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Segundo o Washington Post, a vila sem asfalto nem carros no Nordeste é uma das 10 mais bonitas do mundo

Entre dunas e mar, a vila nordestina sem carros que está entre as mais bonitas.

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Segundo o Washington Post, essa vila sem asfalto nem carros no Nordeste é uma das 10 mais bonitas do mundo

Os pés afundam na areia logo na chegada a Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará. A 300 km de Fortaleza, a vila não tem ruas pavimentadas, postes de iluminação pública nem permite a entrada de carros particulares. À noite, só a lua ilumina as ruas de areia, e o pôr do sol mergulha direto no oceano.

De aldeia de pescadores a cartão-postal mundial

O nome vem do tupi e significa toca das tartarugas, referência à desova que ainda acontece na praia. Até meados dos anos 1980, a vila era uma comunidade isolada entre dunas, sem energia elétrica e acessível apenas por trilhas de areia ou jangada.

A virada veio em 1994, quando o jornal norte-americano The Washington Post, em reportagem assinada por Cal Fussman, incluiu a praia entre as dez mais bonitas do planeta. A rede elétrica chegou em 1998 e foi instalada de forma subterrânea, por decisão dos próprios moradores, para preservar o céu estrelado.

A vila sem asfalto e sem postes de luz que virou o 3º parque nacional mais visitado do Brasil
Jericoacoara ideal para aventura: kitesurf mundial, ecoturismo sustentável, 300km Fortaleza e vilarejo acessível só 4×4/toyota. // Créditos: depositphotos.com / xura

Por que Jeri é um parque nacional?

A proteção da área começou em 1984, com a criação de uma Área de Proteção Ambiental. Em fevereiro de 2002, parte do território virou o Parque Nacional de Jericoacoara, hoje com 8.850 hectares administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A unidade abrange os municípios de Jijoca de Jericoacoara, Cruz e Camocim, e inclui uma faixa marítima de um quilômetro de largura. Foi o terceiro parque nacional mais visitado do Brasil em 2024, atrás apenas dos parques da Tijuca e do Iguaçu.

Jericoacoara, no Ceará, consolida-se como um dos destinos mais emblemáticos do Brasil, preservando uma atmosfera rústica em meio a dunas e lagoas. O canal Casal Alencar (167k inscritos) mapeia esse itinerário com dicas logísticas.

O que visitar dentro e fora do parque?

Os passeios se dividem em dois roteiros principais, leste e oeste, percorridos em buggy ou jardineira. O leste concentra as lagoas de água doce, e o oeste segue por manguezais e vilarejos cercados de dunas.

  • Pedra Furada: arco rochoso esculpido pelo mar, principal cartão-postal da vila, acessível por caminhada de cerca de 30 minutos pela praia em maré baixa.
  • Duna do Pôr do Sol: ponto clássico para ver o sol mergulhar direto no oceano, fenômeno raro no litoral brasileiro.
  • Lagoa do Paraíso: águas cristalinas em tons de verde e azul, famosa pelas redes de tucum estendidas dentro da água.
  • Serrote: formação rochosa de 95 metros que abriga o farol, com vista de 360 graus sobre dunas e mar.
  • Árvore da Preguiça: tronco curvado pelo vento constante no caminho para a Praia do Preá, uma das imagens mais reproduzidas da região.
  • Rio Guriú: passeio de canoa pelos manguezais com avistamento de cavalos-marinhos em seu habitat natural.

A meca brasileira do kitesurf

De julho a janeiro, ventos constantes transformam a região em um dos principais destinos de vela do mundo. A Praia do Preá, a cerca de 12 km da vila, é referência global para a prática do kitesurf e recebe velejadores de três continentes.

Muitos chegam por downwind, navegando pela costa desde o Cumbuco, perto de Fortaleza, até Jeri. O windsurf é praticado na praia central da vila, enquanto o stand-up paddle ganha espaço nas águas calmas das lagoas.

Leia também: A cidade brasileira eleita a mais bonita de 2025 que uniu praias surreais, sustentabilidade e cultura.

O que comer na vila de areia?

A herança da aldeia de pescadores aparece nos cardápios dos restaurantes que ocupam as ruas de areia. Frutos do mar dominam a cena, com toques cearenses e influências internacionais trazidas por europeus que se instalaram na vila.

  • Lagosta grelhada: prato emblemático da região, servido fresco nos restaurantes da Rua Principal.
  • Peixe na telha: preparado com leite de coco e acompanhado por farofa de cuscuz crocante, traz o sabor típico do litoral cearense.
  • Camarão ao alho e óleo: petisco favorito de quem relaxa nas redes dos quiosques à beira das lagoas.
  • Tapioca recheada: opção leve para o café da manhã, com versões doces e salgadas, combustível para o dia inteiro de passeios.
A vila onde não há asfalto nem postes de luz e a lua ilumina uma das 10 praias mais bonitas do mundo
O antigo vilarejo de pescadores de Jericoacoara transformou-se em um dos destinos mais cobiçados // Créditos: depositphotos.com / RudiErnst

Quando ir a Jericoacoara?

O calor é constante o ano inteiro, mas chuvas e ventos definem duas temporadas distintas. A estação chuvosa enche as lagoas entre as dunas, enquanto a seca traz os ventos fortes que atraem velejadores.

🌧️ Chuvas Fev – Mai
Temp: 25-33°C
Chuva: Alta
Época em que a região floresce, com as lagoas ficando cheias e a paisagem verde ganhando vida.
🌤️ Transição Jun – Jul
Temp: 24-32°C
Chuva: Média
Período ideal para curtir o banho de lagoa com águas cristalinas e a chegada dos primeiros ventos.
💨 Ventos Ago – Jan
Temp: 25-35°C
Chuva: Baixa
Temporada de ventos fortes e constantes, perfeitos para a prática profissional de kitesurf e windsurf.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à vila entre as dunas?

O Aeroporto Regional de Jericoacoara fica a 33 km da vila e recebe voos de Fortaleza, São Paulo e outras capitais. De Fortaleza por terra, são cerca de 4h30 pela CE-085, a Rota do Sol Poente, com os últimos quilômetros em estrada de areia que só veículos 4×4 conseguem percorrer.

Uma vila que parou no tempo

Jericoacoara reúne o que a costa cearense tem de mais singular: dunas que escondem lagoas cristalinas, uma pedra esculpida pelo mar, ventos que atraem velejadores do mundo inteiro e ruas de areia onde o relógio desacelera. Tudo dentro de um parque nacional que blinda a paisagem do avanço urbano.

Você precisa tirar os sapatos na areia de Jeri para entender por que quem vai uma vez insiste em voltar.