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Brigitte em Quem Ama Cuida: entenda o transtorno que afeta a personagem de Tatá Werneck e como ele é tratado na vida real
Personagem da novela apresenta erotomania associada a traços do Transtorno de Personalidade Borderline; especialistas alertam que a ficção ajuda a ampliar o debate sobre saúde mental
As cenas de Brigitte, personagem de Tatá Werneck em Quem Ama Cuida, têm despertado a curiosidade do público ao retratar um quadro psicológico complexo. Na trama, a personagem apresenta erotomania, um transtorno delirante raro, associado a traços compatíveis com o Transtorno de Personalidade Borderline. Embora a novela utilize recursos dramáticos próprios da ficção, a combinação dos dois quadros possui respaldo na literatura médica e ajuda a chamar atenção para a importância do diagnóstico e do tratamento especializado.
A erotomania, também conhecida como Síndrome de Clérambault, é classificada pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais como um subtipo do transtorno delirante. Sua principal característica é a crença fixa e infundada de que outra pessoa está apaixonada por ela, mesmo quando não existe qualquer evidência objetiva que sustente essa convicção. Frequentemente, o suposto admirador é alguém de posição social elevada, uma celebridade, um profissional respeitado ou uma pessoa emocionalmente inacessível.
Na prática, pessoas com erotomania costumam interpretar gestos cotidianos, mensagens, olhares ou coincidências como supostas declarações de amor. Quando confrontadas com a realidade, geralmente não abandonam essa crença, pois ela faz parte do próprio delírio. Em alguns casos, podem insistir em contatos repetitivos, perseguições ou tentativas constantes de aproximação, acreditando que existe um relacionamento secreto entre ela e a outra pessoa.
No caso de Brigitte, a novela sugere que esse quadro é agravado por características compatíveis com o Transtorno de Personalidade Borderline. Segundo a literatura médica, o TPB é marcado por intensa instabilidade emocional, medo exagerado de abandono, impulsividade, mudanças rápidas de humor, dificuldade para manter relacionamentos estáveis e uma percepção bastante oscilante de si mesmo e dos outros. Pessoas com esse transtorno podem alternar rapidamente entre idealizar alguém e passar a enxergá-lo de forma extremamente negativa diante de frustrações ou rejeições.
É importante destacar, porém, que erotomania e Transtorno de Personalidade Borderline não são a mesma doença. A erotomania é um transtorno delirante, enquanto o TPB é um transtorno de personalidade. Apesar disso, estudos mostram que a erotomania pode coexistir com outros transtornos psiquiátricos, incluindo o Borderline, tornando o quadro clínico mais complexo e exigindo avaliação individualizada por um psiquiatra.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e costuma envolver acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Nos casos de erotomania, podem ser indicados medicamentos antipsicóticos para controlar os delírios, enquanto o Transtorno de Personalidade Borderline é tratado principalmente por meio de psicoterapia estruturada — especialmente a Terapia Comportamental Dialética —, podendo haver também o uso de medicamentos para controlar sintomas específicos, como ansiedade, impulsividade ou alterações de humor.
Ao inserir esse tema em horário nobre, Quem Ama Cuida amplia uma discussão importante sobre saúde mental. Ainda que a dramaturgia utilize licenças criativas para potencializar conflitos e emoções, a história de Brigitte pode contribuir para reduzir preconceitos e estimular o público a compreender que transtornos psiquiátricos são condições médicas reais, que necessitam de diagnóstico correto, tratamento adequado e acolhimento, e não de julgamentos ou estigmatização. A representação também reforça que comportamentos extremos nem sempre são fruto de escolhas conscientes, mas podem estar relacionados a doenças que afetam profundamente a percepção da realidade e a forma de construir vínculos afetivos.
O texto Brigitte em Quem Ama Cuida: entenda o transtorno que afeta a personagem de Tatá Werneck e como ele é tratado na vida real foi publicado primeiro no Observatório da TV.