contra mortes, mas desafio pós-pandemia causa alerta
Ao completar 18 anos em 2026, a Lei Seca enfrenta o desafio de conter o aumento de flagrantes de embriaguez no pós-pandemia. No Rio de Janeiro, o índice de motoristas autuados por alcoolemia saltou de 4,97% para 10,10% nos últimos anos.
O crescimento da mistura entre álcool e direção no estado é acompanhado pela tendência nacional. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito, o país já acumula mais de 3,2 milhões de infrações desde que a norma entrou em vigor, em 2008.
Confira os principais indicadores sobre o comportamento dos motoristas e a fiscalização:
- Alta nos flagrantes fluminenses: Entre 2022 e abril de 2026, as abordagens no Rio registraram 137.920 casos de alcoolemia. Embora o número de motoristas parados tenha caído em relação ao período pré-pandemia, o volume absoluto de flagrantes subiu.
- Estatísticas nacionais em 2026: Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, o Brasil registrou uma média diária de 1.339 infrações. O ritmo é superior ao de 2025, quando o ano fechou com 452.977 registros totais no país.
- Recusas e autuações: Do total histórico nacional, 1,18 milhão de casos são de motoristas sob influência confirmada de álcool. Outras 2,1 milhões de ocorrências referem-se à recusa de realizar o teste do bafômetro.
Registros de alcoolemia dobram após a pandemia
Apesar do alerta recente, a política pública é considerada um dos pilares da segurança viária. No Rio, onde as blitze permanentes operam desde 2009, quase 5 milhões de condutores já passaram por algum tipo de fiscalização em mais de 42,6 mil operações.
O impacto direto dessa vigilância é visto na redução da violência no trânsito fluminense. Desde a consolidação da norma até 2025, o estado registrou uma queda de 21% na taxa de mortalidade e um recuo ainda maior, de 38,6%, no número de feridos.
Estudos sobre o período indicam que, de forma geral, houve uma redução de pelo menos 40% no total de acidentes e vítimas. Em 17 anos de atuação contínua no Rio, os agentes contabilizaram mais de 360 mil ocorrências ligadas ao consumo de álcool.
Mudança de hábitos e consciência coletiva
Para o deputado federal Hugo Leal, autor da legislação, a norma promoveu uma transformação cultural profunda. O parlamentar costuma questionar as pessoas se agora, aos 18 anos, a lei pode beber, para logo em seguida reforçar, em tom descontraído: “É claro que não”.
Essa percepção de que dirigir alcoolizado é inaceitável é sustentada por dados do livro Brasil no Espelho. A publicação revela que 95% dos brasileiros atualmente consideram a combinação de bebida e volante como uma atitude desonesta.
“A Lei Seca já salvou mais de 60 mil vidas e deixou claro que beber e dirigir não é um direito individual, mas uma ameaça coletiva”, afirma Leal. O deputado ressalta que o aumento recente nos índices exige um reforço imediato na conscientização e no monitoramento.
Estratégias para o futuro da fiscalização
Os próximos passos para manter a eficácia da lei envolvem o uso de dados para orientar blitze em períodos críticos, como madrugadas e feriados prolongados. O foco deve se concentrar em grupos de maior risco e em locais de grande circulação, como universidades e eventos.
A meta é que o caráter educativo prevaleça sobre a punição, consolidando a tolerância zero como uma prática natural da sociedade brasileira. Campanhas mais frequentes em bares e escolas estão entre as prioridades para reverter a curva de alta observada em 2026.
De acordo com o autor da lei, a maturidade da legislação não deve ser vista como um estágio final de sucesso. “A fiscalização precisa ser firme, mas a consciência precisa vir antes da blitz. O motorista não deve beber porque sabe que pode matar, não apenas por medo da multa”, conclui.