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Fundada por suíços e com pico de 2.257 metros, a “Suíça Brasileira” tem título oficial por lei federal
A cidade brasileira fundada por suíços que virou oficialmente a "Suíça Brasileira".
A 136 km do Rio de Janeiro, na Região Serrana fluminense, Nova Friburgo guarda na arquitetura de chalés e nos sobrenomes dos moradores a herança do único projeto de colonização suíça do Brasil. Em 2024, o título de Suíça Brasileira virou oficial em lei federal, exclusivo entre os municípios brasileiros.
Quando a Europa enviou 2 mil pessoas para a serra fluminense
A história começa em 1815, com a erupção do vulcão Tambora, na Indonésia. As cinzas atingiram a atmosfera e provocaram um ano sem verão na Europa, com fome e perdas agrícolas. Em maio de 1818, Dom João VI assinou o decreto que autorizou o agente Sébastien-Nicolas Gachet, do Cantão de Friburgo, a fundar uma colônia de 100 famílias suíças na Fazenda do Morro Queimado, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A divulgação atraiu mais interessados. Dos 2.006 emigrantes que partiram, apenas 1.631 chegaram ao destino, com 389 mortes na travessia e 14 nascimentos a bordo. O povoado foi elevado à categoria de vila em 1820 e a cidade em 1890. Em 1824, chegaram 343 alemães protestantes liderados pelo pastor Frederico Sauerbronn, que fundaram a primeira comunidade luterana do Brasil e da América Latina.

Por que a cidade tem título oficial de Suíça Brasileira?
A herança suíça permanece viva. Em 1978, a cidade firmou vínculo oficial com Fribourg pela Associação Friburgo-Nova Friburgo. Em 2017, a Lei Estadual 7.683 declarou Nova Friburgo a Suíça Brasileira no Rio de Janeiro.
O reconhecimento em escala nacional veio com a sanção da Lei Federal 14.910 em 2024, exclusiva por se tratar do único município fundado por imigrantes suíços. A cidade chegou a abrigar dez nações diferentes na colonização: portugueses, africanos, suíços, alemães, italianos, sírios, japoneses, espanhóis, húngaros, austríacos e libaneses, segundo a Prefeitura de Nova Friburgo.
Quais atrações visitar na Região Serrana?
O município se divide entre centro histórico, distritos rurais e algumas das maiores altitudes do estado. Os roteiros combinam cultura, gastronomia e natureza.
- Pico da Caledônia: a 2.257 metros de altitude, em dias claros oferece vista da Baía de Guanabara. Acessível por trilha e rampa de voo livre.
- Catedral de São João Batista: inaugurada em 1869 na Praça Dermeval Barbosa Moreira, conhecida por estar ligeiramente inclinada.
- Praça do Suspiro: ponto de partida do Teleférico e da Igreja de Santo Antônio, com vista aérea do centro e das montanhas.
- Lumiar e São Pedro da Serra: distritos com cachoeiras cristalinas, trilhas ecológicas e clima de vilarejo escondido entre montanhas.
- Circuito Amparo: turismo rural a 13 km do centro, com produção de orgânicos, morangos, cachaça artesanal e o primeiro cultivo de lúpulo do estado.
- Parque do Cão Sentado: pedra em formato de cachorro sentado em Conselheiro Paulino, cartão-postal natural da cidade.
Nova Friburgo, na Região Serrana fluminense, consolida-se como a capital nacional da moda íntima e proeminente polo de ecoturismo. O canal De fora em Juiz de Fora (292 mil inscritos) mapeia o robusto circuito têxtil, a herança cultural e a infraestrutura que elevam o município.
Onde sentir a herança suíça de perto?
O Memorial da Colonização Suíça, dentro do complexo da Casa Suíça, guarda mobiliário, trajes e ferramentas dos pioneiros. Cartas e documentos dos primeiros imigrantes também estão expostos no Museu do Colonizador, no distrito de Três Cachoeiras.
O conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça Getúlio Vargas foi tombado pelo IPHAN em 1972. No bairro de Conselheiro Paulino, a Frialp Queijaria e Chocolataria produz o queijo Moleson, primeiro queijo de casca lavada desenvolvido no Brasil e um dos nove queijos tipicamente brasileiros.
O sabor da serra fluminense
A cozinha friburguense combina tradição europeia e ingredientes da serra. As pousadas e os restaurantes do centro mantêm receitas suíças adaptadas há mais de 200 anos.
- Fondue de queijo: prato símbolo do inverno friburguense, servido com pães e legumes em panelas de barro.
- Truta da serra: peixe criado em águas geladas dos distritos, em receitas com manteiga e ervas.
- Chocolates artesanais: tradição suíça preservada nas chocolaterias do centro e da zona rural.
- Queijos de cabra: produção artesanal nas pequenas propriedades dos distritos de Amparo e Mury.
- Cervejas artesanais: produção local em expansão, com rótulos premiados em feiras nacionais.
Qual a melhor época para visitar a Suíça Brasileira?
O clima tropical de altitude garante temperaturas amenas o ano todo. A média anual gira em torno de 18°C, com inverno seco e propício a fondues e fogueiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Suíça Brasileira?
De carro, o trajeto sai do Rio de Janeiro pela BR-040 até Duque de Caxias, segue pela RJ-116 em direção à serra e dura cerca de 2h30. São 136 km com curvas e neblina frequente no trecho final.
Ônibus diretos partem da Rodoviária Novo Rio várias vezes ao dia. Quem chega de avião desembarca no Aeroporto Internacional do Galeão e segue por estrada. A rodoviária friburguense também recebe linhas de cidades vizinhas como Petrópolis e Teresópolis.
Suba a serra e descubra Nova Friburgo
Poucas cidades brasileiras conseguem unir 200 anos de história europeia, um pico acima de 2 mil metros e o queijo Moleson em um único endereço a poucas horas do calor carioca. A serra fluminense guarda uma cápsula viva da colonização suíça que nenhum outro município reproduz com a mesma fidelidade.
Você precisa subir a serra e conhecer Nova Friburgo, a cidade onde o Brasil ainda fala um pouco de suíço entre as montanhas.