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Aranha que brilha sob luz ultravioleta é uma das novas espécies descobertas em uma expedição com 16 especialistas

Cientistas encontram aranha com característica rara entre as novas espécies.

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Aranha que brilha sob luz ultravioleta é uma das novas espécies descobertas em uma expedição com 16 especialistas
Uma aranha que brilha em azul, um grilo que expele fluido para se defender, dezenas de borboletas que ninguém nunca viu. / Imagem ilustrativa

Uma aranha fluorescente que emite brilho azul intenso quando exposta à luz ultravioleta foi a descoberta mais surpreendente de uma expedição científica realizada no Planalto de Lisima, em Angola, em fevereiro de 2026. A espécie, até então desconhecida, integra um conjunto de dezenas de animais e insetos que a ciência nunca havia catalogado.

O que foi encontrado nessa expedição?

A missão Cassai Life Atlas, liderada pela organização The Wilderness Project, reuniu 16 especialistas africanos e internacionais para mapear uma das regiões menos estudadas do continente. O resultado superou qualquer expectativa: mais de 70 espécies potencialmente novas foram registradas.

O planalto de Lisima, chamado de Lisima Lya Mwono (“Fonte da Vida” na língua banta luchazi), alimenta quatro dos maiores rios africanos: Congo, Okavango, Zambeze e Cuanza. Décadas de guerra civil e a presença de minas terrestres mantiveram pesquisadores afastados, preservando ecossistemas praticamente intactos.

A escala dos achados impressiona mesmo para uma região considerada promissora. / Imagem ilustrativa

Quais foram as descobertas mais impressionantes?

A aranha fluorescente ganhou destaque mundial, mas a lista de achados vai muito além. A expedição revelou um cenário de biodiversidade que surpreendeu até os cientistas mais experientes da equipe liderada por Rob Taylor.

As espécies que mais chamaram atenção:

1
Aranha-caranguejo coroada fluorescente Emite brilho azul intenso nas patas e cefalotórax sob luz ultravioleta. A razão biológica do fenômeno ainda é desconhecida.
2
Grilo predador blindado Possui carapaça protetora com aparência intimidadora e expele fluido defensivo quando se sente ameaçado por predadores.
3
Aranha tecedeira com aparência de joaninha Imita a coloração de joaninhas para enganar predadores, sinalizando falsamente que seria tóxica ou desagradável ao paladar.
4
Lagarta e borboleta inéditas Uma nova lagarta da família dos licenídeos e sua respectiva borboleta adulta foram identificadas pela primeira vez nessa missão.
5
Louva-a-deus gigante de cabeça cônica Espécie de pastagens do sul da África, mestra em camuflagem, fotografada durante o levantamento noturno no planalto.

Por que essa região ficou inexplorada por tanto tempo?

A guerra civil angolana, que durou de 1975 a 2002, devastou a infraestrutura do país e semeou minas terrestres em vastas áreas rurais. O Planalto de Lisima permaneceu inacessível para cientistas durante décadas, e essa inacessibilidade, por ironia, preservou ecossistemas que permaneceram praticamente intactos.

Fatores que dificultaram a pesquisa na região:

  • Presença de campos minados remanescentes do conflito armado que durou 27 anos.
  • Ausência de estradas pavimentadas e infraestrutura de apoio logístico na região.
  • Distância dos centros urbanos e dificuldade de comunicação no planalto.
  • Prioridade dada a mamíferos grandes em pesquisas anteriores, negligenciando insetos e aracnídeos.
  • Custo elevado de expedições em áreas remotas sem retorno comercial imediato.

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Qual é a importância ecológica do planalto para o continente?

O Planalto de Lisima funciona como uma nascente continental: dele brotam águas que alimentam os rios Congo, Okavango, Zambeze e Cuanza, sistemas fluviais que sustentam milhões de pessoas em vários países africanos. Preservar esse planalto é proteger a base hídrica de boa parte do continente.

O que os números da expedição revelam sobre a biodiversidade local?

A escala dos achados impressiona mesmo para uma região considerada promissora. O levantamento cobriu insetos, aracnídeos, anfíbios e pequenos répteis, grupos que funcionam como indicadores da saúde de um ecossistema com mais precisão do que mamíferos grandes.

Veja o balanço da expedição por grupo catalogado:

Grupo Espécies registradas Novas para a ciência
Libélulas e libelinhas Indicadores de qualidade da água 103 espécies catalogadas durante a expedição no planalto. 8 inéditas
Borboletas e mariposas Maior número de novas espécies Grupo com maior volume de achados potencialmente novos para a ciência. Cerca de 60
Gafanhotos e grilos Inclui o grilo blindado Ao menos três espécies inéditas, com expectativa de mais durante a análise. 3 ou mais
Aranhas Inclui a fluorescente Duas espécies de destaque: a caranguejo coroada fluorescente e a tecedeira-joaninha. 2 confirmadas

Por que essa descoberta importa para além da ciência?

A bióloga angolana Laurinda Mandela de Fraga, integrante da equipe, resumiu o sentido da expedição ao dizer que ela reforça “o orgulho e a responsabilidade de proteger esta área única”. Cada espécie nova catalogada fortalece o argumento para a conservação formal da região, que ainda não possui proteção ambiental oficial completa.

Uma aranha que brilha em azul, um grilo que expele fluido para se defender, dezenas de borboletas que ninguém nunca viu. O Planalto de Lisima provou, em uma única expedição, que os maiores segredos do planeta não estão no espaço, estão nas regiões que a própria humanidade ainda não conseguiu alcançar. E o mais relevante talvez não seja o que foi encontrado, mas o que ainda está lá, esperando ser visto pela primeira vez.