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Cientistas buscavam ouro nas profundezas da Terra e acabaram diante de uma descoberta incrível
Cientistas encontraram uma cratera de meteorito enquanto procuravam ouro
Cientistas que procuravam ouro na Austrália Ocidental acabaram identificando a estrutura de impacto de Ora Banda, uma cratera de meteorito quase apagada da superfície. Com aproximadamente quatro quilômetros de diâmetro, a formação permaneceu escondida sob sedimentos e rochas alteradas pelo tempo. Evidências mostram que um meteorito de ferro colidiu na região, gerando pressões que quebraram, deformaram e derreteram minerais.
Como a procura por ouro revelou uma cratera escondida?
A descoberta começou nos Eastern Goldfields, uma região conhecida por seus depósitos minerais. Durante levantamentos voltados à exploração de ouro, dados gravitacionais revelaram uma anomalia circular sob o terreno. O padrão indicava a presença de rochas mais densas organizadas ao redor de uma área central, algo que não combinava com uma formação geológica comum.
Perfurações realizadas no local retiraram amostras de diferentes profundidades. Os testemunhos de sondagem mostraram rochas fraturadas, minerais deformados e materiais formados sob temperaturas elevadas. O conjunto levou os pesquisadores a investigar a possibilidade de uma colisão ocorrida antes da deposição de sedimentos do Cretáceo Inferior. A idade exata do impacto ainda não foi determinada.
Entre os principais indícios encontrados estavam:
- Uma anomalia gravitacional circular com cerca de quatro quilômetros;
- Uma elevação central cercada por uma depressão em forma de anel;
- Cones de estilhaçamento nas rochas da superfície e do subsolo;
- Quartzo deformado por pressões extremas;
- Brechas contendo fragmentos de rocha e partículas de vidro.

O que são os cones de estilhaçamento encontrados em Ora Banda?
Os cones de estilhaçamento são fraturas com formato cônico produzidas quando uma onda de choque atravessa a rocha em alta velocidade. Como essas estruturas estão fortemente associadas a colisões cósmicas, sua presença ofereceu uma das primeiras evidências de que Ora Banda não era apenas uma formação circular subterrânea.
Os pesquisadores encontraram esses cones tanto em afloramentos quanto nas amostras retiradas pelas perfurações de exploração mineral.
Como as rochas confirmaram o impacto de um meteorito?
As sondagens também alcançaram brechas de impacto, rochas formadas por fragmentos quebrados e reunidos durante um evento de enorme energia. Algumas amostras continham partículas vítreas produzidas quando o calor da colisão derreteu materiais do terreno. O material fundido foi lançado, resfriou e retornou à cratera misturado aos demais fragmentos.
As análises microscópicas e químicas forneceram outras pistas decisivas. Grãos de quartzo apresentavam estruturas geradas por pressões estimadas entre 15 e 20 gigapascais. As deformações identificadas em 17 grãos de quartzo registram pressões de choque entre 15 e 20 gigapascais, segundo estudo divulgado na Meteoritics & Planetary Science. Já o vidro continha concentrações elevadas de elementos metálicos pouco comuns na crosta terrestre, mas abundantes em meteoritos ricos em ferro.
Os elementos identificados incluíram:
- Níquel e cobalto;
- Irídio e platina;
- Paládio e ródio;
- Partículas microscópicas de ouro;
- Resíduos químicos atribuídos ao objeto espacial.

O impacto realmente fez chover ouro sobre a região?
Pequenas partículas de ouro foram encontradas dentro das brechas. A interpretação dos pesquisadores é que o impacto atingiu rochas que já continham o metal, lançando fragmentos e material fundido para o alto.
Parte desse conteúdo teria retornado à superfície como uma chuva de detritos antes de ser incorporada às novas rochas da cratera. Isso não significa que o meteorito trouxe uma grande reserva de ouro do espaço.
Por que a estrutura de Ora Banda é tão importante para a ciência?
A estrutura de impacto de Ora Banda está localizada em rochas verdes arqueanas, formações vulcânicas transformadas que estão entre os terrenos mais antigos preservados no planeta. Poucas crateras confirmadas foram identificadas nesse tipo de ambiente. O local também conserva uma rara ocorrência australiana de suevito, uma brecha que reúne fragmentos de rocha e vidro gerado pelo impacto.
A cratera quase desapareceu devido à erosão, ao soterramento e às alterações geológicas. Sua identificação mostra que outras cicatrizes de colisões podem continuar escondidas sob antigas regiões minerais. O ouro levou as equipes até Ora Banda, mas o achado mais relevante foi um registro preservado de um meteorito rico em ferro atingindo algumas das rochas mais antigas da Terra.