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Lesão por pressão exige atenção em pacientes acamados
Conhecida popularmente como escara, a lesão por pressão é uma das complicações mais comuns em pacientes acamados. O conteúdo aborda fatores de risco, sinais de alerta e estratégias de prevenção recomendadas por especialistas.
Quem cuida de um familiar acamado já deve ter ouvido falar em escara — o nome popular para um problema de pele que aparece quando uma região do corpo fica sob pressão constante por muito tempo. O termo técnico é lesão por pressão, e entender a diferença entre os dois é importante: segundo as diretrizes internacionais de prevenção e tratamento publicadas nas WHS Guidelines (2023), a escara representa um estágio já avançado dessa lesão, quando o tecido morre e forma uma casca escura e endurecida. Antes de chegar a esse ponto, porém, existem sinais que podem — e devem — ser percebidos bem mais cedo.
A lesão por pressão em pacientes acamados é uma das complicações mais frequentes entre quem passa longos períodos no leito, seja em casa, em hospitais ou em clínicas de repouso. Ela surge quando uma parte do corpo, geralmente sobre um osso saliente como o calcanhar, o quadril ou a região da base da coluna, fica pressionada contra o colchão ou a cadeira por tempo demais, dificultando a circulação de sangue naquele ponto.
O problema é mais comum do que se imagina. Uma revisão publicada no Journal of Social Issues and Health Sciences (2026) mostra que, em pacientes cuidados em casa, o risco de desenvolver esse tipo de lesão pode chegar a quase 6 em cada 10 pessoas acamadas — o que reforça que o cuidado preventivo não deve ficar restrito apenas ao ambiente hospitalar.
Segundo a estomaterapeuta Dra. Micheline Sarquis, é importante que as famílias conheçam o problema desde o início, e não apenas quando ele já está em estágio avançado. “Muita gente só procura ajuda quando já existe a escara, aquela ferida escura e endurecida. Mas antes disso, a pele já dá sinais — fica vermelha, mais quente, mais sensível ao toque. Se a gente identifica nessa fase, dá tempo de evitar que a lesão evolua”, explica a especialista.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a prevenção da lesão por pressão é considerada uma das metas de segurança do paciente em todo o sistema de saúde brasileiro — o que mostra a relevância do tema mesmo fora do ambiente hospitalar.
Alguns fatores aumentam as chances de uma pessoa acamada desenvolver esse tipo de lesão: idade avançada, dificuldade de se mover sozinho, desnutrição e o tempo total que a pessoa passa na mesma posição. Segundo a Dra. Micheline Sarquis, por isso não existe uma receita única de cuidado. “Cada paciente tem um perfil diferente. A gente avalia mobilidade, estado nutricional, idade, tempo de cama — tudo isso entra na conta para saber o nível de risco e o tipo de cuidado necessário”, afirma.
Na prática, a prevenção passa por hábitos simples, mas que exigem constância. Mudar a posição do paciente regularmente — geralmente a cada duas horas — é uma das medidas mais eficazes, segundo as WHS Guidelines de 2023, diretriz internacional voltada à prevenção e tratamento desse tipo de lesão. Outras medidas recomendadas incluem o uso de colchões especiais para alívio de pressão e a inspeção frequente da pele, especialmente nas regiões mais expostas.
Para identificar com mais precisão o nível de risco de cada paciente, profissionais de saúde costumam usar ferramentas como a Escala de Braden, um instrumento de avaliação amplamente validado pela literatura científica e citado em revisão recente publicada no Journal of Clinical Nursing (2025).
Cuidadores e familiares têm papel fundamental nesse processo, principalmente em casa, onde nem sempre há acompanhamento profissional diário. Vermelhidão que não desaparece, mudança na temperatura da pele e reclamação de dor ou desconforto em um ponto específico do corpo são sinais de alerta que merecem atenção imediata.
“Quando a lesão é identificada bem no início, ela tem grande chance de ser resolvida sem complicações. O problema é que, na maioria das vezes, ela só é percebida quando já virou escara — e aí o tratamento é bem mais longo e complexo”, reforça a Dra. Micheline Sarquis.
Manter a observação constante da pele, adotar medidas preventivas simples no dia a dia e buscar avaliação especializada diante de qualquer sinal de alerta são passos fundamentais para evitar que uma lesão por pressão em pacientes acamados avance para estágios mais graves.
Mais informações podem ser encontradas em: https://institutomichelinesarquis.com/